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A política que vale a pena

Luís Filipe Santos* - 17/07/2025 - 9:01

Deixem-me iniciar este artigo com uma declaração de interesses. Entrei para a política, muito jovem, para construir, agregar e defender princípios e valores que me foram incutidos desde sempre. Quer na minha educação (pelos meus pais), quer em todo o meu percurso escolar (na Escola Primária da Senhora da Piedade, no Liceu Nuno Álvares, na Universidade da Beira Interior), no percurso político (JSD e PSD Castelo Branco) e profissional. Os princípios do rigor, da exigência, da ambição leal e do saber fazer.

Princípios que implementei ao longo da minha vida pessoal e profissional, em tantas instituições deste nosso Portugal, por onde tive o orgulho de passar. O objetivo final seria colocar esse capital de experiência e saber acumulado ao serviço do meu território, da minha cidade, do meu concelho.

SEMPRE achei que a experiência e o conhecimento consolidado são cruciais para desenvolver os territórios, e, em particular, Castelo Branco. Percebermos o que queremos fazer e como o fazer. SEMPRE na lógica de sermos os melhores, com estratégia e ambição.

Quem tem essa ambição, raramente olha para o lado. O que lhe interessa é SEMPRE olhar para a frente, e, com todos, trabalharmos para os cidadãos que, em nós, confiam o seu voto. Há umas semanas, quando assinei um artigo onde falava de prioridades de desenvolvimento e como cada projeto político tinha as suas, nunca pensei que alguém, sobretudo alguém do Partido Socialista, assumisse de forma tão declarada que a Coligação “SEMPRE por todos” pode vencer as eleições autárquicas, e com isso, tornar-se “Um quadradinho laranja no mapa”. Sabemos que a capacidade de agregar e estabelecer pontes, incomoda aqueles que têm uma visão estatizante e dominadora do aparelho público, e, sobretudo, demonstra a incapacidade do Partido Socialista de se renovar, de se responsabilizar pela forma como tem gerido Castelo Branco e de apresentar soluções sérias para a nossa terra. A retórica não apaga a realidade, e é reveladora do nervosismo que impera nas hostes socialistas. Ao invés de reflexões, visões e propostas para Castelo Branco, os que os membros destacados da força política que lidera o Município tem para oferecer aos albicastrenses, são artigos de opinião carregados de maledicência, numa clara tentativa de manipulação dirigida aos militantes do PSD, mas também aos albicastrenses. O PSD teve a coragem para, ouvindo os albicastrenses e percebendo a sua desilusão com quem gere os destinos de Castelo Branco, falar com as forças políticas e cidadãos independentes, e com esse diálogo, apresentar um Coligação que devolva a centralidade e a importância que Castelo Branco tem de ter como capital de distrito. O atual ciclo de governação iniciado há 4 anos, já perdeu um terço da sua capacidade de implementação. E o que vemos? Anúncios em catadupa, cartazes em rotundas com obras para futuro, numa clara tentativa de vender um sonho aos albicastrenses, depois de um pesadelo de 4 anos. Obras que não tiveram discussão pública, enquadramento estratégico, não se medindo o seu impacto naquilo que deveria ser a prioridade principal de uma governação. Os albicastrenses!

Um partido de liberdade como o Partido Socialista, fundador da democracia, um esteio de abril, de pessoas moderadas, abordar as próximas eleições autárquicas com a arrogância hegemónica de eternos “donos disto tudo”, pareceu-me ir um bocadinho longe de mais. O que o PSD está a construir — com coragem e visão — é uma alternativa real ao poder instalado. E, sim, isso incomoda. Incomoda existir em Castelo Branco, uma alternativa política que contrarie o imobilismo instalado, a decadência económica e a fuga de talentos e investimento.

Não podemos continuar a perder a iniciativa política, que se resignou à gestão das clientelas, dos jogos de bastidores e das lealdades pessoais. Uma abordagem que fala de “traições”, de “substituição de militantes”, como se a política fosse uma dinastia hereditária e não um espaço democrático onde os melhores devem servir os cidadãos. Mas talvez esse seja o verdadeiro problema: o PSD quer servir os cidadãos; o PS quer servir-se deles.

A verdade — dura para o PS — é que o PSD está a reconstruir-se, a dialogar, a ouvir quem foi silenciado durante anos, e a criar condições para apresentar uma candidatura robusta, alargada e com ambição autárquica. Não é ao PSD que falta coerência. É ao PS que falta futuro.

O PSD, ao contrário do que se insinua, não abdicou de nada. Assumiu, sim, a responsabilidade de construir uma nova solução política para Castelo Branco. Uma solução que inclui todos os que acreditam que é possível fazer diferente e melhor para a nossa terra. Que acolhe os que foram marginalizados pela arrogância socialista. Que se abre a vozes novas, a independentes, a forças sociais e aos cidadãos — porque é assim que se constrói uma verdadeira alternativa: com pluralidade, com coragem e liberdade. A Coligação “Sempre por Todos” é a única hipótese séria de virar a página ao atraso a que temos sido votados. E não temos medo de dizer que queremos vencer. Porque vencer, neste caso, é devolver dignidade à política e esperança aos ALBICASTRENSES!

 

*Vice-Presidente da Comissão Política Distrital do PSD Castelo Branco

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