Ambiente não rola sobre rodas (foto ISO6)
Há um ambiente “poluído” no cenário ciclístico da Beira Interior, com clubes a apontarem o dedo à associação distrital e esta a defender-se das acusações. As altercações já foram ouvidas em contexto público, como na cerimónia final da prova de Castelo Branco, em que as coisas chegaram a aquecer. As críticas invadiram também as redes sociais.
José Maria Alves, das Bicicletas Santiago, é dos mais revoltados. Em causa está a colisão de datas das provas regionais com os compromissos dos calendários nacionais. No dia em que se realizou o Campeonato de Maratonas, a 21 de julho, tinha os seus atletas de referência em Guimarães, no Campeonato Nacional de XCO. Ficou sem duas camisolas com que os campeões vão correr na próxima época.
“A prova de atribuição dos títulos regionais andou a saltar de data em data, até colidir com os nossos interesses. Satisfazem-se as pretensões de uns, mas não as de todos. Havia datas disponíveis que não prejudicavam ninguém”, critica o diretor desportivo da formação albicastrense.
José Maria fala mesmo em andar a brincar com coisas sérias: “As equipas apostam em atletas e têm ambições desportivas. Os próprios ciclistas e quem lhes traça os planos de treino, têm em consideração as datas iniciais. Mas, depois, essas datas são alteradas. Fazer BTT de competição já acarreta investimentos consideráveis, há muita coisa envolvida. E, depois, privam-nos de poder ganhar as camisolas de campeões?”, questiona indignado.
A Associação de Ciclismo da Beira Interior (ACBI) concorda que o processo de definição das datas das provas tem sido complexo, “por dificuldade ou impossibilidade de conciliar todos os interesses”, mas rejeita, liminarmente, qualquer ato propositado de prejudicar alguém em favorecimento de outros. “Não tem sido possível conciliar, porque há equipas que fazem XCM, outras fazem XCO, outras têm atletas nos granfondo…E há os organizadores, que também fazem valer as suas opções. Quando não há qualquer hipótese de satisfazer todas as partes, vamos por aquela que possa causar menos estragos, pela que perde menos atletas. A ACBI tem de pensar no geral e não no que é melhor para um atleta individual”.
António Silveira, presidente do organismo associativo, considera que tem de haver alguma elasticidade neste assunto, “pois qualquer dia não temos organizadores para as provas”.
E é possível um Regional de XCM calhar em cima da data de um Nacional de XCO? “A prova da Guarda está legalizada e oficializada pela Federação. Portanto, é possível. Mas o aconselhável é não acontecer”, aceita.
DISTÂNCIAS Outra acusação que vem da estrutura das Bicicletas Santiago, fundamentada em documentos, prende-se com as distâncias que cadetes e juniores percorrem nas provas da ACBI. “Oficialmente só podem fazer provas de maratonas a partir dos 19 anos. Porque não podem estar em cima da bicicleta mais de 1h15 no que concerne aos juniores; e de 1h00 para os cadetes. Mas, o primeiro júnior no campeonato fez 2h13 e o primeiro cadete 2h07. A atribuição daquelas camisolas não é regulamentar…”, denuncia José Maria Alves. “O dia em que um miúdo tenha um contratempo, quero ver como será com os seguros!”.
Neste ponto, o presidente da ACBI concorda que há coisas a retificar. Mas é perentório: “A Federação tem conhecimento do que se passa. Estamos a falar de provas oficiais”. É uma situação, garante, que irá ser corrigida: “Vamos adequar com os organizadores distâncias regulamentares. Procurar melhorar esse aspeto. Obviamente, isso representará uma dificuldade acrescida para os organizadores, mas estamos atentos”.
António Silveira diz que a associação distrital atua numa perspetiva positiva: “A Bicicletas Santiago, como equipa, não existe. Não está agregada associativamente desde que se separou da Carapalha. Os seus atletas estão federados individualmente. Mas têm sido também classificados coletivamente. Não podem olhar só para eles”.