Muitas das inovações das últimas décadas são hoje um dado adquirido, não sendo possível imaginar o mundo sem esses novos produtos ou processos de produção. As inovações mais visíveis e com maior impacto social acabam por ser as relacionadas com a engenharia e a bioengenharia devido às suas potenciais aplicações em áreas extremamente sensíveis, como a energia, os transportes e a saúde.
Apesar de não ser um sector particularmente reconhecido pela sua capacidade inovadora, o sector do retalho alimentar revolucionou nas últimas décadas a experiência de compra em loja e, sobretudo, a forma como escolhemos os nossos alimentos. No retalho alimentar o cliente tem e terá sempre razão, e a procura por satisfazer essa razão é o principal motor da inovação neste sector.
As despesas em alimentação continuam a ser das mais representativas do orçamento familiar e os vários operadores do sector têm inovado para que os seus consumidores tenham uma melhor experiência de compra e consigam encontrar exactamente os produtos que procuram com garantia de qualidade e a preços acessíveis. As margens de retorno do sector são relativamente baixas, sobretudo devido à grande concorrência, aos custos logísticos e às quebras (devido à perecibilidade dos produtos). Estas margens baixas, entre 5% a 10%, muitas vezes não permitem investimentos significativos em inovação.
Muitos dos grupos empresariais do sector conseguiram nas últimas décadas ganhar uma escala mundial, respondendo às suas margens reduzidas. Aumentando a escala e o número de consumidores que compram nas suas lojas, estas corporações são capazes de diluir os pesados custos logísticos, mantendo os preços baixos.
Apesar destas contrariedades, as inovações no sector do retalho alimentar são uma constante, melhorando a experiência de loja dos consumidores e respondendo às suas necessidades de produtos mais frescos, de melhor qualidade, a um preço baixo. Como é óbvio, esta combinação acaba por perpetuar as margens baixas no sector, sempre ao serviço do consumidor final.
Não querendo ser exaustivo, destacaria três inovações que marcaram a segunda metade do século passado, nomeadamente o carrinho das compras, inventado por Sylvan Goldman, as caixas de cartão para acomodar as pizzas, inventadas por Tom Monaghan, e as refeições prontas a consumir, inventadas por Gerry Thomas.
Actualmente estas inovações fazem parte do nosso quotidiano e ninguém ousa questionar a sua extraordinária utilidade, mas todas elas têm menos de 60 anos. O carrinho das compras permitiu que a experiência em loja fosse muito mais agradável, as caixas das pizzas forneceram uma excelente acomodação para um produto quente e saboroso e as refeições prontas a consumir reduziram substancialmente o tempo perdido na cozinha.
Recentemente, os take-aways, as padarias e a frescura do peixe e da carne nos vários supermercados transformaram a imagem e os aromas de como as antigas lojas se apresentavam aos seus clientes. Deixaram de ser armazéns com diferentes produtos amontoados para passarem a ser mercados inteiramente desenhados para satisfazer as necessidades e as exigências dos consumidores.
No futuro, com o desenvolvimento da tecnologia dos drones, todo o sector do retalho, e não apenas do retalho alimentar, pode revolucionar a forma como são efectuadas as entregas das compras ao domicílio satisfazendo, mais uma vez, as exigências de consumidores cada vez mais rigorosos e ávidos por produtos de qualidade a preços baixos.