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Arquivo: Edição de 13-08-2009

SECÇÃO: Castelo Branco

Projecto pioneiro em Castelo Branco

Ler os negros para interpretar o comportamento dos incêndios florestais

Depois do incêndio é necessário ir para o terreno e interpretar como foi o seu comportamento. O Comando Distrital de Operações de Socorro/ANPC de Castelo Branco desenvolve um projecto pioneiro para criar um histórico dos incêndios e retirar lições com a experiência adquirida ao longo dos anos.

Por: Cristina Mota Saraiva

13 de Agosto de 2009 às 15:44h

A forma como o fogo evolui, o comportamento da combustão e as consequências que daí advêm são os pontos de partida de um trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por José Cruz, adjunto de comando dos Bombeiros Voluntários de Castelo Branco.

Este trabalho, que nada tem a ver com a investigação das causas dos incêndios, competência da GNR e Policia Judiciária e há já algum tempo que vinha a ser desenvolvido no Concelho de Castelo Branco, mas o Comando Distrital de Operações de Socorro – CDOS de Castelo Branco, considerou ser pertinente e útil a sua expansão a todo o Distrito.

Como foi o caso que Reconquista acompanhou, perto do Ladoeiro. Um incêndio registado a 29 de Julho e cujo alerta foi dado às 18H00. Fomos ao terreno perceber o trabalho desenvolvido por José Cruz e qual é, em termos práticos, a sua finalidade.

Foi preciso levantar bem cedo e depressa notámos que o tempo prometia chuva. E não tardou que viesse. Mas, chegados ao local, parou e foi possível fazer o início do percurso, em torno da área ardida, sem molha.

“A ideia é perceber o comportamento do fogo e se o trabalho feito no combate foi o mais correcto. Daqui tiramos informações que podem vir a ser úteis de futuro”, refere José Cruz.

É que ao existir um histórico dos diversos incêndios vão sendo retiradas ilações para, de futuro, poderem ser aplicadas em situações análogas.

Logo de início, pode tentar-se determinar a zona de origem da eclosão e seguir até à parte mais intensa da combustão. Mas, também pode não ser assim e começar em qualquer ponto do terreno para, no final se chegar então à conclusão onde tudo teve o seu início.

Segundo José Cruz, muitas vezes é difícil determinar o ponto exacto da ignição, como foi o caso. Mas a zona de início é sempre assinalada e no Ladoeiro foi o que aconteceu.

Por outro lado foi fácil verificar uma zona mais branca, no meio de todo o negro. O que era aquilo? “Devia ser uma zona de muito combustível, que ficou durante muito tempo a moer e o que havia para carbonizar, carbonizou”, explica.

E lá seguimos caminho. Saltando cercas, atravessando ribeiros. Não há obstáculos, tem que se ver tudo e observar com “muitos olhos”, como realça José Cruz.

“Quando se faz um planeamento, este tem que estar sustentado em algo. Não estamos a fazer um trabalho científico, mas temos que perceber como o fogo se vai comportando”, continua José Cruz.

E tentar chegar à conclusão do porquê da existência de duas frentes de incêndio, ou porque é que o fogo seguiu determinada direcção, por exemplo. “Em situações semelhantes já temos comparativos”, reitera, com a consciência de que não há dois fogos iguais.

No fundo, todo o trabalho se resume na leitura dos negros, como diz o adjunto.

“Vamos para uma zona negra fazer a leitura dos negros. É um trabalho muito minucioso, de muita paciência e de uma boa observação”, explica.

Outra preocupação que tem, como refere, é a segurança na frente de fogo. E ao fazer este tipo de análise vai também registando possíveis entraves á progressão no terreno. Há zonas muito complicadas, onde existem obstáculos, acidentes de terreno naturais ou provocados pelo homem que durante o combate podem estar ou não ocultos e impedem a natural progressão das forças que combate o incêndio. Ao deambular pelas áreas ardidas também é importante estar atento a tudo o que o rodeia.

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