A aproximação dos atos eleitorais autárquicos precipita a divulgação de iniciativas mais ou menos relevantes, algumas cuidadosamente calendarizadas para ser publicitadas a poucos meses ou semanas das eleições, mas “(…) é sempre assim e assim há-de continuar (…)” enquanto os munícipes tolerarem este tipo comportamento.
O ênfase concedido à obra feita e a crítica ao que ficou por fazer é a dialética expectável nesta fase do calendário político. Uns e outros têm as suas razões e não se devem negligenciar os argumentos de ambas as partes.
Seja através de um processo organizado e institucionalizado no âmbito das diferentes famílias partidárias, seja através de movimentos de cidadãos que não se revêem nos rituais de iniciação e convívio faccioso entre essas famílias, a democracia local enriquece-se com o debate dos projetos propostos aos vários fregueses.
É pela exigência, pelo dever de vigilância e pelo julgamento dos fregueses que serão escritos os detalhes do futuro da nossa vida colectiva e, por isso, a importância da apresentação de ideias e projetos, assim como os compromissos de longo-prazo muitas vezes necessários para garantir a estabilidade de projetos de relevância extraordinária para cada um dos municípios.
Estes projectos podem ser na área da Saúde, da Educação ou do Emprego. Devem ser projetos assentes em consensos abrangentes e que tenham continuidade para além da individualidade que assuma o poder executivo camarário, mas essa premência coletiva deve estar garantida, deixando espaço para as várias divergências em relação a medidas ou opções saudavelmente menos consensuais.
No que se refere à criação de Emprego e à dinâmica da economia regional, creio que este tema tem vindo a assumir a relevância merecida para o futuro do concelho de Castelo Branco, e espero que haja consenso relativamente à importância deste tema entre os vários candidatos, uma vez que a riqueza gerada influenciará decisivamente as condições de vida das gerações futuras que decidirão viver no nosso concelho.
Os investimentos em inovação e em projetos de empreendedorismo local, alavancados no know-how acumulado de várias gerações são opções perfeitamente válidas para estimular o crescimento económico no concelho, mas quando estes investimentos se concretizam na criação call centers da Segurança Social ou de contact centers de multinacionais tenho dúvidas sobre o que se entende por investimentos em inovação.
A criação de um contact center da Altice onde os colaboradores falam francês não pode ser o exemplo de inovação para a cidade nem para o concelho. O único fator diferenciador da região para ter sido escolhida como localização do contact center foi o custo da mão-de-obra, porque francês há seguramente milhões de franceses que o sabem falar fluentemente.
Um crescimento económico assente no baixo custo da mão-de-obra não é uma solução de longo-prazo e, apesar de popular no curto-prazo e de granjear vistosos apoios aos protagonistas, duvido que esta seja a solução mais avisada para garantir o sucesso de longo-prazo da região.
Não há como discordar da iniciativa de criação dos mais de trezentos postos de trabalho direto que estes investimentos geraram, mas ambos os projetos apregoados deixam-me apreensivo quanto à sustentabilidade de um crescimento económico alavancado no baixo custo da mão-de-obra do concelho.
[email protected]