Nos últimos tempos, jornais e comunicação em geral têm colocado perante os nossos olhos cenas de rebelião nas ruas da China. Por serem tão raras e proibidas, todos ficámos admirados com tais gestos de rebelião, despoletadas pela Covid. Medidas ditatoriais, tomadas pelo governo central, foram mal recebidas por grande parte da população chinesa. Mas foram sobretudo os jovens, mais uma vez, que vieram para a rua gritar por Liberdade. Como esta palavra não se encontra no vocabulário do regime de Xi Jinping, uma resposta musculada tentou colocar um ponto final nestas iniciativas. Pois tudo se decide a partir de cima e exige obediência incondicional, o governo não abre mãos para permitir iniciativas e palavras tão estranhas, naquele mundo totalitário. O resultado tem sido uma forte repressão policial nas ruas de muitas cidades, para se tentar travar o clamor que se tem feito ouvir. É verdade que o governo central já se abriu a algumas reivindicações que obrigavam parte da população a permanecer encerrada nas suas habitações, de uma maneira coerciva. Como as vacinas chinesas não têm dado o resultado positivo das europeias e americanas, a população continua a sofrer e a morrer em larga escala.
Deste modo, os protestos que começaram contra a política de covid zero, rapidamente se transformaram num apelo inédito à liberdade e à demissão de Xi Jinping. Os chineses, deste modo, mostraram ao poder que já estão fartos das políticas de confinamento que têm perturbado as suas vidas diárias.
Tudo começou a 24 de novembro em Urunqui, capital de Xiniiang. Um fogo que se iniciou num apartamento, resultando na morte de dez pessoas, e ferindo gravemente outras nove, porque nem os moradores podiam sair dos apartamentos nem os bombeiros podiam entrar para controlar as chamas e acudir aos moradores.
Como se encontrava selado, às ordens das autoridades, pela política absurda e totalitária de controlo do covid-19, o resultado foi esta problemática situação. O que o governo central não imaginava era a onda de solidariedade que se levantou pela grande China de revolta contra tão absurda medida a que as pessoas tinham sido sujeitas.
Os protestos reuniram uma federação transversal de descontentamento geral, desde operários fabris e classes médias a lojistas e estudantes. Uma escalada nacional de protesto político que a muitos lembrou o grande e terrível massacre de Tianamen de 1989 de triste memória. Desta vez, os chineses vieram para a rua obrigando o poder político a suavizar as medidas que havia tomado. Foram protestos em larga escala, a desafiar directamente a política do governo central, cujo presidente fora reeleito muito recentemente, por mais uma dezena de anos.
Os chineses mostraram assim que estão fartos da política do governo central que tem desgastado a economia do país durante os três anos da pandemia, pelos confinamentos contínuos e maciços bem como das poucas liberdades de que gozavam.
Hoje, com um mundo aberto pelos meios tecnológicos existentes é impossível fechar os olhos e os ouvidos ao que se passa no mundo, com os países a regressarem paulatinamente à normalidade possível. As ditaduras terão no futuro uma vida muito difícil, quando o mundo, cada vez mais, se está a tornar numa grande aldeia global, onde todos estamos ligados pelas redes tecnológicas.
Como se verifica, a persistência em manter uma política de nacionalismo da vacina chinesa,
ao ter-se recusado a importar as vacinas ocidentais, continuando a ministrar a sua vacina que é menos eficaz e oferece uma menor protecção às mutações do vírus.
Assim se explica que ainda hoje a população tem que estar em isolamento forçado e em massa, porque não ganhou imunidade suficiente para poder relaxar os cuidados a ter com a guerra contra a covid. Por esta razão, a grande China enfrenta hoje um dos maiores surtos da doença que a partir deste país, se alastrou por todo o planeta.
Com a sua economia a crescer metade do previsto e com a fadiga social na restrição das liberdades que a dimensão dos protestos demonstra, é natural que estes tenham algumas consequências num país que se encontra num processo global da sua economia, tentando alastrar a sua influência a todo mundo.
Todos nós temos presenciado a contínua presença das lojas chinesas no nosso país. Uma força comercial e financeira que não pára de crescer. Ao menos aqui gozam de liberdade.
Um Santo e Feliz Natal