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Canonização: Os novos santos são dois jovens

Agência Ecclesia - 11/09/2025 - 16:02

Leão XIV dirigiu-se aos muitos jovens que participaram. Sentimos todos no coração o mesmo que Pedro e Carlos viveram, disse.

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Foto Agência Ecclesia

O Papa Leão XIV presidiu no último domingo, dia 7, à primeira canonização do seu pontificado, proclamando como santos o jovem Pier Giorgio Frassati e o adolescente Carlo Acutis, na Praça de São Pedro. “Hoje é um dia de festa para toda a Igreja, para todo o mundo”, disse antes da missa perante os peregrinos reunidos no Vaticano.

Leão XIV dirigiu-se, em particular, aos “muitos jovens” que quiseram participar neste momento. “Sentimos todos no coração o mesmo que Pedro e Carlos viveram: este amor por Jesus Cristo, sobretudo na eucaristia, mas também nos pobres, nos irmãos e nas irmãs. Todos vós, todos nós, somos chamados a ser santos. Que Deus vos abençoe”, referiu perante dezenas de milhares de pessoas que acorreram ao local, desde as primeiras horas da manhã, com cartazes e bandeiras de vários países.

A canonização é a confirmação, por parte da Igreja Católica de que um fiel católico é digno de culto público universal e de ser dado aos fiéis como intercessor e modelo de santidade. Este é um ato reservado à Santa Sé, desde o século XII, e é ao Papa que compete inscrever o novo Santo no cânone.

“Carlo Acutis é o primeiro santo da geração millennial. Nasceu em Londres a 3 de maio de 1991. Naquela época, os pais originários de Itália viviam em Londres, onde o pai trabalhava”, começa por referir o texto relativo ao adolescente que, com poucos meses de idade, regressou a Milão. O Vaticano destaca que, “na vida de Carlo nunca faltaram sinais concretos de sua profunda ligação com a eucaristia: a participação diária na missa ou a ‘comunhão espiritual’ nos dias em que estava ocupado com a escola, os pequenos sacrifícios feitos em reparação às faltas de amor a Jesus Eucaristia e as histórias contadas aos amigos”. “É famosa a sua frase: «A Eucaristia é a minha autoestrada para o Céu»”, acrescenta a nota biográfica.

O documento destaca também o uso da informática, que usou na promoção da oração do Rosário. A nota sublinha o “carisma franciscano da alegria, da contemplação e do respeito pela criação, da busca da paz e da doação de si mesmo aos mais necessitados” que marcou a vida do adolescente que em outubro de 2006 recebeu o diagnóstico de uma forma agressiva de leucemia, vindo a falecer poucos dias depois, aos 15 anos.

O Papa Francisco reconheceu um primeiro milagre, ocorrido na Arquidiocese de Campo Grande (Brasil), em 2013, por intercessão de Carlo, o que tornou possível a sua beatificação a 10 de outubro de 2020, na basílica de São Francisco em Assis. O reconhecimento de um segundo milagre, ocorrido em Florença, em 2022, abriu o caminho para a sua canonização.

Pier Giorgio Frassati, por seu lado, foi canonizado 100 anos depois da sua morte, a 4 de julho de 1925. O novo santo nasceu em Turim a 6 de abril de 1901, “filho de uma das famílias burguesas mais influentes” da cidade italiana. “A sua profunda fé alimentava-se da Eucaristia diária, da oração e da confissão frequente”, recorda o Vaticano.

Frassati esteve ligado às Conferência Vicentinas e “passava a maior parte do seu tempo livre a visitar famílias pobres, sacrificando o seu dinheiro para ajudar os mais necessitados”. “De temperamento alegre e expansivo, viveu no ambiente universitário o valor da amizade e da proximidade com todos, sem medo de manifestar a sua fé”, tendo integrado a Juventude Católica e recebido hábito da Ordem Terceira Dominicana.

O Vaticano sublinha que, durante os anos do fascismo, o novo santo “pagou várias vezes com a sua própria pele o seu envolvimento no associacionismo católico e nas fileiras do Partido Popular”. No final de junho de 1925, apareceram os sintomas da poliomielite fulminante que, em poucos dias, o levaram à perda de apetite e de movimentos. “Antes de entrar em coma e falecer, recebeu os últimos sacramentos da fé. Muitas pessoas participaram no funeral e na sua última despedida”, conclui o texto.

A sua beatificação foi presidida por São João Paulo II, em 20 de maio de 1990, na Praça de São Pedro; em 2024, o Papa Francisco reconheceu um milagre atribuído à intercessão de Pier Giorgio Frassati, nos Estados Unidos da América.

No pontificado de Francisco (2013-2025), seu antecessor, foram canonizados, entre outros, Francisco e Jacinta Marto, pastorinhos de Fátima; D. Frei Bartolomeu dos Mártires (1514-1590), arcebispo de Braga, arquidiocese que incluía na altura os territórios das dioceses de Braga, Viana do Castelo, de Bragança-Miranda e de Vila Real; o sacerdote português Ambrósio Francisco Ferro, morto no Brasil a 3 de outubro de 1645 durante perseguições anticatólicas, por tropas holandesas; o padre José Vaz, nascido em Goa, então território português, a 21 de abril de 1651, que foi declarado santo no Sri Lanka; e José de Anchieta(1534-1597), religioso espanhol que passou por Portugal e se empenhou na evangelização do Brasil.

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