A prevenção em áreas onde se cruzam a saúde e o ambiente é, reconhecidamente, a chave para a diminuição de problemas na área da saúde humana.
Por isso os responsáveis da saúde nos sugerem boa alimentação, exercício físico, um plano de vacinas. Na área do ambiente pedem limpeza dos terrenos, vigilância, construção de aceiros e faixas de proteção, diminuição de emissões de CO2.
O Covid19 veio mostrar claramente que a humanidade não está ainda no bom caminho no que toca a ambas as áreas. Continuamos a preocupar-nos com a cura, mas ainda não assumimos a quota parte de responsabilidade no respeito dos ecossistemas. ACovid19 nasceu de um ataque ao meio ambiente.
E se é verdade que a velocidade de propagação da doença tem levado a que nos entrincheirássemos na tentativa de tratamento e no isolamento dos cidadãos, para que sejam menos os atingidos ainda não nos preocupamos com a fase seguinte. A fase em que deveríamos estar a pensar na prevenção. Já existem normas novas? Programas de sensibilização? Já entrou no plano de estudo das nossas escolas?
Tenho para mim que os problemas de saúde, advindos de questões ambientais, só serão mitigados com cidadãos ecologicamente mais conscientes, com melhores práticas comunitárias e com sanções efetivas aos não cumpridores.
Em Portugal, o primeiro estudo de impacto sobre alterações climáticas, o SIAM, nasceu no final dos anos noventa. Traçava cenários futuros, baseado em conhecimentos na Sociologia, na Geofísica, no Direito Ambiental, na Educação. Passaram mais de vinte anos e ainda estamos longe de uma prática efetiva, que diminua acentuadamente a pegada ecológica do ser humano.
É verdade que a avultada soma de dinheiro que vai ficar disponível para o combate às alterações climáticas é muito generosa, mas quem é que vai colocar em prática os programas que serão desenhados para receber essas verbas? Estará o nosso Poder Local munido de conhecimento e sensibilizado para estas matérias? Tencionará o Estado Central ser exemplo de boas práticas e não deixar os edifícios e terrenos de sua propriedade à sua sorte?
O discurso tem de condizer com a prática. O Estado não pode exigir a limpeza de terrenos aos proprietários e não limpar os que são de sua propriedade, por exemplo.
Quando fui Presidente de Junta, tinha uma imagem engraçada em mente que era a de notificar o Ministério da Justiça para limpeza dos terrenos de S. Fiel. Nunca o fiz. Achava na altura que era um procedimento que tinha algo de ridículo. Agora sei que o deveria ter feito, porque assumi conscientemente que a mudança só ocorre quando os eleitores exercem os seus direitos, quando o Estado executa os seus deveres e quando toda a hierarquia funciona, mesmo quando têm que ser os da base da sociedade a chamar à razão os que estão no ápice, no cimo da pirâmide que representa os poderes na sociedade.