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A banca nacional: Crédito para crescer

Luís Beato Nunes - 30/05/2018 - 10:19

O setor financeiro tornou-se num dos principais setores de atividade económica em vários países da OCDE no último século, continuando a crescer neste século apesar da crise de 2008.
O peso deste setor na economia tem levado muitos autores a questionar o valor acrescentado da banca para a economia real, ou seja, para o que é tangível e passível de melhorar as nossas vidas.
Apesar das recentes reestruturações, os cinco maiores bancos nacionais ainda são responsáveis por cerca de 50 mil empregos directos, mas o seu impacto na economia real vai muito mais além.
Os bancos são intermediários entre os agentes aforradores da economia, e os que, tendo intenção de realizar investimentos ou simplesmente antecipar consumos futuros, “compram” os aforros dos outros.
Esta troca é facilitada pelos bancos, onde os aforradores depositam as suas poupanças e os investidores ou famílias procuram os recursos financeiros para desenvolver os seus projetos ou antecipar os seus consumos, respetivamente.
Entre investimentos e simples antecipações de consumo há uma grande diferença a longo-prazo para uma economia, pois os primeiros poderão permitir poupanças mais elevadas no futuro, enquanto que as antecipações de consumo, são apenas isso: um consumo futuro antecipado que gera uma ilusão de riqueza presente.
Seja através de empréstimos ao consumo, crédito à habitação, ou de simples compras a crédito, estes produtos não se refletem a longo-prazo numa maior capacidade de poupança da economia.
Pelo contrário, o preço a pagar pela antecipação do consumo, a taxa de juro, acaba por ter um impacto negativo no rendimento disponível futuro das famílias se estas não conseguirem realizar as suas expetativas de aumentarem o seu próprio rendimento.
Ora, durante décadas a prioridade da banca nacional foi o mercado interno, apesar deste não ter uma dimensão que permitisse à economia nacional sustentar elevados níveis de crescimento futuro.
Os juros bonificados ao crédito à habitação e os investimentos dúbios que se realizaram com a complacência de sucessivos governos também não ajudaram ao discernimento da banca nacional, que, concentrada no mercado interno, se canibalizou em guerras de poder.
Mesmo depois da adesão de Portugal à UE, em 1985, continuou-se a negligenciar o investimento na modernização do aparelho produtivo e o redirecionamento das empresas nacionais para o mercado externo, onde uma procura com maior poder de compra poderia permitir um crescimento sustentável da produção nacional.
Atualmente, o crédito às empresas exportadoras é dos principais produtos oferecido pela banca, mas esta continua longe de liderar esta reestruturação premente da economia nacional, o que também se deve aos efeitos da crise financeira.
Os bancos deviam ser os principais interessados no crescimento dos mercados de destino da produção nacional, uma vez que tal sucesso aumentaria igualmente a sua rentabilidade a médio-prazo.
Neste sucesso, o Estado tem igualmente um papel relevante, mas não deve manipular o mercado, como outrora fez no passado. O Estado deve permitir que as empresas nacionais se apresentem no estrangeiro e que tenham todas as oportunidades de conhecerem e interagirem com potenciais parceiros.  

luis.beato.nunes@gmail.com

COMENTÁRIOS

Duarte Figueira
Na semana passada
Olá Luís,
artigo muito pertinente porque a banca está novamente a cometer os mesmos erros.
Abraço,
Duarte