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Igreja: Desde miúdo que Miguel queria ser padre

Agostinho Dias/Lídia Barata - 12/04/2018 - 8:00

Dez meses depois de ter recebido o diaconado, Miguel Coelho dá mais um passo na sua caminhada, com a ordenação como sacerdote.

 

Ordenação de Miguel Coelho como sacerdote é dia 21

O sonho de menino de Miguel Coelho está prestes a tornar-se realidade. O caminho nem sempre foi fácil, a vocação andou um pouco 'adormecida', mas a chama não se apagou. O sentimento foi-se reforçando, as dúvidas dissiparam-se e depois de ter sido ordenado diácono, a 17 de junho de 2017, na Sé Cocatedral de Castelo Branco, a ordenação sacerdotal está agendada para o dia 21 de abril, às 16H00, desta vez na Catedral de Portalegre. Ao Reconquista, Miguel Alexandre Batista Coelho, recorda este percurso de vida, que começou a 8 de setembro de 1979, em Torres Novas, quando nasceu. Mas o casal Maria José e Manuel Coelho, rumaram a Montalvo, no concelho de Constância, onde Miguel fez o Ensino Básico, até ao 4.º ano, pois o 5.º e 6.º foram feitos na Telescola. Do 7.º 9.º, estudou em Constância e ainda estudou mais um ano em Abrantes, mas depois parou. "Achei que os estudos não serviam para muito e comecei a trabalhar, numa fábrica de perfis metálicos, em Montalvo, durante 12 anos", recorda.

A ideia de ser padre "já vinha desde pequeno. Lembro-me de ir com seis anos para a Catequese e dizer que queria ser padre", mas "na fase da adolescência, continuei a estudar, mas a ideia foi-se, varreu-se. Mas nunca deixei de estar ligado às coisas da Igreja. Fiz o crisma em 1995, comecei a dar catequese e terminei os estudos no 10.º ano. Depois disso, trabalhei 12 anos numa fábrica". Apesar do caminho ser diferente do inicialmente traçado, "algumas vezes voltava a ideia de ser padre, mas como não tinha estudado, a ideia fugia de novo". Volvidos esses anos, "voltou a ideia de voltar a estudar e aproveitei as Novas Oportunidades para tirar o 12.º ano, à noite. Podia tê-lo feito antes, mas, como estava a trabalhar, não fiz. Ou não era a hora".

hora dos estudos não chegou sozinha, pois voltou acompanhada com a ideia do sacerdócio. "Com a oportunidade de terminar o 12.º ano, voltou aquela inquietação cá dentro. E pensava como seria. Vou ou não vou? Será isto ou não será?", lembra, revelando que se informou do que era preciso para entrar no seminário e lá comprou os livros necessários para o exame nacional, que tinha de ser português ou história. Preparou-se sozinho em casa, fez o exame e passou. "Entretanto já tinha conversado com o padre Emanuel e em 2008 fiz a semana de verão no seminário, onde contactamos com as rotinas, com a forma de estar e de viver ali", o que ajudou a reforçar a sua convicção de que era este o caminho. Em novembro de 2009 até junho de 2010 fez o pré-seminário e em 2010/2011 fez o ano propedêutico no Seminário de Caparide, tendo depois entrado na Universidade Católica de Lisboa, onde fez Teologia. "Não era bem uma incerteza que tinha quanto ao desejo de ser padre. Sentia que era chamado a qualquer coisa, mas tinha muitas dúvidas sobre o eu ser capaz. Eu, que tinha deixado os estudos no 10.º ano, que tinha tirado o 12.º nas Novas Oportunidades, e a dúvida era como seria a universidade, o Latim, o Grego, o pouco que sabia de Inglês, não sabia se estava à altura do desafio, mas depois veio a provar-se que tinha mais capacidades do que as que pensava. E Deus também deu uma ajuda". Na entrada do propedêutico ainda duvidava das suas capacidades, mas "depois tudo se foi acertando cá dentro e percebi que eram apenas receios da minha cabeça", pois "quando queremos algo, quando gostámos, tudo se torna mais fácil e é a isto que se chama vocação".

A vocação é essencial, mas é preciso estar atento, pois "cada caso é um caso e cada um que é chamado, é chamado de formas diversas", pelo que aconselha a quem tem dúvidas "que se esclareça e converse com alguém que entenda, perceba e possa ajudar". Refere que "há casos de jovens que são influenciados pelos pais e isso não é uma vocação, pelo que no seminário acabaram por perceber que não é aquele o caminho. Outros vão com incertezas e acabam por se perder, pelo que o mais importante é aconselha-se com quem possa orientar e esclarecer as dúvidas". Mas a vocação "identifica-se facilmente, pela forma de ser, de estar, de pensar, tudo são indícios vocacionais". Hoje "assistimos a algumas vocações tardias, depois da universidade, não escolhem o seminário como alternativa, mas com decisões mais amadurecidas e com acompanhamento".

A aceitação da família foi outra etapa, pois ao fim de 12 anos como trabalhador e independente "ninguém estava à espera". Recorda que foi no Natal de 2009 deu a notícia. "O meu irmão já sabia, mas o meu pai disse logo: 'comigo não contes'. A minha mãe calou-se, ficando nessa dúvida até que saiu o exame nacional. No primeiro dia que fui para o seminário, o meu irmão foi-me levar, o meu pai estava na Suíça, era emigrante, e pedi à minha mãe para me fazer a cama, para ver se ela ficava mais conformada. Hoje, passados sete anos, estão muito agraciados com o meu percurso", refere. Os amigos, a população, estiveram com ele desde início e só passou do Miguel operário ao Miguel sacerdote.

DIOCESE Questionado como se vê a exercer o sacerdócio numa diocese com um clero envelhecido, Miguel Coelho diz partilhar da ideia do bispo diocesano, D. Antonino Dias, de que "Deus dá o que precisamos. Se neste momento a Igreja diocesana está assim, também pode ser um sinal para o povo de Deus de que algo se passa". Na sua opinião, "hoje, muita da falta de vocação deve-se à forma como as famílias educam os seus filhos. Há tempo para tudo, menos para Deus. E muitos vivem a sua fé escondida, sem o demonstrem aos filhos. E estes crescem sem saber quem é Deus, sem saber que os pais têm fé. É uma fé imatura, pois só mais tarde, mais velhos, regressam à Igreja".

Já a experiência na zona pastoral de Alcains, "vem muito de encontro daquilo que eu sempre quis ser, um pastor próximo, que esteja com as pessoas, que converse, que procure, que visite". Reconhece que "a falta de sacerdotes limita em termos de tempo, mas mesmo como diácono, é o que tento ser e fazer. É na comunidade de Alcains onde passo a maior parte do tempo e ando na rua, que vou ao café, que converso, tentando mostrar que o padre não está ali só para dizer a missa e ninguém mais o vê". Além deste contacto com a comunidade, "para concretizar este ideal de ser padre, a relação com Deus também é fundamental, porque se esta não existir, não O poderei levar aos outros. Quando estou no altar, nas homilias que faço, tento sempre ser autêntico no que digo e proponho. Tendo este alicerce que é Deus, ele acompanha-nos em tudo e é isso que tento dizer às pessoas, que temos de ver Deus como um cajado, que vai lado a lado connosco e nos ajuda a caminhar, pois muitos veem Deus como vingador, que castiga".

Para Miguel Coelho, o importante é ser genuíno. "Gosto de dançar, andei numa filarmónica, fiz teatro e tudo isso nunca me impediu de ser cristão praticante, ser catequista e chegar até aqui. Hoje essas atividades não são tão presentes, porque o tempo é requerido para outra missão, mas o importante é que o padre seja coerente e viva de acordo com aquilo que prega", sublinha.

Ordenação é dia 21 de abril às 16H00, na Sé de Portalegre, antecedida, dia 20 de abril, às 21H00, pela Vigília de Oração, no Seminário de Alcains. Missa nova em Montalvo dia 6 de maio, às 16H00 e a missa nova de Alcains, dia 13 de maio, às 17H00.

COMENTÁRIOS

Maria José Macedo Simão
Na semana passada
Meu amigo Miguel tenho muita pena não poder estar presente em alguma destas datas mas acredite que estarei com o meu amigo . Um bjinho e as maiores felicidades !
Conceição
Na semana passada
Nesta semana das vocações peçamos ao Senhor muitos e Santos Sacerdotes pois a Messe é grande e os trabalhadores são poucos. Que o Senhor seja sempre presença viva na sua vida Padre Miguel Coelho
Fernando Gaspar
7 Dias atrás
Grande Miguel é com muita pena nossa que não podemos estar presentes para mais um capitulo da tua caminhada. Espero que corra tudo bem. Um abraço e beijinho Fernando et Albertina.