«- O que é que te dói? - Não sei dizer o que é, mas também não posso dizer que não me doa nada.»
Saúde é um estado generalizado de bem-estar físico, psíquico e social.
Era esta a definição que nos era dada na disciplina de Saúde no 9º ano, explicando, entre outros conceitos, as implicações do meio na saúde dos indivíduos.
Atualmente, o meio em que vivemos tornou-se particularmente agressivo para o ser humano no que toca à gestão de emoções: atravessamos crises financeiras e políticas, uma pandemia para a qual não tínhamos informação nenhuma ou eramos bombardeados com informação contraditória, assistimos a diferentes cenários de Guerra, sendo a última contígua ao nosso Continente e que afeta sobremaneira a nossa economia.
Lidar com incerteza é algo que o ser humano atual não está preparado porque nos formatamos para a necessidade da perfeição e da infalibilidade dos sistemas.
Quando somos confrontados com falhas que não conseguimos resolver, dominar ou ignorar, tendemos a cair na ansiedade. E, tenho para mim, que a ansiedade é o catalisador da maior parte das situações que derivam em doença mental.
No entanto, ainda hoje, a maior parte das pessoas desvaloriza sinais do que pode ser uma doença deste foro: ansiedade, choro compulsivo e repetitivo, oscilações de humor, incapacidade de lidar com algumas situações, dificuldade permanente em adormecer ou em ter uma noite de sono completa.
Tal como todas as outras doenças, estas implicam um diagnóstico, um tratamento ou uma terapia. A diferença é que se tende a aligeirar quer a toma de medicamentos quer as terapias: faltar a uma marcação com o psicólogo é vulgar, faltar a uma sessão de fisioterapia ou de quimioterapia não o é.
A proposta de lei do Governo sobre a saúde mental foi aprovada na generalidade no Parlamento, no dia 14 de outubro, um diploma que vem substituir a legislação em vigor há cerca de 20 anos.
No preâmbulo desta Proposta de Lei explica-se que «era clara a necessidade de repensar a organização da prestação de cuidados de saúde mental, considerando, por um lado, os enormes avanços registados, nesta área, a nível clínico, e, por outro, os compromissos assumidos por Portugal, relativamente a esta matéria, no âmbito da Organização Mundial de Saúde, do Conselho da Europa, da União Europeia e de outras instâncias internacionais».
Este é um processo legislativo que acompanharei com interesse porque sei que a doença mental afeta todos, independentemente da idade, do nível de instrução, da capacidade económica, do género. É uma doença difícil de assumir e tantas vezes desvalorizada. Mas tem consequências devastadoras nos doentes e nas suas famílias.
Deixo um número a que podem aceder utentes ou trabalhadores dos serviços de saúde, caso tenham dúvidas ou só precisem de um conselho, atendido por psicólogos clínicos, sem gravação de chamadas, disponível 24 horas por dia. Porque a ansiedade pode ser minorada com uma simples palavra de compreensão ou orientação.
SNS 24 – 808 24 24 24. Depois deve selecionar a opção 4 (aconselhamento psicológico).