Com a chegada de setembro, o país tende a cair na realidade. Com muitas ou poucas férias, ou talvez nenhumas, o povo regressou à sua quotidiana realidade. De regresso às aulas, os milhares de alunos - após quase quatro longos meses de suspensão das atividades letivas – vão, finalmente, iniciar mais um novo ciclo dos seus estudos. Em toda esta azáfama, professores e pais, cada qual com as suas inquietações e esperanças, face aos seus projetos familiares ou docentes. Um certo nervosismo e apreensão, face ao desconhecido, nesta altura do ano anda sempre no ar.
Se este é o ambiente social que banha estes dias, a caminhar já para o outono, o ambiente escaldante destes meses de verão, não deixarão de se manter nos próximos tempos, a nível político. Com eleições autárquicas a baterem à porta, com a próxima aprovação do Orçamento de 2017, cada partido começa a marcar as suas posições.
Da parte do maior partido da oposição, o PSD, pela voz do seu responsável maior, Passos Coelho, acompanhado pela nova geração de jovens do partido, reunidos na sua pomposa universidade de verão, as diretrizes para as lutas que se avizinham estão bem delineadas. O regresso às políticas neoliberais resolveriam os nossos problemas estruturais. Para tal, não deixando pedra sobre pedra, no que respeita às políticas da atual “geringonça”, para o PSD este governo terá já os dias contados, “condenado que está ao fiasco”.
O CDS, por sua vez, pela voz de Assunção Cristas, não se limitando a criticar o governo de Costa, arvora-se agora em defesa da classe média “vítima das esquerdas unidas”. Esta nova bandeira acabou por deixar cair a prioritária defesa dos reformados e os militares da guerra colonial, tão caras a Paulo Portas.
O rotundo ”não” às políticas do Governo, liderado pelo PS, por parte destes dois partidos em militante oposição, contrasta com o “nim” do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista, aliados do Governo do PS, agora em funções executivas.
Para estes dois partidos, a sua posição política tem sido a de tentar arrancar do Governo de Costa algumas conquistas sociais para anular as malfeitorias da austeridade da troika de Passos e Portas, sobretudo nas reformas e ordenados dos trabalhadores do Estado. As 35 horas de trabalho na função pública também encaixam no conjunto das suas reivindicações. A política colaboracionista destes paridos vai ser a de tentar aprofundar este tipo de reivindicações. Jerónimo de Sousa, na recente festa do Avante, foi bem claro. As medidas do Governo estão “aquém do necessário”. Face a tais declarações, a aprovação do próximo Orçamento do Estado começa já a ser considerado como um dado adquirido. Já que mais não seja, para que o regresso a um novo Governo de direita seja evitado. O Boco de Esquerda, sempre muito próximo do Governo, o que mais lhe interessa é que as medidas de reposição de salários e reformas, já aprovadas pelo Governo de Costa, se mantenham e reforcem ao longo desta legislatura. As suas profissões de fé no Governo de Costa são bem a demonstração de que, o BE tudo fará para continuar a manter todo o seu apoio à atual solução política de Governo.
Entretanto, política partidária à parte, mantém-se no país a segunda mais baixa fertilidade da Europa, uma das maiores taxas de emigração dentro da UE, a população vai envelhecendo, a dívida pública a subir, um crescimento raquítico, o investimento a cair e o consumo a descer.
Face a esta complexa realidade, valha-nos Madre Teresa de Calcutá, canonizada no passado dia 4 de setembro, pelo Papa Francisco. Um exemplo de como se modifica a realidade. O serviço desinteressado à comunidade, sobretudo, dos mais desfavorecidos.