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Corvos-marinhos invadem barragens e rios da região
16/02/2011, 15:44
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Corvos-marinhos junto a uma barragem

Os corvos-marinhos estão a ter um impacto negativo nas barragens e rios da região de Castelo Branco. O alerta chega do Clube de Pesca de Castelo Branco, cujos responsáveis, sócios e outros pescadores andam preocupados com esta situação.
De acordo com os mesmos, esta espécie "apareceu há uns anos no Rio Tejo em Vila Velha de Ródão e em pouco tempo dizimou os «peixes-rei» que ali eram bastante abundantes". Agora são outras as paragens e espécies de peixes que começam a ser afectadas.
Zonas mais interiores começam a ser visitadas frequentemente pelos corvos-marinhos e algumas há até onde a espécie já estaciona habitualmente. Mesmo à porta da cidade albicastrense, a Barragem da Taleigueira é uma dessas zonas. Mas também em Santa Águeda e em rios como o Ocreza e o Ponsul são vistos com regularidade.
O caso da Taleigueira, por ser também a de mais pequena dimensão, é o mais preocupante. "São mais de uma centena os corvos-marinhos, ou cormorans como também lhes chamam, que ali se encontram frequentemente e o seu impacto naquela barragem é por demais evidente", afirma António Manuel Barroso, presidente da direcção do referido clube de pesca.
Segundo este responsável, praticamente todas as espécies de peixes são afectadas, sendo que os exemplares de pequeno porte praticamente desapareceram. "As carpas e os pimpões pequenos nunca mais se viram por aqui quando eram muito frequentes, ou seja os peixes com cerca de meio quilo ou menos foram praticamente dizimados por estas aves pescadoras", relata.
Mesmo os exemplares de maior porte, como atesta António Barroso ao Reconquista, "aparecem algumas vezes com feridas profundas provocadas por ataques dos corvos-marinhos, ainda recentemente num concurso de pesca que organizámos foram algumas as carpas em que isso se verificou".
Os pescadores verificam também que os poucos peixes pequenos que ainda ali se avistam estão quase sempre "escondidos entre os juncos, em águas muito baixas, provavelmente para se abrigarem deste predador incansável".
O certo é que este tipo de ave é uma espécie protegida não apenas no nosso país como em outros da União Europeia. "Nós não queremos dar cabo dos corvos-marinhos, mas o excesso de protecção a esta espécie faz com que ela cresça em demasia e coloque outras em risco e isso também não está correcto e deve ser acautelado pelas autoridades que tutelam esta matéria", referem os mesmos pescadores. Noutras zonas do país e do estrangeiro o impacto dos corvos-marinhos em rios e barragens começa a ser um problema com relatos idênticos ao da região de Castelo Branco. O próprio Boletim Informativo deste clube de pesca, recentemente editado, já dá conta desta problemática e promete mais novidades para breve.

 

Frio pode ter atraído a espécie

 

Um outro pescador deste clube, Paulo Mourato, procurou encontrar algumas explicações para esta invasão de que o nosso país está a ser alvo por parte desta espécie e refere ao Reconquista que "alguns estudos apontam para que a presença em grandes quantidades destas aves em Portugal pode dever-se ao maior rigor do Inverno que se verifica nos países de origem". O aumento do frio pode ter contribuído para uma maior presença da espécie nestas paragens, indicando que "o congelamento das grandes superfícies de água doce do Norte obriga-as a procurar alimento nas regiões mais temperadas do continente europeu, ou mesmo no Norte de África".
"Ao longo da maior parte dos nossos cursos principais de água, bem como nos seus afluentes, barragens, albufeiras, podem encontrar-se com facilidade estes pássaros pretos com aparência primitiva, sobrevoando as encostas de xisto, entre eucaliptos, pinheiros e mimosas, ou então a assoalhar nas margens das mesmas", explica o mesmo pescador.
"A multiplicação da espécie tem-se traduzido numa redução das reservas piscícolas, incluindo ataques às explorações de aquacultura dos mares do Norte", lembra este responsável, destacando que "por toda a Europa existem conflitos com comunidades piscatórias principalmente na Holanda e Inglaterra".
Os corvos-marinhos perseguem e capturam os peixes debaixo de água, podem mergulhar até grandes profundidades e permanecer durante grandes períodos de tempo sem virem à tona para respirar. Em 2008, o Parlamento Europeu defendeu a promoção de um plano de gestão sustentável das populações de corvos-marinhos à escala europeia. "Estima-se que, anualmente, os corvos-marinhos consumam pelo menos 300 mil toneladas de peixe nas águas europeias", informa Paulo Mourato.

 

 

Autor: José Júlio Cruz
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Comentários
Manuel Gomes de Almeida
18/02/2011, 16:02
Frequento uma zona onde posso constactar que esta realidade é verídica. As alterações climatéricas, estão a mudar também as rotas migratórias das aves e alteração dos habitat's e querenças das mesmas. Já há 3 anos a esta parte que os pombos... torcazes e os tordos (que invernavam ao milhões) na zona de Castelo Branco, desapareceram ou deixaram de vir. Em vez deles, começaram a vir (e cada vez mais) gaivotas, corvos marinhos e garças "boieiras". Lógicamente, estas alterações irão (já estão) alterar os ecosistemas. Mas o que me incomoda mais é que perante esta realidade "tão evidente" as Assiciações Ambientais estão quietas e em silêncio, e a nada fazer para equlibrar os mesmos. No caso dos corvos marinhos, que acabarão por dizimar todos os peixes dos lagos, charcos e rios do nosso Concelho, o que estão a fazer? ...e do que estão á espera??
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