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José Henriques: “Orçamento triplicou, mas o subsídio é o mesmo”

Artur Jorge - 26/05/2018 - 16:16

“Não é um adeus. É mais um até já”. A expressão pertence a José Henriques, presidente da Associação da Boa Esperança, no momento em que passou a pasta a Rui Esteves.

José Henriques não perdeu o sonho de ver a Boa Esperança um dia na 1.ª divisão nacional de futsal

“Não é um adeus. É mais um até já”. A expressão pertence a José Henriques, presidente da Associação da Boa Esperança nos últimos quatro anos, no momento em que passou a pasta a Rui Esteves. O novo líder diretivo foi eleito no final da última semana e representa a linha da continuidade.

José Henriques sai com o sentimento de dever cumprido. Elenca, numa entrevista ao nosso jornal, o “crescimento exponencial” da BBE desde que assumiu os seus destinos e leva como grande lamento “a pouca sensibilidade que houve a nível oficial” para alavancar o passo em frente: atacar a subida à 1.ª divisão como um objetivo.

A que se deve esta saída?

- “A nível particular, com o nascimento de um filho e com outro a caminho, deixo de ter a disponibilidade necessária para poder corresponder às exigências do associativismo. É a falta de tempo que me impede de dar à Boa Esperança aquilo que ela merece e precisa. No início deste último mandato, fui preparando os meus colegas de direção para esta decisão. Foram quatro anos como presidente e oito de clube”.

A BBE cresceu muito…

- “Quando assumi a presidência, a Boa Esperança já era uma instituição com muitos anos e uma história bonita. Mas no momento em que saio, a responsabilidade e a exigência de dirigi-la são muito maiores. Envolve mais dinheiro, mais pessoas, mais atividades. Quando iniciei funções, existiam duas equipas: a principal e uma de iniciados. Há luz de regulamentos da altura, em que as equipas dos nacionais eram obrigadas a ter os escalões de formação, e da entrada em cena de Ricardo Lourinho e Rui Custódio, pessoas com um dinamismo enorme, foi criada a academia de futsal. Passamos de 14 miúdos para 150. E de duas equipas para 10. Somos um dos clubes do país com mais atletas federados. Outro aspeto: em 2013/2014, o orçamento da Boa Esperança rondava os 35 mil euros. Hoje já ultrapassa os 110 mil. Três vezes mais e sem qualquer aumento por parte dos apoios provenientes da Câmara e da Junta. Houve um trabalho árduo em reunir outros apoios e criar fontes de receita”.

A BBE recebe 25 mil euros época da autarquia?

- “Sim. Um valor imutável desde, pelo menos, há oito anos. É a maior mágoa que levo. Para além das questões pessoais que me levaram a sair, esta também teve influência. Constatar que o trabalho árduo que foi realizado, não teve o reconhecimento que gostávamos de ter visto refletido”.

Não houve, por assim dizer, a ‘injeção’ necessária para catapultar o futsal de Castelo Branco a outros voos?

- “A boa Esperança corre o risco de a curto ou médio prazo oscilar desportivamente entre os nacionais e os distritais, como acontece com outras representações desta zona. Os clubes à nossa volta estão a ter um investimento significativo nas chamadas modalidades de pavilhão, nomeadamente no futsal. Subiram à 1.ª divisão Ponte de Sor e Viseu, cidades de alguma proximidade geográfica. Vemos um Cariense que está há quatro anos na 2.ª divisão e já está preparar uma aposta mais ambiciosa. A Câmara de Belmonte já assumiu um investimento maior para dar o salto. Inclusivamente, o Ladoeiro tem um apoio da Câmara de Idanha-a-Nova superior ao nosso. A Boa Esperança tem uma estrutura montada, uma boa estrutura, e uma experiência que nenhuma outra tem. Estas valências poderiam ser aproveitadas para, daqui a amanhã, termos em Castelo Branco uma equipa de 1.ª divisão de uma modalidade que é campeã da Europa, a segunda mais praticada e com um mediatismo de cobertura de televisão e jornais muito grande. Parece-me que há falta de sensibilidade para aproveitar esta janela de oportunidade.”

Fala em falta de sensibilidade…

- “Sim. Não vejo sensibilidade ao nível da política desportiva para potenciar valências que existem. Reconheço que haverá dificuldades em gerir todos os pedidos e vontades. O que é certo é que a visibilidade que se extrai do desporto é maior que em qualquer outra área. Veja o caso do Fundão. É conhecido pela cereja e pela equipa de futsal. Aparece em todos o lado”.

A ação do seu legado extravasou a quadra de jogo. Falo em iniciativas transversais à competição.

- “Precisamente. Há outros pequenos projetos que demonstram a quem de direito que aquilo não é só dar pontapés na bola. Lançámos um ciclo de sessões onde já estiveram Carlos Xistra e Joel Rocha. Vamos ter o selecionador Jorge Braz, José Luís e a Mónica Jorge para falar no feminino. Criámos a Escola de Guarda-redes César Bento, equipas B…”.

Futuramente, o José Henriques alimentará ambições no dirigismo?

- “Neste momento, a minha convicção é que se um dia regressar a BBE será prioritária. Existe um sonho: coloca-la um dia na 1.ª divisão. Se não puder ser o Rui Esteves a fazê-lo, gostaria de um dia ter a oportunidade de concretizar esse sonho. Mas não fecho as portas a outros projetos ao nível do dirigismo desportivo no concelho”.

 

 

O QUE FICOU POR FAZER

“Há um projeto de recuperação da sede e do ringue”

O que ficou por fazer? Indagámos José Henriques: “Há um projeto muito interessante de recuperação da sede e do ringue desportivo. Está conversado com a Câmara mas são processos que demoram tempo até entrarem em orçamento. Será, com toda a certeza, uma mais-valia para a associação e para o bairro. Os mais pequenos passariam para ali e o pavilhão, que está asfixiado nos horários, ficaria mais liberto. São ideias que estão a correr e que merecem, acho eu, um bocadinho mais de carinho para que possam ser realidade”.

BENFICA José Henriques vai continuar a auxiliar a estrutura diretiva na planificação da nova temporada, desde a constituição do plantel ao torneio nacional em agosto. O presidente que cessou funções deixa a garantia do regresso do SL Benfica a Castelo Branco.

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