“O rancor, do ódio insaciável e inextinguível”
Ramalho Ortigão
“A sua malícia d'enveja”
Gil Vicente
Sou obrigado a responder uma vez mais a uma sucessão de difamações e insultos com os quais fui atingido nas páginas deste jornal, esclarecendo que os mesmos me merecem o destino sugerido pelas palavras indignas do articulista em causa: o balde dos desperdícios, como aliás deveria ter idêntico destino toda a prosa destes artigos, enfatuada, barroca e vazia de qualquer conteúdo válido, adornada de citações pseudo eruditas para criar efeito de ouropel no leitor mais ingénuo, de quem se faz passar por historiador isento, mas que em vez disso é antes, neste caso, um ficcionista de uma História pervertida e adaptada à sua própria visão distorcida e delirante.
Devo ainda esclarecer que a minha resposta é não apenas uma vez mais em defesa do meu bom nome e neste caso da minha obra, mas sobretudo uma vez mais em defesa da verdade e também por respeito aos leitores igualmente atingidos por este lixo gratuito e malévolo.
O articulista além de historiador delirante, que repito, nestes artigos deu provas de o ser, como de investigador pouco rigoroso e credível, quer agora novamente passar por crítico literário.
Na verdade, não reconheço qualquer competência a este senhor para avaliar não apenas a minha poesia, mas qualquer poesia - como aliás já o pude afirmar. A única competência que lhe reconheço é a que tem demonstrado nesta sequência de artigos disparatados e cada vez mais insultuosos, justamente a da maledicência obsessiva e persistente, do insulto, da injúria e da difamação em que é perito.
A sua defesa da nobre causa da “História” de Castelo Branco, a que se vê obrigado, implica, o insulto mais torpe, e ainda a tentativa de menorizar, desvalorizar a obra de terceiros, estratégia com a qual agora me brinda, tendo como alvo o meu primeiro livro que leu compulsivamente durante dias, não se sabe bem porquê, visto que dele diz o pior. Por masoquismo? Não me parece. Para arranjar, por certo desesperadamente, argumentos, para melhor o poder denegrir e à minha própria poesia que logo no seu alvor, diga-se de passagem, mereceu o elogio do grande poeta Eugénio de Andrade (parco em elogios, como se sabe) justamente referindo-se a este meu livro de estreia, Quando: “Que difícil um primeiro livro! Ainda por cima um livro de amor, de amor juvenil, quando o orvalho e o lume se fundem na mesma lágrima! Começas bem melhor do que eu comecei - espero que chegues mais longe. Porque tu vais crescer como poeta. E para isso só há um caminho: trabalhar.” Eugénio de Andrade que, acrescente-se, veio posteriormente a admirar a minha poesia, como o confirmou e escreveu, por diversas vezes, o saudoso jornalista Fernando Paulouro, recentemente falecido.
Por sua vez escreveu, um dos mais respeitados críticos de poesia portugueses da atualidade, Pedro Mexia, sobre o mesmo livro, alvo da fúria patética do articulista: “Gonçalo Salvado insere-se na tradição mais rica da poesia portuguesa que é também a mais exigente: a tradição do lirismo amoroso (…) numa fecunda linha de erotismo casto que tem o seu expoente máximo no Cântico dos Cânticos. (…) Este percurso ao mesmo tempo genuinamente vivencial e rigorosamente poético, vive do fulgor que se atinge pela brevidade, pela dispersão e que traduz, sem sentimentalismo meramente retórico, um total empenhamento amoroso. O segredo da voz de Gonçalo Salvado é a mistura da intensidade com descrição, que é também o que dá unidade a este livro. (…) Na sua obra de estreia, Gonçalo Salvado aventura-se na mais terrível temática – aquela que Rilke aconselhava que se evitasse – e triunfa. Podemos dizer que quem se estreia assim está preparado para escrever poesia, e não meramente versos. Assim o desejamos.”
aqui me fico não acrescentando a estes, os pareceres que a minha já vasta obra de cerca de 20 livros publicados mereceu a algumas das figuras de maior notoriedade na cultura do nosso País. Agradecendo a este articulista a publicidade a que a sua maledicência inglória e a ‘enveja’ crónica de que padece por todos aqueles que possuem identidade, talento e brilho próprios (ainda que publicamente o tente negar) me obriga a fazer da minha obra.
O MENOSPREZO POR UMA QUEIXA-CRIME FUNDAMENTADA E ENTREGUE NA POLÍCIA JUDICIÁRA QUE LHE DEU IMEDIATO SEGUIMENTO
A esta maledicência nos termos mais pejorativos têm vindo a juntar-se um sem número de graves insultos, o que me mereceu uma queixa-crime na Polícia Judiciária divulgada nas páginas deste jornal. Que desvaloriza aludindo a uma queixa por “açoites verbais”, o que não corresponde à verdade.
De facto, o que está em causa e um adulto com o seu grau de escolaridade deveria compreender em vez de troçar com uma total inconsequência das faltas que lhe são atribuídas, são graves insultos repetidos em crescendo e publicados com continuidade nas páginas deste Jornal, o que a Constituição da República Portuguesa que defende o direito ao bom nome e à reputação, não permite.
Não vou referir aqui o caudal desses insultos com os quais atingiu o meu bom nome e agora a minha obra, depois de ter tentado diminuir e desvalorizar a do meu Pai, ao que respondi em artigos anteriores. A esses insultos, a essa difamação acusando-me de porta-voz de um roubo deverá responder em sede própria, o Tribunal. Pelos vistos arroga-se o direito de ignorar a lei supondo-se imune àquela que rege o resto da humanidade.
PALADINO DE UMA CAUSA FALSA E PERDIDA
Acima da qual se coloca - igualando-se num paroxismo de megalomania e presunção delirantes incompreensíveis da parte de quem ataca a suposta vaidade alheia! a Frei Heitor Pinto - como paladino, não da verdade, mas da rotunda mentira, alegando falsamente um empenho maiúsculo na defesa do nome de Jaime Lopes Dias para a Biblioteca Municipal de Castelo Branco, causa maior da sua vida que durante décadas ignorou, desde 2007 (as obras começaram em1994) data da inauguração do novo edifício e até à atribuição em 2023 do nome de António Salvado.
A Biblioteca Municipal de Castelo Branco inaugurou assim em 2007, sem que o nome de Jaime Lopes Dias, nunca foi oficializado anteriormente, lhe fosse de algum modo associado e sem que tal situação o tenha minimamente preocupado, nem merecido na altura, e posteriormente, um ápice da sua imparável verborreia maldosa. O que só aconteceu em 2023 assim que tomou conhecimento da escolha pela edilidade, do nome de António Salvado. Esta é aliás a melhor prova de que aquilo que o move não é o interesse por Jaime Lopes Dias, mas a não aceitação, e por motivos claramente pessoais, desta distinção ao grande poeta António Salvado, meu saudoso e querido Pai. Como aliás já todos devem ter percebido. Há que referir uma vez mais, que se esqueceu (!!!) de mencionar em obra sua publicada em Castelo Branco em 2017, no conjunto das distinções de que foi alvo Jaime Lopes Dias, essa atribuição do seu nome à Biblioteca Municipal de Castelo Branco, pela qual na atualidade se bate tão furiosamente. Simplesmente porque essa realidade nunca foi um facto, como um historiador que se preze, não podia deixar de reconhecer.
Na verdade, a mudança de edifício não obriga a mudança de nome, o que se passa é que o nome de Jaime Lopes Dias nunca foi atribuído oficialmente à Biblioteca Municipal de Castelo Branco, repito, nem votado em Assembleia Municipal, como foi o caso relativamente ao nome de António Salvado por livre escolha e decisão, pelo mérito do mesmo, da Assembleia Municipal de Castelo Branco. E esta é mais uma verdade que este defensor da legalidade se obstina em ignorar, não aceitando uma decisão democrática, da maior justiça, atendendo ao perfil cultural nacional do poeta em causa, decisão que vigora e vigorará.
O DELÍRIO DA TEORIA DO COMPLOT
Recordar e enaltecer a figura de Jaime Lopes Dias, honrar a sua memória, não significa minimizar a figura de António Salvado, cujo nome foi atribuído por uma decisão democrática, repito, à Biblioteca Municipal de Castelo Branco, escolha e decisão com a qual Família e amigos nada tiveram a ver, ao contrário do que falsamente e repetidamente em termos injuriosos afirma e tão longe da realidade que raiam o cómico: “Retrospectivamente, à distância, vejo agora todo o borborinho que se criou à volta daquela instituição, com palestras e encontros literários, e o cozinhar do caldinho das conveniências pessoais, entre amigos do poder e a falange de admiradores.” Como já aqui referi esta decisão não apenas não foi de qualquer modo induzida pela família e amigos de António Salvado, a quem tal nunca ocorreu, como constituiu para todos uma grande, e devo dizer grata surpresa, quando o Sr. Presidente da Câmara a anunciou em sessão dedicada a Eugénio de Andrade, na qual tive a honra de participar.
PORTA VOZ DE UM ROUBO SUPOSTAMENTE COMETIDO PELA CÂMARA MUNICIPAL DE CASTELO BRANCO
Depois de sucessivamente e num crescendo me insultar e acusar qualifica-me agora como “rosto público deste roubo moral, desta velhacaria ignóbil” que atribui à Câmara Municipal de Castelo Branco, a quem pela primeira vez aponta o dedo, e a quem compete, por conseguinte, defender-se e esclarecer devidamente e definitivamente a situação, perante a opinião pública.
No que me diz respeito, tenho a declarar que é com muita honra que me considero o porta-voz, não de um roubo, acusação falsa e lastimável, à qual pretendo contrapor uma vez por todas a verdade, mas da legítima defesa não apenas do meu Pai, mas de um vulto eminente da nossa literatura e da nossa Cultura, imune aos malévolos e injustificados ataques de que tem sido alvo e cuja memória fará sempre parte, com lugar de destaque, da História de Castelo Branco.
*Poeta