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Cata-Ventos: Adaptação às alterações climáticas

Costa Alves - 31/03/2016 - 11:20

A onda de calor é, sem dúvida, a causa das situações catastróficas mais repetidas e graves com que o país e o município albicastrense se confrontam na fase atual da evolução do clima.

Desde 1999 até hoje, vimos propondo a sua efetivação, não com base num histórico extraído da Comunicação Social mas com os critérios da Proteção Civil e das instituições científicas que com ela colaboram operacionalmente. Sem dados não há ciência e, sem dados dos efeitos e das vulnerabilidades, não há ciência de proteção civil.

Também insisto em que, metodologicamente, não podemos deixar-nos cair numa simples enunciação indicadora de medidas, sem a necessária hierarquização dos impactos gerados por cada um dos riscos. Ou seja, não os podemos tratar como se os efeitos merecessem o mesmo grau de preocupação e resposta. Chuva muito intensa de curta duração não tem, na esfera municipal albicastrense, as mesmas consequências que uma onda de calor com duas frentes de calamidade que pode originar a morte de dezenas de pessoas e a queima de centenas de hectares, senão mais.

Continuo a insistir. A onda de calor é, sem dúvida, a causa das situações catastróficas mais repetidas e graves com que o país e o município albicastrense se confrontam na fase atual da evolução do clima.

Entre 2003 e 2013, verificaram-se, no país, 6320 óbitos por exposição a calor extremo. Entre 29 de julho e 14 de agosto de 2003, ocorreram 110 óbitos excedentários no distrito de Castelo Branco, o que correspondeu a mais 80% do que o normal. Seria importante alargar (e aprofundar) o conhecimento dos dados relativos a 2006, 2009 e 2013 em que as ondas de calor foram de alta intensidade originando excedentes de mortalidade superiores a 1000 em cada um desses anos.

Com o conhecimento minucioso dos dados que definem a dimensão real do problema, ficaremos mais capazes de estabelecer planos de adaptação adequados aos efeitos expectáveis das alterações climáticas.

mcosta.alves@gmail.com

 

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Castelo Branco é um dos 26 concelhos que integram o projeto ClimAdaPT.Local que visa estabelecer estratégias municipais de adaptação às alterações climáticas. Esperava há muitos anos por uma ação deste tipo. Não sei se quem o orienta escolheu o melhor caminho e confesso que o encontro para apresentação e reflexão realizado em 19 de janeiro em Castelo Branco concorreu para sedimentar a minha dúvida.

A primeira refere-se ao conceito de adaptação que tem sido assumido. Por adaptação às alterações climáticas visamos minimizar os seus efeitos dando como consumado o processo da mudança do clima. Assim sendo, desistimos da mitigação, conceito que se refere à atenuação ou eliminação das causas antropogénicas que conduzem às alterações do clima, através da redução das emissões de gases com efeito atmosférico de estufa. Ora, a mitigação das causas tem consequências nos efeitos que produzem e, claro, nas estratégias de adaptação a adotar.

Anualmente, estamos a aumentar a concentração desses gases em mais de duas partes por milhão em volume de ar. Mas, se o aumento for bastante menor, ou se inverter, o efeito produzido na atmosfera será diferente e diferentes serão as medidas de adaptação requeridas. E é nesse sentido que temos de nos bater e conseguir que o controverso acordo de Paris seja um quadro efetivo de contenção das emissões que produzem o aquecimento global.

Como método, preferia partir do conhecimento concreto da configuração dos riscos e das vulnerabilidades existentes na atualidade. Para que tal possa acontecer, necessitamos de construir uma verdadeira base de dados de fenómenos adversos e seus efeitos nas escalas concelhias, regionais/distritais e nacional.

A onda de calor é, sem dúvida, a causa das situações catastróficas mais repetidas e graves com que o país e o município albicastrense se confrontam na fase atual da evolução do clima.

Desde 1999 até hoje, vimos propondo a sua efetivação, não com base num histórico extraído da Comunicação Social mas com os critérios da Proteção Civil e das instituições científicas que com ela colaboram operacionalmente. Sem dados não há ciência e, sem dados dos efeitos e das vulnerabilidades, não há ciência de proteção civil.

Também insisto em que, metodologicamente, não podemos deixar-nos cair numa simples enunciação indicadora de medidas, sem a necessária hierarquização dos impactos gerados por cada um dos riscos. Ou seja, não os podemos tratar como se os efeitos merecessem o mesmo grau de preocupação e resposta. Chuva muito intensa de curta duração não tem, na esfera municipal albicastrense, as mesmas consequências que uma onda de calor com duas frentes de calamidade que pode originar a morte de dezenas de pessoas e a queima de centenas de hectares, senão mais.

Continuo a insistir. A onda de calor é, sem dúvida, a causa das situações catastróficas mais repetidas e graves com que o país e o município albicastrense se confrontam na fase atual da evolução do clima.

Entre 2003 e 2013, verificaram-se, no país, 6320 óbitos por exposição a calor extremo. Entre 29 de julho e 14 de agosto de 2003, ocorreram 110 óbitos excedentários no distrito de Castelo Branco, o que correspondeu a mais 80% do que o normal. Seria importante alargar (e aprofundar) o conhecimento dos dados relativos a 2006, 2009 e 2013 em que as ondas de calor foram de alta intensidade originando excedentes de mortalidade superiores a 1000 em cada um desses anos.

Com o conhecimento minucioso dos dados que definem a dimensão real do problema, ficaremos mais capazes de estabelecer planos de adaptação adequados aos efeitos expectáveis das alterações climáticas.

mcosta.alves@gmail.com

 

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