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Noves fora

Paula Custódio Reis - 24/06/2021 - 9:22

A prova dos nove é algo de que as mais recentes gerações nem sequer ouviram falar. Aqueles que aprenderam a fazer contas lá pelos anos 80 (e antes disso), sabem bem o que significava fazer a «prova dos nove», aplicada a cada uma das operações matemáticas que se calculavam.
Nada mais é do que um procedimento que dá como válido um resultado que se obteve. Aplicado a um ambiente de trabalho, é equivalente à certificação de qualidade, à validação, ao duplo check-in aplicado a um processo.
Os números continuam a ser os grandes testes de validade. Mais do que as opiniões e os achismos. Ou seja, podemos ter a melhor ideia do mundo, mas se não a conseguirmos traduzir em números, em resultados quantificáveis, não passará de uma opinião pessoal.
Veio-me esta ideia à mente a propósito do muito barulho, animação, divulgação que esta situação pós-pandemia e pré-eleições trouxe aos nossos dias.
E do anúncio da aprovação do Plano de Recuperação e Resiliência, que terá como efeito prático uma primeira tranche de financiamento no próximo mês de julho.
Pergunto-me, a este propósito, se em muitas áreas e por muitos atores, continuarão a ser levadas a cabo intervenções desgarradas, sem fio condutor que hão-de ter o resultado esperado: não se saber muito bem o que se quer alcançar, mas importa é parecer que estamos ocupados a fazer coisas. A eterna preocupação com a imagem.
O problema, para além da má gestão do que é público, é a quantidade de decisões irreversíveis que se tomam, das tarefas urgentes que ficam por realizar, das decisões necessárias que se adiam.
Quantos problemas coletivos se arrastam ou aos quais se dá uma resposta paliativa em vez de levar o tempo necessário a planear, executar e avaliar para corrigir e fazer melhor?
O tempo de resolução dos problemas não pode continuar a ser o mesmo dos tempos dos eleitos e dos eleitores. 
E as contas? Bem, para as podermos avaliar, para além dos gastos era importante medir o impacto efetivo de cada ação. O que é que cada intervenção fez mudar, o impacto que teve na vida dos cidadãos (nem que seja na vida de um cidadão, que não os executores das ações).
Para mim, esta não-gestão tem por base três pilares:
O dinheiro que há para gastar;
 A intenção de Aparecer;
A falta de medição rigorosa dos resultados;
Nos tempos idos do império romano, já se falava destes fenómenos. Chamavam-lhe, na altura, panis et circus.
Hoje, a animação está garantida, já o pão, nem tanto.
Ou seja, como diz a cantilena: noves fora, nada…

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