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Casais em isolamento

Mário Freire - 09/04/2020 - 10:57

Teve lugar no passado dia 25 de Março uma entrevista na RTP3 com o psiquiatra e professor catedrático jubilado Daniel Sampaio. Ela encontra-se disponível na internet e vale a pena vê-la (ou revê-la).
De entre os vários temas ali tratados, todos de grande interesse nos momentos que estamos vivendo, destaco aquele que se refere ao confinamento a que uma parte muito significativa das famílias se encontra obrigado, devido à pandemia da Covid 19 e, muito especialmente, aos problemas que esse confinamento pode conduzir, no que se refere à relação entre os cônjuges. 
Ora, mesmo em tempos normais, em que cada um tem a liberdade de sair, de conviver presencialmente com outros, a taxa de divórcios é, segundo foi afirmado, de cerca de 60%. Acontece que, se a relação é de instabilidade no casal, em caso de isolamento, as tensões tendem a agravar-se. Por isso, diz Daniel Sampaio, que “é preciso que as pessoas regulem as suas emoções, que antes de as descarregar no parceiro ou parceira, se interroguem: ‘porque é que eu estou enraivecido (a)’?” Aconselha a que se “respire fundo”, antes de as mensagens que possam magoar sejam proferidas.
Outro aspecto a que o Prof. Daniel Sampaio se referiu foi o “tom” com que se exprimem as emoções, o modo como se dizem as frases. Por vezes, gera mais tensão a forma como é proferida a mensagem do que o seu próprio conteúdo. “Se conseguirmos aliviar as tensões nos relacionamentos, podemos descobrir aspectos novos na personalidade nos outros e que desconhecíamos”, diz o psiquiatra.
Outro tema abordado foi o de, em casais em que já exista uma certa hostilidade, esta proximidade poder gerar situações de intensa fricção que possam conduzir à violência doméstica. Por isso ele refere que “irá haver um período de pós-pandemia não só de graves situações económicas como, igualmente, de natureza emocional, com muitas roturas.” A estratégia será a de procurar ajuda, activar linhas de emergência. Neste âmbito, foi referido o trabalho de mérito da APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima). A este propósito, foi trazido para a entrevista o tema do álcool. “Só haverá uma diminuição da violência doméstica quando houver uma resposta terapêutica para o problema do alcoolismo,” diz Daniel Sampaio. 
Enfim, nestes tempos sombrios para as famílias, mas também para a economia e sociedade em geral, que haja alguém que nos traga um pouco de sol! 

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