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Cata-Ventos: Mais tópicos para debate eleitoral (II)

Costa Alves - 07/09/2017 - 8:30

EFEITOS PÓS-INCÊNDIOS FLORESTAIS. São preocupantes as consequências antevisíveis quando começar a próxima época chuvosa – e já tivemos um aviso na semana passada nas regiões de Coimbra e Lisboa. Se for muito ou normalmente pluviosa, e consoante a tipologia da precipitação e a sua distribuição espacial e temporal, teremos de enfrentar os efeitos do arrastamento de solos e de diversos materiais que os fogos fizeram depositar. Também teremos de considerar as vias de diferente escoamento que podem originar inundações rápidas e situações novas de emergência de proteção civil. Igualmente de considerar o transporte de poluentes para os cursos de água e albufeiras. Não quererão estudar técnica e politicamente este risco e pronunciar-se sobre ele?

HÁ FESTA NO CAMPO. Há intervenções que abrem caminhos neste longínquo Interior tão sofrido e carente de perspetivas de futuro. Se o leitor não conhece o que os grupos de intervenção comunitária “Há Festa no Campo” e “EcoGerminar”  fizeram nas hoje chamadas “aldeias artísticas” de Juncal do Campo, Freixial do Campo, Barbaído e Chão da Vã não se perca na demora. Pinturas murais, oficinas de costura e de fotografia, assembleias comunitárias, mercados de artesanato, gastronomia local e, até, o “O Jornal das Aldeias” que é distribuído como suplemento deste nosso semanário. Foram três anos de muito trabalho com financiamento da Fundação Gulbenkian que cessou no final de 2016. Financiamento, por princípio, não renovável prevendo que, após o arranque, estas iniciativas obtenham os apoios regionais necessários para continuar. Pergunto aos candidatos às eleições em Castelo Branco: querem debater projetos desta natureza (e de outra) para as nossas aldeias? Querem que a CMCB os apoie? Querem enfrentar a morte das aldeias com propostas e práticas de resistência ao despovoamento e ao esquecimento respondendo com novas formas de estar, produzir e consumir? 


ALBUFEIRA DE SANTA ÁGUEDA/ MARATECA. Não podia deixar de desafiar os candidatos eleitorais a este respeito. Bem sei que houve dois partidos que tiveram alguma iniciativa através dos respetivos grupos parlamentares na AR. Mas, sem a iniciativa cidadã, o assunto não existia. Seria mais um crime ambiental a passar sem ser conhecido. Está em causa a qualidade futura da água consumida por mais de 70 mil pessoas. 
À sua escala e com as suas particularidades, a situação da albufeira de Santa Águeda é comparável com o que fizemos e não fizemos nas florestas. Neste caso, temos crescente eutrofização das águas retidas pela barragem no Ocreza; a causa mais antiga está nas descargas das ETAR que não removem fósforo. Além disso, está em risco ainda maior após a implantação de um cerejal na zona de proteção de 500 metros. Utilização de pesticidas, mobilização de terras e devastação da zona de proteção total de 50 metros são práticas lesivas que o Estado tem permitido. 
Se a democracia não fosse tão pobre e a vida partidária tão fechada e rotineira, o assunto já teria merecido intervenção e debate público promovidos pelas suas estruturas locais. Evitar-me-ia este tópico, aliás insistentemente apresentado pela Plataforma (cívica) de Defesa da Albufeira. Então, impõe-se perguntar aos candidatos: que tem feito, e deve fazer, o governo municipal quando a administração central do Estado não cumpre a sua função (ou a cumpre mal) no território concelhio? Não a criticar nem exigir que a cumpra? Não exercer o seu poder de influência? 


mcosta.alves@gmail.com

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EFEITOS PÓS-INCÊNDIOS FLORESTAIS. São preocupantes as consequências antevisíveis quando começar a próxima época chuvosa – e já tivemos um aviso na semana passada nas regiões de Coimbra e Lisboa. Se for muito ou normalmente pluviosa, e consoante a tipologia da precipitação e a sua distribuição espacial e temporal, teremos de enfrentar os efeitos do arrastamento de solos e de diversos materiais que os fogos fizeram depositar. Também teremos de considerar as vias de diferente escoamento que podem originar inundações rápidas e situações novas de emergência de proteção civil. Igualmente de considerar o transporte de poluentes para os cursos de água e albufeiras. Não quererão estudar técnica e politicamente este risco e pronunciar-se sobre ele?

HÁ FESTA NO CAMPO. Há intervenções que abrem caminhos neste longínquo Interior tão sofrido e carente de perspetivas de futuro. Se o leitor não conhece o que os grupos de intervenção comunitária “Há Festa no Campo” e “EcoGerminar”  fizeram nas hoje chamadas “aldeias artísticas” de Juncal do Campo, Freixial do Campo, Barbaído e Chão da Vã não se perca na demora. Pinturas murais, oficinas de costura e de fotografia, assembleias comunitárias, mercados de artesanato, gastronomia local e, até, o “O Jornal das Aldeias” que é distribuído como suplemento deste nosso semanário. Foram três anos de muito trabalho com financiamento da Fundação Gulbenkian que cessou no final de 2016. Financiamento, por princípio, não renovável prevendo que, após o arranque, estas iniciativas obtenham os apoios regionais necessários para continuar. Pergunto aos candidatos às eleições em Castelo Branco: querem debater projetos desta natureza (e de outra) para as nossas aldeias? Querem que a CMCB os apoie? Querem enfrentar a morte das aldeias com propostas e práticas de resistência ao despovoamento e ao esquecimento respondendo com novas formas de estar, produzir e consumir? 


ALBUFEIRA DE SANTA ÁGUEDA/ MARATECA. Não podia deixar de desafiar os candidatos eleitorais a este respeito. Bem sei que houve dois partidos que tiveram alguma iniciativa através dos respetivos grupos parlamentares na AR. Mas, sem a iniciativa cidadã, o assunto não existia. Seria mais um crime ambiental a passar sem ser conhecido. Está em causa a qualidade futura da água consumida por mais de 70 mil pessoas. 
À sua escala e com as suas particularidades, a situação da albufeira de Santa Águeda é comparável com o que fizemos e não fizemos nas florestas. Neste caso, temos crescente eutrofização das águas retidas pela barragem no Ocreza; a causa mais antiga está nas descargas das ETAR que não removem fósforo. Além disso, está em risco ainda maior após a implantação de um cerejal na zona de proteção de 500 metros. Utilização de pesticidas, mobilização de terras e devastação da zona de proteção total de 50 metros são práticas lesivas que o Estado tem permitido. 
Se a democracia não fosse tão pobre e a vida partidária tão fechada e rotineira, o assunto já teria merecido intervenção e debate público promovidos pelas suas estruturas locais. Evitar-me-ia este tópico, aliás insistentemente apresentado pela Plataforma (cívica) de Defesa da Albufeira. Então, impõe-se perguntar aos candidatos: que tem feito, e deve fazer, o governo municipal quando a administração central do Estado não cumpre a sua função (ou a cumpre mal) no território concelhio? Não a criticar nem exigir que a cumpra? Não exercer o seu poder de influência? 


mcosta.alves@gmail.com

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