Num artigo do passado dia 12, no jornal Observador, o Prof. Eduardo Sá refere aspectos importantes decorrentes desta nova situação em que, considerando apenas os alunos mais novos que frequentam o ensino público, cerca de 960.000 crianças com menos de 12 anos, irão ter as suas aulas em casa.
De entre as várias circunstâncias que caracterizam esta nova situação de ensino e de aprendizagem, há que referir que ela é bastante diferente da antiga telescola. Nesta, havia um ensino presencial em que os alunos estavam em postos de recepção, acompanhados por um monitor, interagiam entre si e este era o mediador entre os conteúdos expostos na televisão e a aprendizagem realizada na sala de aula.
O que está a passar-se agora é completamente diferente. As crianças estão em casa, sem interacção presencial nem com os colegas, nem com os professores. Registe-se o esforço de reconversão pedagógica, num curto espaço de tempo, que os professores estão a fazer; saliente-se, igualmente, o investimento em recursos pedagógicos e normas de orientação que o Ministério da Educação está a disponibilizar através da televisão, CTT, internet (https://www.rtp.pt/estudoemcasa). O YouTube, mediante coordenação pelo M.E., vai disponibilizar cinco novos canais, divididos por anos e ciclos de escolaridade. Haverá, ainda, linhas de apoio às escolas ([email protected]). Refira-se que, segundo o documento “9 princípios orientadores para acompanhamento dos alunos que recorrem ao #EstudoEmCasa”, se diz, no seu ponto 7b, que “a cada aluno que recebe conteúdos exclusivamente pela televisão deve ser atribuído um professor mentor, responsável pelo estabelecimento de contacto, individualmente e em parceria com outras entidades da comunidade.”
Decorre daqui que para as famílias também terá que haver um esforço de reorganização no sentido de proporcionar às crianças aquelas condições mínimas de atenção e de aprendizagem. É certo que nem todas as famílias, por muitas e variadas razões (falta de espaços na casa para o número de pessoas que a habitam, carência de equipamentos digitais, incerteza quanto ao futuro profissional, funcionamento familiar irregular…) poderão proporcionar as melhores condições de aprendizagem. Se essas condições desfavoráveis eram motivo de desigualdades, estas acentuar-se-ão neste período anormal de isolamento social.Seria bom, no entanto, apesar das circunstâncias, por vezes adversas, de cada família, que a presença de um dos pais junto da criança fizesse sentir-se como mediador e descodificador das mensagens que ela vai recebendo por um ou vários canais que lhe estão disponibilizados. Para que esta presença possa ser eficaz, terá que haver de quem está junto da criança grande serenidade, paciência, alguma firmeza mas sem irritações, ralhos, gritos…, perante os múltiplos acasos perturbadores que vão surgindo.
Estamos a viver um tempo especial na história da humanidade, único nesta sociedade global em turbilhão em que andava e que, num instante, quase parou. Só a educação, começando na família, proporcionando novas aprendizagens e fomentando novas atitudes, pode ajudar a enfrentar a actualidade e o que se avizinha.