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Ensinar o espírito crítico

Mário Freire - 30/11/2017 - 9:41

Vivemos hoje numa sociedade em que a capacidade de julgar está muito aguçada. Critica-se este e aquele ou isto e aquilo com base em preconceitos ou primeiras impressões. Por outro lado, as redes sociais são um óptimo veículo para expressar o que pensamos sobre algo ou alguém. E se o crítico, não tendo a coragem de assumir o que afirma, se se refugia no anonimato para tecer as suas considerações, estas tendem a ser indecorosas e malévolas. Ora, tudo isto pode passar-se dentro da família. E os filhos adolescentes normalmente percebem quando se ultrapassam as regras da decência. Claro que há pais que tentam ensinar aos filhos o exercício da crítica, isto é, do julgamento do mérito, seja ele de natureza intelectual, estética ou moral, baseado em factos ou argumentos considerados válidos.
Jérôme Grondeux é um historiador mas, também, um professor de Ciência Política. Ele propõe que a formação de um espírito crítico na criança e no adolescente seja uma componente fundamental da educação, tanto mais que o mundo virtual em que mergulhamos nos invade com informações ou argumentos total ou parcialmente falsos. E estes podem manipular-nos, podem conduzir-nos a comportamentos indesejáveis, fazer de nós simples objectos, quase marionetas ao serviço de interesses, por vezes, nem sempre bem identificados.
Grondeux enuncia, então, algumas atitudes que deveriam ser tomadas em consideração pelos educadores e, depois, exercitadas pelos seus educandos. Destacaria três dessas atitudes: o conhecimento, a modéstia e a escuta.
Quem poderá ter um espírito crítico num domínio que ignora? Em boa verdade, ele só poderá traduzir-se na abstenção de qualquer julgamento. Os pais, ao incentivarem os filhos a estudar mas, também, a darem atenção à realidade envolvente, aos acontecimentos que têm lugar no país e no mundo, estão a proporcionar-lhes que sejam pessoas mais capazes de formularem juízos críticos.
Por sua vez, deverá incutir-se na criança e no adolescente que não sabemos tudo e que o ouvir aqueles que mais sabem pode ajudar-nos a formular julgamentos mais correctos. Além disso, os filhos confrontarem as suas opiniões, os seus argumentos com os dos outros, ouvindo-os, auxilia-os a ver melhor uma realidade e a perceberem de que nem sempre aquilo que julgam ser certo, na verdade o é. Esta prática na família, a escuta recíproca entre pais e filhos, ajuda o adolescente, que já tem um raciocínio lógico suficiente para entender os diferentes argumentos em jogo, a adquirir uma maturidade capaz de elaborar um espírito crítico.
Procurar desenvolver o espírito crítico nos filhos é torná-los mais autónomos e com maior capacidade de intervir construtivamente na sociedade. 
freiremr98@gmail.com

COMENTÁRIOS

Afonso
Na semana passada
Lourd travail, et commencer d'abord par les enseignants....