O concurso para a construção do multiusos de Cebolais de Cima não teve concorrentes. A autarquia vai rever o projeto.. Mas para já a obra não irá avançar.. O Sempre contesta a decisão.
A Assembleia Municipal de Castelo Branco aprovou, no passado dia 30, por maioria (votos a favor do PS e do presidente da Freguesia de Monforte da Beira; contra do Sempre e do Chega; e a abstenção do PSD/CDS/PPM e MPT) a alteração do orçamento da Câmara para este ano, que se traduz numa diminuição de cerca de quatro milhões de euros.
Esta alteração permitirá, segundo o presidente da autarquia, Leopoldo Rodrigues, lançar a concurso os seguintes projetos/obras: Centro de Saúde de Alcains, que como o Reconquista anunciou, ficará nas antigas instalações da escola preparatória; Unidade de Saúde Familiar em Castelo Branco; requalificação da antiga Escola Primária de Monforte da Beira; beneficiação da EN 233 entre a Zona Industrial e a Autoestrada A23; reparação da estrada entre o Pé da Serra e as Sarzedas; requalificação da Cozinha Pedagógica da Escola Secundária Nuno Álvares; requalificação do Edifício da antiga Guarda Fiscal em Castelo Branco; multiusos de Benquerenças; e reabilitação do edifício D. Carlota, em Monforte da Beira, entre outras.
Com esta alteração, o multiusos de Cebolais de Cima deixa de estar contemplado. O autarca diz não “estar contra o pavilhão multiusos em Cebolais de Cima. Há um projeto para essa obra. Acontece que o concurso para a sua construção não teve concorrentes, apesar da autarquia ter aumentado o valor da obra de um milhão e 200 mil euros para um milhão e 400 mil euros. Isto é significativo daquilo que são as dificuldades do presente e certamente do futuro. Este não é um problema exclusivo de Castelo Branco, mas sim de todos os municípios, do Estado central e da Europa, que resulta da pandemia e da guerra. Para além das empresas não concorrerem aos concursos, há outro problema que é a falta de mão de obra”.
Leopoldo Rodrigues questiona: “quem mais do que o presidente da Câmara não desejaria ver estes projetos concretizados? Mas não temos respostas das empresas, e nas obras em curso temos dificuldade em que cumpram os prazos. Dou como exemplo a requalificação do Largo da Lardosa em que tivemos que lançar um novo concurso por incumprimento da empresa. O mesmo aconteceu em Almaceda”.
Ao Reconquista, o autarca diz “ter a intenção de fazer a obra do pavilhão multiusos de Cebolais de Cima e Retaxo. Iremos, por isso, fazer uma revisão ao projeto”. Leopoldo Rodrigues lembra que “aquela freguesia tem outras prioridades”, dando o exemplo “da requalificação do lar, que a Câmara vai apoiar”.
Esta questão levou os membros eleitos pelo Sempre para a Assembleia de Freguesia de Cebolais de Cima e Retaxo, a enviarem, na passada segunda-feira, um comunicado onde contestam esta alteração. “Para enorme decepção de toda a União de Freguesias de Cebolais de Cima e Retaxo, a Câmara abandonou o projecto de construção do multiusos na freguesia”.
No entender daqueles elementos, “não se compreende, nem é possível justificar tal decisão. Aspecto económico? Seguramente que não, pois a Câmara, para além de ter reduzido o seu orçamento em quatro milhões de euros, canalizou o dinheiro que gastaria na sua construção, para dois edifícios semelhantes noutros locais do concelho, conforme alteração recente ao seu orçamento, esquecendo que a freguesia de Cebolais de Cima e Retaxo é o segundo maior agregado populacional do concelho, excluindo a cidade. Aumento de preços? Também não, porque esses aumentaram para todas as obras e não só para as que vão ser executadas em Cebolais de Cima, Retaxo e Represa”.
A finalizar solicitam ao presidente da Câmara que “reconsidere a sua posição e regresse ao caminho da razoabilidade e da coerência. Ao não cumprir a promessa, defraudou as expectativas dos cebolenses e retaxenses, criando uma enorme desilusão em todos eles. Este multiusos é e sempre será uma aspiração da freguesia”. Diz ainda o mesmo documento que “na última assembleia de freguesia foi apresentada uma moção pelos membros do Sempre, no sentido de pedir esclarecimentos à Câmara a exigir a construção do multiusos. A mesma foi aprovada por maioria, já que os quatro membros do PS também são contra a construção e votaram contra”.