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Taizé: Jovens em busca da fonte de vida

Lídia Barata - 12/10/2017 - 8:00

Castelo Branco acolheu, de 6 a 8 de outubro, o Encontro Diocesano de Taizé, que se juntaram a famílias de acolhimento, pessoas diferentes, mas com uma coisa em comum, a fé. 

Um dos workshops foi no jornal Reconquista

Castelo Branco acolheu, de 6 a 8 de outubro, o Encontro Diocesano de Taizé (comunidade que engloba todos os ramos protestantes e católicos da cristandade, fundada na segunda guerra mundial para acolher refugiados em França. Este encontro contou com a participação de jovens da Diocese, entre os 15 e os 30 anos, que influenciados pelo pedido que Jesus fez a Abraão: “Sai da tua terra, deixa a tua família e a casa do teu pai, e vai para a terra que Eu te mostrar” se juntaram a famílias de acolhimento, pessoas diferentes, mas com uma coisa em comum, a fé. Os jovens tiveram assim uma oportunidade de conviver, dialogar, orar, ouvir testemunhos vocacionais e participar em workshops, terminando o encontro com uma missa na Sé Cocatedral de Castelo Branco. A iniciativa teve como objetivo incentivar a comunicação de forma a cumprir o pedido do Papa Francisco: “A Igreja quer ouvir a voz dos jovens, perceber os seus sentimentos, a sua fé, as dúvidas e as críticas". Foi deste modo que Rita Santos, de Castelo Branco, resumiu para o jornal estes dias. Foi a primeira vez que participou num encontro destes porque "gostava de saber como é a experiência da oração de Taizé, como é conviver com pessoas que não são da mesma cidade e aumentar um pouco mais a fé". Rita estava em casa, mas sente-se preparada para repetir a experiência fora de portas, pois "valeu muito a pena participar nesta iniciativa. A oração de Taizé é uma experiência reconfortante, que todos deveriam ter".

Madalena Santana veio de Portalegre e por isso, foi acolhida por uma família em Castelo Branco. "Esta foi uma experiência nova, porque nos encontros anteriores fomos acolhidos pela organização, ou em espaços preparados para o efeito, mas aqui foi diferente e como outros jovens já referiram, houve uma ansiedade inicial de sabermos onde e com quem ficávamos, mas também ansiedade por parte das famílias, que nos receberam super bem e trataram-nos como reis", testemunhou. Sendo esta a Pastoral da Juventude e Vocações, "começamos nos 15 anos e esta pode ser uma das primeiras vezes que alguns jovens saem de casa, mas aqui sentiram-se acolhidos por esta segunda família". Madalena considera importante que a comunidade se envolva também nestas atividades, pois é uma experiência que pode abrir portas até a outros jovens que ainda não conhecem estes encontros.

Acolhimento foi o que fez o casal Maria José e Edgar Vaz, que receberam três jovens em sua casa. "Foi muito gratificante, pois pudemos participar nas atividades deles e fizemos tudo para se sentirem bem nestes dias entre nós e se sentissem um pouco mais felizes. Eles vinham de uma casa de crianças e jovens com problemas familiares e, nesse sentido, tentamos dar-lhes um ambiente mais acolhedor, com mais atenção e mais amor do que têm no seu dia a dia. Foi muito gratificante sentir que lhe pudemos dar isso e que eles sentiram. E muito enriquecedor para nós", relatam, sublinhando que "vieram encontrar outros jovens, mas também uma família". Uma ligação que vai ficar, pois já há planos para novas visitas. "Nós ganhámos mais do que eles, porque a lição que tiramos é tão grande para as nossas vidas que nos fez diferentes e vamos partilhar isso com as nossas filhas", pelo que aconselham outras famílias que tenham esta disponibilidade a fazer a experiência, pois para tal "basta confiar". Partilhar esta experiência com os jovens, "este espírito de Taizé e partilhar com eles uma realidade que muitas vezes desconhecemos, porque eles vêm de um meio onde há jovens provenientes de muitos extratos sociais, de famílias desestruturadas por várias razões, fez-nos sentir o quão somos abençoados por Deus, principalmente porque temos uma família que pôde dar condições adequadas às nossas filhas. Mas neste encontro pudemos também dar um pouco dessa felicidade, alguma estabilidade e mostrar-lhes alguns objetivos que eles podem ter na vida deles, porque uma vida sem amor e sem estabilidade não pode ser feliz".

Balanço positivo é também o que faz o padre Nuno Silva, responsável pelo Secretariado Diocesano da Juventude e Vocações da Diocese de Portalegre e Castelo Branco. "Tudo o que seja juntar jovens para escutar a voz de Deus e para se deixarem desafiar, e às vezes surpreender, no que é a Igreja, é sempre positivo", afirma, mostrando-se também satisfeito com este regresso "a casa", a Castelo Branco, onde estes encontros se iniciaram em 2013. "Passamos pelos vários arciprestados e agora voltamos a casa. Fizemos algumas mudanças, pequenas alterações. No último encontro vivíamos a partir do espírito, 'Guiados pela alegria de Taizé', mas este ano queríamos viver de forma festiva, mas que os jovens não vivessem só da festa, mas que sentissem que Jesus é fonte de vida, daí o tema 'Tu és fonte de vida', o mote para os próximos anos deste encontro diocesano de Taizé", explica.

Lembra que o esquema antigo era virado para a festa da juventude. Na tarde de sábado, o grande dia, os jovens estavam numa sala onde os vários movimentos da Diocese "vendiam" a sua alegria, numa banca, com cartões, cantavam, faziam jogos e os jovens participavam dessa feira. Passados cinco anos foi preciso inovar, porque os jovens são mais exigentes. "Era mais fácil sair dos testemunhos vocacionais, um dos momentos mais importantes deste encontro, onde há um sacerdote, uma irmã religiosa e uma família cristã que dão testemunho da sua vocação e depois irem para um sítio onde pudessem saltar, cantar, fazer jogos. Mas desta vez, depois daqueles minutos em cadeira, saíram para a cidade, onde andaram a pé, para virem ao Reconquista, para o workshop da Comunicação, ou até à Junta, para o workshop da Política e da Fé, ou até à Cáritas, para o workshop do Voluntariado, ou ficar em Santiago, a viver o workshop da Música. Desafios diferentes, mas mais exigentes e foi uma aposta ganha", reitera, lembrando que o Papa tem dito que "a Igreja têm de sair e os jovens têm de ser recolocados no centro, não por eles, mas por serem o rosto de Jesus Cristo e poder levá-lo ao seu grupo familiar, dos amigos, da escola. Não é fácil, mas também é belo, porque vão conhecer outras pessoas, mais alegria, conhecer uma igreja que pode ser um pouco mais crescida, mais sossegada na sociedade, mas que também tem uma alegria para partilhar. E é sempre bom voltar a casa, onde bebemos de uma água que nos leva depois a sair e a partilhar da alegria quando vamos ao encontro de outras casas. Somos do mundo, temos a nossa casa, mas facilmente nos adaptamos a outras casas, a outras realidades, a outras experiências de fé e outras perspetivas. Queremos partilhar e dizer que Jesus está vivo e queremos dar a conhecer este ideal do amor, que é o que Jesus faria e faz a cada dia".

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