A nossa actividade profissional não nos pode condicionar na vida que decidimos viver, uma vez que viver pelo simples prazer de viver deve valer a pena. A vida é um fim em si mesmo e não um meio para fazer carreira, tornar-se rico, ou deixar a nossa marca na breve história humana neste mundo.
Todas estas coisas são importantes, mas muitas vezes distraímo-nos dos pormenores mais simples e belos que nos rodeiam, sejam os que resultam da acção humana, sejam aqueles com que a natureza nos presenteia.
Muitos de nós acabamos por existir agarrados à nossa ocupação profissional, sem nos abrirmos às restantes dimensões da nossa vida, a qual acaba por deixar um vazio no leito da nossa morte, a qual nunca se esquecerá de nós.
Precisamente por esta ser breve e demasiado importante para nos prendermos voluntariamente a um trabalho que acabará por definir a nossa personalidade e a forma como nos relacionamos com os outros, devemos saborear com genuíno interesse cada minuto e segundo da nossa vida.
As interacções que desenvolvemos ao longo das nossas vidas ensinam-nos muito mais do que o nosso quotidiano profissional, resumido pelos minutos, horas, cêntimos e euros do final do mês.
Temos sempre muito a aprender com os outros, porque acabam por ser as nossas decisões face aos outros que definirão a nossa personalidade e que, eventualmente, deixarão a nossa marca no mundo.
Não podemos desvalorizar quem somos, nem confundir as prioridades da nossa vida, sobretudo quando esta nos exige que sejamos muito mais do que profissionais sérios e competentes, ou cidadãos exemplares.
Devemos desenvolver um espírito crítico, questionando decisões com as quais não concordamos e lutar contra leis que achamos injustas. Lutar de forma genuína e não condicionados por ideais corporativos ou totalitários.
Apesar de todos nós sermos confrontados com interesses instalados, com ideais políticos numa sociedade que condiciona sempre a liberdade individual, é fundamental que cada um de nós procure a sua independência face às “verdades” da maioria que, muitas vezes, abafa a nossa consciência individual.
Infelizmente, o nosso horário de trabalho já nos condiciona em muitas das nossas opções de vida e, por isso, não devemos deixar que esta influência se alargue a quem somos enquanto “amigos”, “irmãos”, “filhos”, “pais”, “avós”, entre tantas outras dimensões da nossa vida.
Como já escrevi, a nossa existência neste universo é uma experiência sensorial que nos deve fascinar a cada dia que passa, aproveitando cada segundo e cada surpresa que este misterioso milagre nos reserva.
A pouco mais de uma semana do Natal, importa ter presente que somos muito mais do que o nosso trabalho e que a nossa curta vida neste mundo exige que a aproveitemos nas suas múltiplas dimensões, mantendo um desejável e saudável equilíbrio entre elas.
Enfim, esta é uma época em que o melhor de nós deve prevalecer e em que a nossa atenção deve estar com quem nos é mais próximo, porque são estes que acabam por nos ajudar a valorizar o que a vida tem de melhor.