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Arquivo: Edição de 25-06-2009

SECÇÃO: Sociedade

Ordem homenageou médicos com 25 anos de serviço

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Novo Código protege doentes e médicos

Prolongar a vida para fazer o doente sofrer é algo que o presidente da delegação distrital da Ordem dos Médicos acredita que ninguém faz, dai defender que “antes da eutanásia, devem discutir-se os contornos da distanásia”.

Por: Lídia Barata

25 de Junho de 2009 às 12:27h

As alterações ao Código Deontológico dos médicos deram mote a uma reflexão promovida, dia 16 de Junho, na Delegação de Castelo Branco da Ordem dos Médicos, data em que esta mesma estrutura homenageou os profissionais que completaram 25 anos de serviço.

Ernesto Rocha, presidente da delegação, explica que esta homenagem aos médicos que completam 25 e 50 anos de profissão é uma das actividades que esta delegação mantém já há uma década, a par da recepção aos novos médicos, que é realizada no início de cada ano.

Dada a importância do assunto e a sua actualidade, este ano, na sessão de homenagens, destacaram-se as alterações ao Código Deontológico. “O anterior (elaborado por Gentil Martins) era aceite por todos, até porque não havia mais nenhum, mas em 35 anos a medicina evoluiu muito e este documento também tinha de ser adaptado às novas realidades”, explica Ernesto Rocha, esclarecendo que “se o anterior Código não tinha força regulamentar, este foi aprovado e publicado em Diário da República, como lei”.

A grande mudança para o nefrologista é o facto de “o novo Código ver o médico também como homem, como cidadão, permitindo as suas objecções de consciência”.

Quando questionado sobre o testamento vital e uma possível “forma camuflada de eutanásia”, como já alguns lhe chamaram, Ernesto Rocha afirma peremptoriamente que é “contra a distanásia”, defendendo “um forte investimento em cuidados paliativos, para que todo o ser humano possa ter uma morte digna e honrosa”.

E exemplifica. “Eu não prescrevo analgésicos aos meus doentes para tomarem em SOS. Eu prescrevo a medicação para que eles não tenham dores e isso sim é fazer um tratamento paliativo”. E, refere, “o novo Código também prevê que as novas tecnologias sejam usadas para minimizar o sofrimento de cada um”.

Mas de uma coisa está certo, “primeiro que tudo, o médico deve preservar a vida humana, vida essa que começa com a união do espermatozóide com o óvulo e só termina quando há descerebração. E se a vida dura 30, 50 ou 70 anos, é indiferente, porque dure o tempo que durar, a pessoa tem direito a uma dignidade em vida, mas também na morte”. Assim, “antes de se discutir a eutanásia, temos de discutir a distanásia, pois não acredito que haja algum médico que prolongue a vida para fazer sofrer o doente”.

Ernesto Rocha sublinha ainda que “a medicina melhorou muito em Portugal, desde o 25 de Abril”, mas tal não significa que não tenha de se melhorar a resposta do Serviço Nacional de Saúde. “A passagem dos hospitais a EPE não significa que todos tenham de contratualizar todos os serviços, devendo sim, além dos serviços básicos em todos os hospitais (Medicina, Cirurgia, Obstetrícia e Pediatria), desenvolver valências e especialidades que servissem a região (como a Nefrologia do HAL, que serve a Guarda e Portalegre) e funcionassem em complementaridade”, acrescenta Ernesto Rocha, lamentando que o projecto de criação do grande Centro Hospitalar da Beira Interior não tenha avançado.

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