No próximo ano, completam-se 500 anos sobre o nascimento do Venerável Padre Frei Roque do Espírito Santo. Não se sabe o ano exacto em que nasceu, mas desde há muito que tem prevalecido o de 1520.
Frei Roque do Espírito Santo foi um dos albicastrenses mais insignes, quiçá mesmo o mais insigne de todos quantos pela primeira vez viram a luz do dia neste secular burgo, e que no dizer de George Cardoso, autor do Agiológico Lusitano, “se Castelo Branco não fosse só por si, uma terra notável, por ser berço de tantos varões ilustres, bastava para glória e reputação sua, haver produzido este Venerável Padre”.
Frequentou a Universidade de Salamanca, onde durante alguns anos cursou Direito, e ao regressar a Portugal, seu pai fora, entretanto, nomeado procurador da Vila de Castelo Branco às Cortes de Almeirim de 1544, acompanhou-o, aproveitando o tempo para visitar o Convento de Santarém da Ordem da Santíssima Trindade, onde sentiu uma enorme vocação religiosa, tendo professado nele nesse mesmo ano.
Fundou o Colégio Universitário de Coimbra, com a protecção da rainha D. Catarina, e por quatro vezes, contra a sua vontade, foi eleito Provincial da Ordem, tendo também sido Vigário Geral, aceitando o encargo com espírito de missão.
Uma grande parte da sua vida, dedicou-a ao resgate de cativos de Marrocos, onde, em terra de mouros, era altamente respeitado, circulando livremente, montado no seu jumento, sem que lhe fizessem mal algum.
A confiança que os mouros tinham em Frei Roque do Espírito Santo era tal, que quando não tinha dinheiro para pagar resgates, empenhava a sua palavra, e algumas vezes deixou por penhor a correia do hábito ou o bordão. Chamavam-lhe o Apóstolo de África.
Terá resgatado para cima de três mil cativos, e a fama da sua virtude e santidade era tal, que se dizia que ”a Virgem dos Remédios lhe dava, pela sua mão, dinheiro para resgatar cativos, por ser mais o número dos que resgatou do que a quantia do dinheiro que recebeu”.
Humilde como era, rejeitou ser arcebispo de Goa e bispo de Ceuta, Viseu e Lamego.
Foi a este ilustre albicastrense a quem, a pedido do Cardeal-Rei e de Filipe II de Espanha, em 10 de Dezembro de 1578, Mulei Hamet fez a entrega do corpo de El-Rei D. Sebastião, que se encontrava sepultado em casa do alcaide de Alcácer-Quibir, tendo sido depositado na Capela do Convento de Santiago, dos Padres Trinatários, e transferido posteriormente para a capela-mor da Sé de Ceuta, onde esteve até 1582, ano em que foi trasladado para Portugal.
Faleceu em Lisboa, a 11 de Maio de 1590, com fama de santidade.
Castelo Branco tem-se “esquecido” de homenagear a memória de alguns dos seus filhos, não obstante terem atempadamente sido lembrados.
Com antecedência, o nome de Frei Roque do Espírito Santo, aqui fica lembrado nas colunas do jornal Reconquista, esperando que ele não venha a ser incluído no rol dos esquecidos.
Arnel Afonso