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A minha freguesia: História inacabada de Freixial do Campo

Duarte Afonso - 18/02/2026 - 11:09

Assembleia da República não cumpriu a própria lei que aprovou. Se tivesse cumprido, a palavra Campo não teria sido tirada à minha freguesia.

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Freixial do Campo é uma aldeia muito antiga. Pertence ao concelho de Castelo Branco e confronta a norte com Tinalhas, a sul com Juncal do Campo, a nascente com Cafede e a poente delimita com Almaceda.
É uma aldeia de andar suave, situada em terreno quase plano, com pequenos declives ao longo da mesma. Tem ao longe como cenários principais as serras da Gardunha a norte e a de Muradal a poente. Tem ainda a serra da Estrela a espreitar por trás da serra da Gardunha. 
Pertenceu ao concelho de São Vicente da Beira até 1871.Fez parte deste concelho desde o início em que foi constituído, quando recebeu o foral de Sancho I em 1195. Este foral tinha como finalidade dar as condições necessárias para o povoamento das terras e defesa das fronteiras. 
A partir de 1871, passou a pertencer ao concelho de Castelo Branco.
Um documento existente no arquivo nacional da Torre do Tombo, relacionado com Freixial do Campo, refere que em 1625 já era paroquia. 
Em 1629, segundo o investigador, escritor, professor e historiador, José Teodoro Prata, Freixial do Campo contribuía anualmente para o convento Franciscano de São Vicente da Beira com alqueires de centeio e sessenta reis.
Nessa época, segundo o mesmo investigador e historiador atrás referido, a justiça era administrada por um Juiz de Fora em representação do Reino, e Juízes pedâneos. Freixial do Campo chegou a ter três Juízes pedâneos e três procuradores eleitos pelo povo.
Segundo um documento existente na Torre do Tombo, elaborado pelo pároco de Freixial do Campo, daquela época, em 1758 Freixial do Campo tinha 38 vizinhos, 82 pessoas maiores e 7 menores.
Também é referenciado nesse documento que o Barbaido e o Casal do Búzio faziam parte de Freixial do Campo. 
O Barbaido tinha 18 vizinhos, 38 pessoas maiores e 9 menores. O casal do Búzio tinha 1 vizinho e 5 pessoas maiores.
Segundo prova documental existente na Torre do Tombo e patrimonial, referenciada pela capela de Santa Catarina, em ruínas, a área de Freixial do Campo estendia-se e estende-se, a Norte até ao Búzio, a Sul confronta com Juncal do Campo, a nascente vai para lá da Capela de Santa Catarina e a poente até ao Barbaido.
Em 1997 o governo de então decidiu implementar um aterro de lixos industriais junto ao Barbaido, o qual também faz parte de Freixial do Campo.
Esse aterro iria poluir o ar que respiramos e a inquinar a água do enorme vale chamado valsando e a do ribeiro que corre ao longo do mesmo. Iria também destruir as férteis colheitas do vale, o qual abrange várias freguesias, designadamente Tinalhas, Freixial do Campo, Juncal do Campo e Salgueiro do Campo. 
O diálogo deu lugar à teimosia do governo, e a teimosia deu lugar à resistência do povo de Freixial do Campo e do Barbaido. 
A grande manifestação de desagrado destes povos, deu-se em 07 de Junho de 1997, data em que os Representantes do Governo e o Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, foram a Freixial do Campo prestar esclarecimentos.
Nesse dia não só os habitantes de Freixial do Campo e do Barbaido estavam presentes, como também muitos habitantes das aldeias vizinhas. Estavam mais de mil pessoas a manifestarem-se ruidosamente contra o aterro e contra as autoridades presentes.
A situação chegou a ser explosiva e preocupante, não se descontrolou devido ao forte contingente da Guarda Nacional Republicana que estava presente.
Houve momentos em que se temeu o pior, fazendo lembrar a revolta da Maria da Fonte em 1846. Felizmente os ânimos amainaram e não chegou haver violência física, mas esteve perto. 
Grande parte da comunicação social noticiou a manifestação e a indignação que ia na alma do Povo, designadamente o jornal Reconquista e o jornal Tal e Qual.
O jornal Reconquista deu grande destaque a esse acontecimento dedicando-lhe a primeira página e as páginas centrais.
Por fim, venceu a força da razão, o aterro não foi construído, a Natureza não foi agredida nem contaminada com o flagelo da poluição. Os habitantes daquela enorme área continuaram a respirar o ar puro e sadio que vem das serras e montes, o povo de Freixial do Campo e do Barbaido, com a ajuda das aldeias vizinhas, evitaram que fosse cravado mais um prego no ataúde da humanidade. 
Em 2012 uma má interpretação da lei 22/2012 de 30 de Maio, referente à agregação das freguesias, deu origem a um erro grave, nascido na Assembleia da República que penalizou profundamente a freguesia de Freixial do Campo.
Esse erro tirou-lhe a palavra Campo, decepou-lhe o nome, adulterou a sua história e ofendeu a memória dos seus antepassados. 
É importante referir o que diz o artigo 9 nº1 da referida lei, para nos apercebermos da forma injusta e penalizadora como a freguesia de Freixial do Campo foi tratada.
“Agregação de Freguesias.
A freguesia criada por efeito da agregação tem a faculdade de incluir na respetiva denominação a expressão «União das Freguesias», seguida das denominações de todas as freguesias anteriores que nela se agregam”.
 A lei refere que “a expressão União das freguesias é seguida das denominações de todas as freguesias anteriores que nela se agregam”.
Não foi isso que aconteceu à freguesia de Freixial do Campo. Foi tratada de forma desigual em relação às outras freguesias do concelho de Castelo Branco, que foram agregadas, ao tirarem-lhe a palavra Campo.
Neste caso, referente à freguesia de Freixial do Campo, a Assembleia da República não cumpriu a própria lei que aprovou nessa altura. Se tivesse cumprido de igual modo como cumpriu com as outras freguesias agregadas do concelho de Castelo Branco, a palavra Campo não teria sido tirada à minha freguesia. 
A má interpretação que foi dada à aludida lei que discriminou a freguesia de Freixial do Campo, violou o artº13 nº1 da Constituição. Princípio da igualdade.
No anexo junto à lei nº11-A/2013 de 28 de Janeiro está escrito que a “União das freguesias de Freixial e Juncal do Campo tem sede em Freixial do Campo.
Para ser freguesia tiraram-lhe a palavra CAMPO. Para ser sede devolveram-lhe a palavra CAMPO e já consta o seu nome verdadeiro de Freixial do Campo. 
Freixial do Campo é sede de uma freguesia que não existe com esse nome, mas sim com o nome de” União das Freguesias de Freixial e Juncal do Campo”. Em vez de “União das Freguesias de Freixial do Campo e Juncal do Campo”.
As referidas leis já não estão em vigor, devido à lei da desagregação das freguesias, votada na Assembleia da República em Janeiro de 2005.Mas, o erro que penalizou a freguesia de Freixial do Campo ainda não foi corrigido. A minha freguesia continua mutilada e a sangrar sem a sua palavra Campo.
A reclamação mais recente dirigida à Assembleia da República, mereceu a melhor atenção do actual Presidente, Dr. José Pedro Aguiar Branco, que a reencaminhou logo para a Comissão de Poder Local e Coesão Territorial.
Também na referida Comissão de Poder Local mereceu a devida atenção.
Foi a freguesia de Freixial do Campo, que foi agregada com a freguesia de Juncal do Campo, e não a freguesia de Freixial. O referido anexo refere bem essa situação.
A palavra Campo deve ser devolvida à freguesia de Freixial do Campo, porque 
a verdade, a razão, a justiça, a lei, e a Constituição estão do seu lado. A sua história está inacabada sem a sua palavra CAMPO. 
Pela verdade, pela legalidade e pela justiça, a minha freguesia só pode ser tratada por “União das Freguesias de Freixial do Campo e Juncal do Campo, e não “União das Freguesias de Freixial e Juncal do Campo”. 
Podem os donos da verdade,
Voarem nas asas do vento e darem azo à sua imaginação.
Mas tirarem a palavra CAMPO à minha freguesia!
Isso NUNCA! Isso NÃO!!!                                         
                                                                            

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