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A geringonça já fez um ano: Ai aguenta, aguenta

Florentino Beirão - 06/10/2016 - 9:30

Nos dias que correm, alguns líderes políticos, com ou sem referendos, numa UE amorfa e dividida, continuam a virar as costas a milhares de refugiados, trancando-lhes as portas. Na América, por sua vez, o descabelado republicano Donald Trump continua a mentir de hora a hora, entre outras, insultando as mulheres, com falsas acusações. Por estas e por outras, terá perdido o debate com a sua adversária Hillary Clinton, na passada semana. Nas Filipinas, o presidente de Estado, Rodrigo Duterte, encontra-se disponibilizado para mandar matar três milhões de pessoas, supostamente toxicodependentes. Por sua vez, na imperial Alemanha, o maior banco treme, como varas verdes.
Aqui ao lado, em Espanha, com um governo provisório, após já duas eleições, o líder dos Socialistas (PSOE) Sanchéz, decidiu demitir-se após derrota do Comité federal do seu partido. Por sua vez, o Papa Francisco, na Geórgia, acaba de defender o diálogo entre católicos e ortodoxos, estes em grande maioria neste pequeno país.
Voltando os olhos para a nossa realidade - já lá vai um ano que o governo da “geringonça” se vai mantendo- com surpresa de alguns. Após este primeiro ano, vamos tentar fazer um breve balanço do caminho trilhado pelo PS e os partidos que o apoiam no Parlamento, Bloco de Esquerda e Partido Comunista.
Relativamente à economia, o que dizem os números? Quanto ao PIB, o que era previsto no Orçamento do Estado, 1,8% este valor não irá ser atingido, ficando-se pelos 0,9%. Por esta razão, o crescimento vai ficar pelos 1,3%. Quanto à procura interna, onde o Governo de António Costa tanto apostava, parece não dar os frutos esperados, com o consumo a abrandar. Se nos voltarmos para as receitas fiscais, encontramo-las em quebra, mas ainda com algumas possibilidades de se esbaterem, até ao final do ano. Relativamente ao investimento público, baixando um pouco, tarda a avançar. Só o empresarial aumentou 7.7%.
Mas nem tudo cheira a esturro neste balanço provisório. Comecemos pelos índice do desemprego que desceu dos 12.6%, para os 10.5%. Com um crescimento à volta de apenas 1%, como irá comporta-se este bom desempenho?
A nível político, este novo modelo, ensaiado no país, pela primeira vez por António Costa, parece estar até ao momento de boa saúde, com pequenas escaramuças pelo meio. Tanto a questão dos novos impostos como a da CGD, deixando as suas mazelas, parece já terem sido ultrapassadas. Relativamente à questão dos bancos que o governo anterior deixou por resolver, o governo de Costa, lentamente, tem vindo a desatar alguns nós cegos do sistema. Quente, encontra-se a preparação do Orçamento para o próximo ano, com cada um a puxar a brasa à sua sardinha. Os temas quentes, neste momento, referem-se ao aumento das pensões - para todos ou para alguns - novos impostos e pensões mínimas de velhice e invalidez, são assuntos a acompanhar.
Relativamente à questão social, o país foi gozando de um período muito pouco perturbado. O diálogo e os consensos foram funcionando, embora as tensões, nesta altura, se encontrem em fase de subida de temperatura. O mesmo se diga da abertura do novo ano letivo, sem grandes queixas dos professores e encarregados de educação.
Perante este panorama, numa recente sondagem sobre as intenções de voto, se as eleições fossem agora, ficámos a saber que o PS obteria 35,5%, o PSD 32,5%, o Bloco de Esquerda 9.7%, a CDU (PCP) 7.8% e o CDS 6%.
Rematemos com o comportamento da oposição. Quanto ao PSD, é consenso geral que Passos Coelho ainda não conseguiu organizar uma frente consistente, face a este governo. Negativista e saltitante, as sondagens revelam que se encontra em queda.
O CDS, por sua vez, com nova liderança, tem sido mais acutilante nas suas críticas e propostas. Face a este retrato, a “geringonça” vai ou não aguentar-se? Veremos.
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