Paulo Samuel é quem organiza e coordena esta comemoração
A Câmara Municipal de Castelo Branco vai promover a comemoração do V Centenário do nascimento de Luís Vaz de Camões, na linha do que é geralmente aceite como data provável - 1524. A iniciativa conta com a colaboração da Biblioteca Municipal António Salvado e foi organizada por Paulo Samuel.
De acordo com o que o Reconquista apurou, esta comemoração foi delineada no início do ano para se concretizar em junho passado, mas só agora se tornou possível viabilizar. “Desdobra-se em várias sessões, desde conferências a representações performativas (Váatão Teatro e Teatro Mimabô), passando por leituras de versos de Camões por alunas e alunos da Usalbi (com coordenação da Professora Milola) e também por alunos de diferentes agrupamentos de escolas do concelho”, como refere o seu coordenador.
Por outro lado, diz-nos Paulo Samuel que “um dos aspetos mais significativos desta comemoração camoniana, numa relação direta com Castelo Branco, será a exposição bibliográfica e iconográfica associada a Camões”, cuja abertura está marcada para o final da tarde do dia 20 de novembro, pois nela vão ser expostas algumas “raríssimas edições de Os Lusíadas e das Rimas, impressas no século XVII, que integram o fundo antigo da biblioteca municipal”. O organizador e coordenador desta iniciativa também realça o facto de se reunirem nesta exposição muitos outros exemplares de diferentes e valiosas edições de Obras de Luís de Camões e de Os Lusíadas, em particular, datadas dos séculos XVIII e XIX, designadamente a que foi anotada pelo Pe. Tomás José d’Aquino (1779), ou a edição portuense de Emílio Biel (1880), considerada uma das mais belas de quantas até hoje foram impressas.
No total, serão 55 documentos bibliográficos de Luís de Camões (tantos quando os anos que viveu o autor) e 115 de bibliografia passiva, aos quais se juntam outros livros (raras traduções, por exemplo) e álbuns relacionados com iconografia camoniana. “Neste domínio artístico, será ainda de admirar um busto de Luís de Camões, cuja autoria não se pôde ainda determinar, o qual, após recente restauro, integra agora o acervo da biblioteca e será visto certamente pela primeira vez por grande parte da comunidade albicastrense e por quantos, de fora da cidade, marquem presença nesta iniciativa”, frisa Paulo Samuel.
Um livro-catálogo, preparado para esta comemoração camoniana, descreve todos os impressos expostos e ainda algumas das peças artísticas que se vão dispor no átrio da biblioteca. O ciclo de conferências, do maior interesse para um conhecimento atual de Luís de Camões (da sua personalidade e obra), reúne prestigiados nomes dos estudos camonianos, nomeadamente Rita Marnoto, José Carlos Seabra Pereira e Manuel Ferro, todos ligados à Universidade de Coimbra, e outros participantes como Adelaide Salvado, Abel de Lacerda, Virgílio C. Dias e o próprio Paulo Samuel.
O calendário das conferências e de todos os atos desta iniciativa (que decorre de 20 novembro a 13 de dezembro) está exposto na biblioteca e dele também dará nota atempadamente o Reconquista. No último dia (13 de dezembro), a sessão de encerramento (17H00) será precedida por uma conversa (entrevista) com a escritora Isabel Rio Novo que publicou recentemente uma densa biografia de Luís de Camões (de ora em diante referencial), fruto de uma aturada investigação (em Portugal e no estrangeiro) que durou cerca de cinco anos. Resta assinalar que ocorrerá no átrio da biblioteca e ao longo de todos os dias uma contínua projeção em vídeo de 53 imagens de Luís de Camões, as quais talvez possam avivar reminiscências e lembranças escolares e reforçar o quanto o poeta dessa obra maior que são Os Lusíadas se mantém presente na memória coletiva do povo português.