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As moedas virtuais: Um novo paradigma monetário I

Luis Beato Nunes - 31/08/2017 - 11:53

No passado mês de julho celebrou-se o sétimo aniversário da primeira moeda virtual quando um jovem programador, Laszlo Hanyecz, comprou duas pizzas por 10.000 Bitcoins, tendo esta sido a primeira transacção usando uma moeda sem existência física.
As duas pizzas, no valor de $30,00, foram compradas na Papa John’s Company, impulsionando a utilização de um novo tipo de moeda, cujo stock mundial não dependia da política monetária de qualquer banco central.
Poucos anos depois da primeira transacção, a Bitcoin passava a ser reconhecida como meio de pagamento no Japão, trazendo-lhe reconhecimento internacional e resultando numa valorização vertiginosa.
Nos últimos 7 anos, a Bitcoin passou de uma cotação de $0,03 (três cêntimos de dólar americano) para quase $4.400 (quatro mil em quatrocentos dólares americanos). As 10.000 Bitcoins pagas pelas duas pizzas em 2010 valem hoje mais de 44 milhões de dólares, tornando-as seguramente as pizas mais caras da história.
Uma das características únicas desta moeda é a sua escassez a longo-prazo, crescendo a uma taxa marginal decrescente, dependendo apenas dos próprios pagamentos globais usando esta moeda virtual. 
Assim, a regulação de um sistema monetário assente nesta moeda seria intrínseca ao sistema bancário e de pagamentos, sendo totalmente independente face aos Bancos Centrais actualmente emissores de moeda.     
Entre 2010 e 2012, com a crise financeira na Europa e nos EUA, a Bitcoin acabou por ser igualmente uma reserva de valor para muitos investidores, mitigando a incerteza associada à política monetária do Banco Central Europeu e da Reserva Federal, respectivamente.
Após a crise, e esperando-se uma correcção da moeda virtual face às principais divisas internacionais, esta valorizou-se ainda mais, beneficiando do seu stock limitado, da sua crescente utilização em pagamentos online e de crises cambiais em diversos países em desenvolvimento.  
Num recente artigo do The Guardian, «Digital Gold: Why hackers love Bitcoin», esta moeda é apelidada de “ouro virtual”, sendo a escolha preferida não apenas dos hackers, mas das transacções financeiras do crime organizado e da economia paralela, sobretudo pela facilidade de encobrir a sua origem.   
Especialmente devido a este lado mais obscuro, alguns autores alertam para os aspectos mais negativos deste meio de pagamento, desaconselhando o seu investimento devido à volatilidade e origem pouco transparente da procura desta moeda virtual.   
Outros especialistas destacam o efeito da especulação financeira na cotação deste meio de pagamento e a sua dependência excessiva face a decisões de política económica de países em desenvolvimento.
Nos últimos seis meses, a cotação desta moeda virtual voltou a disparar mais de 300% e no futuro nada garante que não possa desvalorizar vertiginosamente ou continuar a subir. As crises cambiais em vários países, como Angola, Venezuela, Rússia, ou o recente resultado do Brexit têm reforçado a Bitcoin como uma reserva de valor para os investidores internacionais.  
Para qualquer analista de mercados financeiros, o histórico de cotação da Bitcoin não revela quaisquer padrões ou tendências, respondendo antes a acontecimentos esporádicos com profundos impactos nas expectativas dos agentes económicos, reflectindo-se num mercado imprevisível, mas impressionantemente valorizado.
   
luis.beato.nunes@gmail.com

COMENTÁRIOS

João Morgado
Na semana passada
Bom dia
Temos agora esta notícia:

https://www.publico.pt/2017/09/13/tecnologia/noticia/bitcoin-em-queda-depois-de-ser-chamada-de-fraude-por-presidenteexecutivo-do-jp-morgan-1785287