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Arquivo: Edição de 16-07-2009

SECÇÃO: Cultura

Castelo Branco em páginas soltas

A economia local no século XVIII (1)

Por João Marinho dos Santos

16 de Julh de 2009 às 12:29h

Dissemos, em notícia anterior, que, tanto na zona do “campo” albicastrense, como até na da “charneca”, os cereais (trigo, centeio e milho) afirmaram-se, no século XVIII (e, obviamente, já antes), como produções dominantes, com relevo para a do centeio. Porém, por razões várias, a instabilidade cerealífera era manifesta, a ponto de haver anos que exigiam o recurso à importação do “pão”, ou seja, de grãos e farinhas, independentemente da sua natureza.

Enquanto o trigo e o centeio marcavam presença, com maior ou menor intensidade, um pouco por todo o território que hoje integra o concelho albicastrense, já os milhos (com destaque para o “grosso” ou “maiz”) impunham-se nas freguesias de Castelo Branco, Alcains, Cafede, Escalos de Baixo e de Cima, Louriçal, Póvoa de Rio de Moinhos, Salgueiro, Sobral do Campo, Almaceda e Sarzedas, ou seja, em espaços onde a rede hidrográfica (com as suas margens cultiváveis) mais se adensava.

O feijão (nas suas variedades), em “folhas mistas ou separadas” (leia-se, isolado em leiras ou misturado com outras culturas), tendia a acompanhar o habitat do milho, ainda que o “feijão preto” (também designado, então, “feijão frade” ou “feijão pequeno”) se adaptasse a solos relativamente secos e pobres.

Como é sabido, a castanha era um sucedâneo dos cereais, podendo compensá-los, portanto, em territórios mais fragosos, como eram (são) os das freguesias charnequeiras de Sarzedas, Almaceda, Louriçal do Campo e São Vicente da Beira, ou seja, por onde se distendem as abas das serras do Moradal e da Gardunha na parte meridional.

A oliveira já era uma espécie arbórea apreciada e protegida, devido ao azeite (por regra, de qualidade, mesmo que não fosse certificado em feiras da especialidade), pelo que, sob a forma da propriedade designada “chão”, ela envolvia, com frequência, os aglomerados populacionais do actual concelho de Castelo Branco.

Pelo que acaba de ser, sumariamente, exposto, é fácil concluir que a economia local estava então, muito orientada para a subsistência das populações, sendo poucos os excedentes agrícolas que se orientavam para o mercado. Continuaremos a explicitar e a justificar em próximas “Páginas Soltas”.

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