Arquivo: Edição de 12-11-2009
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SECÇÃO: Castelo Branco |
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Comemorações de 2011 começam a ser preparadas 500 anos de Amato com obras em portuguêsUma equipa de 15 pessoas vai traduzir dois livros da autoria de Amato Lusitano, que se encontram em latim. O anúncio foi feito na abertura das Jornadas de Medicina da Beira Interior.
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Fabião Baptista A comissão que há 21 anos organiza em Castelo Branco as Jornadas de Estudo da Medicina da Beira Interior vai chamar a si a promoção dos 500 anos do nascimento do médico albicastrense Amato Lusitano. O anúncio foi feito pelo poeta António Salvado, um dos organizadores destas jornadas, na abertura dos trabalhos de mais uma edição do encontro anual. O quinto centenário de Amato Lusitano acontece em 2011 e para assinalar a data será criada uma comissão científica “que há-de contar com investigadores de renome”, garante António Salvado. Pretende-se ainda a participação de associações ligadas à história da medicina e do mundo académico, nomeadamente as universidades da Beira Interior e Coimbra, o Politécnico de Castelo Branco e a Universidade de Salamanca, em Espanha, onde Amato Lusitano estudou. Uma das primeiras iniciativas anunciadas é a tradução da obra de Amato Lusitano, cuja coordenação está a cargo de António Lopes Andrade. O professor do Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro reuniu um grupo de trabalho com 15 pessoas, sendo que a maior parte desta equipa é constituída por tradutores. O grupo de tradutores de latim terá a seu cargo a interpretação dos escritos de Amato Lusitano, mas também de Pietro Andrea Mattioli, que em 1558 publicou uma análise crítica à obra do médico português. Os de grego irão traduzir o tratado de Pedáneo Dioscórides. Aquele que é considerado o fundador da Farmacognosia foi estudado por Amato Lusitano, que em 1536 e 1553 publicou comentários sobre o seu trabalho. “A tradução da obra de Dioscórides vem colmatar uma lacuna importante, pois o tratado nunca foi traduzido para a língua portuguesa, ao contrário do que sucede na generalidade das línguas ocidentais”, diz Lopes Andrade. O mesmo acontece com a obra de Amato Lusitano, cuja existência em latim é vista como um “obstáculo intransponível” para os potenciais leitores. Este trabalho contará com o apoio financeiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia. A realização das Jornadas de Medicina da Beira Interior, com a edição dos cadernos de cultura que reúnem as comunicações que por lá passam, tem sido um dos contributos mais significativos para o estudo de Amato Lusitano. É o caso da última a ver a luz do dia e que conta com “mais dez trabalhos sobre Amato Lusitano”, diz o médico Lourenço Marques, outro dos organizadores das jornadas. E desenganem-se os que pensam que sobre Amato Lusitano está tudo dito. Os trabalhos deste ano, que decorreram ao longo de dois dias na Biblioteca Municipal de Castelo Branco, contaram com cerca de três dezenas de investigadores. Namora e a Beira Com a literatura médica da Beira Interior e Raia como um dos temas centrais das jornadas de 2009, Fernando Namora foi um dos protagonistas. O médico e escritor, que viveu em Monsanto, teve direito a uma exposição bibliográfica na Biblioteca Municipal de Castelo Branco e foi evocado na conferência inaugural das jornadas, que esteve a cargo de Rui Jacinto, da Universidade de Coimbra. Quando passam 20 anos da morte do autor de “Retalhos da vida de um médico”, Rui Jacinto considera que a obra de Namora continua a ser importante para interpretar o país e essa é uma das razões pela qual diz ser incompreensível que não haja à venda obras do escritor. “O país em geral e a Beira Baixa em particular não podem desperdiçar o importante activo que significa o legado de Namora”, afirmou. Rui Jacinto defende que a vida e obra de Namora tem de ser incorporada nas estratégias de desenvolvimento da região e deve ser tida em conta para conhecer melhor a realidade desta zona. Para o professor “a obra de Namora, embora pareça datada e perdida no tempo, identifica os problemas que estas comunidades continuam a enfrentar”.
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