O património tem por base todas as coisas que são testemunhos civilizacionais de um povo; seja local, regional ou nacional.
O objectivo é a preservação de todos os bens que enriqueçam um agregado populacional
Uma comunidade que se preocupa em preservar as suas tradições e cultura que não imite mas preserve, terá com certeza orgulho no seu passado
A oralidade que engloba contos, lendas, lengas-lengas… a monumentalidade pobre ou rica, estatuaria sacra, cantigas campestres ou sagradas;” durante o tempo quaresmal as músicas pungentes, que ainda se entoam nas ruas da vila de São Vicente da Beira; martírios, encomendação das almas, ladainha...” devem ser estudadas, cantadas com mestria de maneira a serem um polo gerador e agregador.
A quaresma vicentina é muito rica, em alguns casos contém ritos únicos na região
A procissão dos Terceiros que se realiza no terceiro domingo da quaresma é disso um exemplo
Mas não só.
São Vicente da Beira será talvez a única comunidade da região a realizar as cerimónias da semana maior na altura e no momento exacto em que se passaram
Cristo antes de ser pregado na cruz foi interrogado, torturado pelas autoridades da época
Quinta-feira; ataram-No a uma coluna, espancaram-No, torturaram-No, colocaram-Lhe uma coroa de espinhos
Eis a procissão do Ecce Homo.
No dia seguinte, a multidão gritava a Pilatos; crucifiquem-No.
Não achando nada que o pudesse condenar, mandou vir uma bacia com água e lavou as mãos.
Colocam sobre os Seus ombros um pesado madeiro e encaminham-No para um lugar elevado que se chamava Gólgota onde o pregaram
-Às duas horas da tarde, da igreja da misericórdia sai o Senhor dos Passos que carrega uma pesada cruz, percorre as ruas da vila até encontrar na Fonte Velha sua mãe e o seu amigo, apóstolo João.
Os três sobem a Rua da Costa, traçado ingreme, percurso penoso, até chegarem finalmente ao monumental calvário.
A Verónica mais uma vez Lhe limpa o rosto ensanguentado
Eis Cristo pregado na cruz
Eis Cristo depositado no esquife.
À noite realiza-se a procissão do enterro, os fiéis acompanham a imagem do Redentor percorrendo novamente as ruas do velho burgo; a banda filarmónica vicentina participa no préstito tocando uma marcha fúnebre.
-Em São Vicente da Beira; mais precisamente na Fonte da Portela existe um troço de estrada romana por onde passavam outrora carros de bois, pessoas para as fainas campestres...
O traçado mantinha-se limpo, choca-me a insensibilidade, o abandono a que está votado este troço ancestral, milenar. Não há ninguém capaz de mobilizar esforços para que isto não aconteça!
Este caminho, a lagariça, fonte romana e a barragem do Pisco, podem e devem ser juntamente com o futuro museu de Arte Sacra, o Pequeno Lugar e outros existentes na freguesia de São Vicente da Beira locais de visita interessantes para residentes e turistas.
As terras vicentinas têm características únicas, são um verdadeiro mosaico; Charneca, Campo e Serra fazem parte da natureza destes lugares tão encantadores com recantos maravilhosos pessoas acolhedoras, que sabem receber quem as visita.
Preserve-se o que resta, valorize-se, para que todos os vicentinos se possam orgulhar das suas raízes ancestrais
Existem na freguesia de São Vicente da Beira muitas associações de caracter cultural, basta dinamizá-las.
É imperioso valorizar o património, seja material ou imaterial
José Manuel dos Santos