Arquivo: Edição de 23-12-2009
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SECÇÃO: Leitores |
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Afinal sou rico…Por:
Fabião Baptista A chuva caía inclemente, tamborilando nas vidraças da janela da minha sala de estar e molhando todos quantos passavam na rua, sem irem munidos de agasalhos, guarda-chuvas ou outros impermeáveis. O frio, inteiriçava os corpos regelados, convidando a não se sair de casa e a ficar bem juntinho ao calor emoliente da crepitante lareira, onde coleantes labaredas lambiam as achas de azinho, que momentos antes havia colocado na fogueira. Na rua, açoitados pelo vento, pelo frio enregelante e pela chuva, as pessoas apressavam o passo ou corriam, procurando um circunstancial abrigo. Neste preciso momento, apercebi-me, que afinal, eu era incomensuravelmente rico. Sim, amigo leitor. Rico por poder estar em casa, ao conforto da lareira, sem necessidade de me aventurar ao frio, à chuva e ao vento. Sem ter que me expor às inclemência da intempérie. Rico, repito, por ter um tecto que me abriga e uma casa que me proporciona comodidade e o bem-estar de que preciso. Rico, porque tenho um carro, um modesto “Opel Corsa”, mas que me transporta onde eu desejo ir. Rico por ter uma mulher que me estima, ama e tudo faz para me tornar feliz. Rico, por aos 76 anos de idade, ainda ter saúde para dirigir um “Grupo Coral”, para auxiliar os que precisam e para trabalhar onde ainda tenho algum valimento. Rico, por ter olhos para ver, coração para amar e sensibilidade para agradecer, todas as amabilidades que me proporcionam. Rico por poder conhecer uma infinidade de pessoas, que me estimam e que me continuam a aceitar, tal como eu sou, cheio de defeitos, de limitações, de imperfeições, sempre igual àquilo que sou… De imediato, veio-me à mente, a grande quantidade de idosos que se alojam na Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco e em tantos “Lares” de solidariedade social, um “mundo” de gente que se abriga sob os tectos destas Instituições de benemerência, alguns dos quais, sem terem outro abrigo, outra casa, outro arrimo acolhedor. Lembrei-me dessa legião de jovens que não têm emprego, nem família, desses anciãos que não têm ninguém, nem saúde e que nem têm dinheiro para custear as despesas com os medicamentos de que precisam, que não acreditam num futuro melhor, que vivem o dia-a-dia, sem terem esperança que o dia de amanhã, seja um pouco melhor do que foi o dia de hoje. Pobres dos pobres que assim vivem sem qualquer expectativa ou fé no futuro. Também me veio ao bestunto, esses milhares de jovens que deambulam pelas ruas, sem terem qualquer ocupação, que desbaratam a sua saúde em orgias, em estúrdias de toda a espécie, entregando-se a vícios psicotrópicos e a toda a qualidade de saturnais afrodisíacos, que só destroem o organismo e aviltam a alma. Recordei-me de tantos e tantas que não querem trabalhar, porque é bastante mais aliciante e fácil, praticar uma filosofia de cão deitado, entregando-se ao roubo, à extorsão, a ludibriar os incautos, è pedinchisse, a receber o subsídio de desemprego ou a auferir do chamado “subsídio de inserção social”, vulgarmente conhecido pelo tão aviltado “rendimento mínimo garantido”. Passou-me pela memória, aqueles que são verdadeiros poços de inveja, de ódios acumulados, de recalcamentos, de rancor, sempre despeitados de tudo e de todos, sempre contra tudo, só se comprazendo com o mal dos outros, com praticar estragos, em destruir, matar e em provocar toda a sorte em distúrbios e latrocínios, como são esses assassinos dos “Kamikases” ou os domoníacos “Skinheads”. Recordei ainda os que não sabem merecer a estima e as amizades que lhes são tributadas e muito menos todo o bem que lhes prodigalizam. Que não sabem ser gratos para quem os acolhe, lhes proporciona comida, a horas, lhes trata das roupas que vestem, que lhes presta algum favor… Porém, colocando os pés bem assentes na realidade da vida, verificamos que a sociedade em que vivemos, se compõe de tudo isto e todos nós, quer queiramos, quer não, todos temos quota-parte de culpa e de responsabilidade, tanto no bem que existe, como no mal que vai grassando por esse mundo fora, qual lobo feroz e manhoso, cinicamente travestido com a pele macia de humilde e inofensivo cordeiro. É a sociedade que temos e onde vivemos, onde “homo homini lupus”, isto é, onde o homem é um lobo para o próprio homem, como o proclamou Plauto, em “Asinária”, aludindo à ferocidade com que os homens procuram prejudicar-se, mutuamente. Não basta apontar defeitos e indicar aquilo que mais fere as nossas sensibilidades. Isto não conduzirá a lado nenhum. Será uma atitude de mero conformismo, galvanizada por alguma hipocrisia. Cabe-nos a nós, amigo leitor, dar o nosso prestimoso contributo, fazendo por sermos melhor, para que assim o mundo seja também melhor, como todos desejamos. Que neste NATAL haja, da nossa parte, um gesto que torne mais feliz alguém que há muito o não seja. E creiam que não será preciso procurar muito, para podermos praticar essa acção caritativa… Feliz Natal e que o Novo Ano, seja para todos, um verdadeiro cadinho repleto de alegrias, de saúde, de bem-estar e de venturosas prosperidades. BOM NATAL…
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