Agosto despede-se de Castelo Branco com dois dias de festa num dos espaços mais bonitos mas também recônditos do coração da cidade.
A quinta da Fonte Nova volta a ser a casa do Sintonias, o festival organizado pela Associação Sintonizados que depois da estreia em 2016 no Cine Teatro Avenida se instalou definitivamente nesta quinta.
A novidade é que em vez de um dia este ano terá dois, começando na noite de sexta-feira, 30.
“O festival ganhou dimensão e os festivaleiros que chegam desde a primeira edição foram deixando mensagens sobre se este ano haveria um segundo dia”, diz Fábio Ramalho, da organização do festival.
A associação foi sensível e decidiu fazer-lhes a vontade, mantendo no entanto aquela que tem sido a matriz do evento.
“O espírito do festival mantem-se, por que nos permite fazer o festival à tarde prolongando-se pela noite. É um espaço que está dentro da cidade mas ao mesmo tempo parece fora”, diz.
Os concertos acontecem num espaço relvado guardado por árvores de grande porte que normalmente caracteriza os festivais que decorrem foram das localidades.
Mas este é também um espaço simbólico para a banda que esteve na origem do festival, já que foi não muito longe dali que os Sintonizados nasceram, juntando elementos que se cruzaram na Orquestra Típica Albicastrense.
No primeiro dia os concertos começam às 21H30, com os Slash N´Roses (tributo aos Guns N´Roses) e a banda da casa, os Sintonizados.
No sábado as portas abrem às 16H30 com os Vodoo Marmalade, Equinócio, Wakadelics, Leonor Santos e Eduarda Martins, DJ Set 9 e a Tramédia.
O recinto recebe ainda uma exposição de fotografia, jogos tradicionais e um espaço de leitura.
Os bilhetes para os dois dias custam apenas cinco euros e as crianças que frequentam o pré-escolar e primeiro ciclo não pagam.
Fábio Ramalho explica porquê: “muitas vezes há dificuldade das famílias em irem a festivais por que o bilhete se torna bastante caro. Três ou quatro pessoas já fica um preço bastante avultado”.
O programa foi apresentado na Câmara Municipal de Castelo Branco, onde o vice-presidente José Augusto Alves considerou que o festival é mais um exemplo “do dinamismo e da hiperatividade das nossas associações”.
Leopoldo Rodrigues, o presidente da Junta de Freguesia de Castelo Branco, pediu também a compreensão de quem vive na zona do festival devido ao ruído, reconhecendo que a associação tem tido o cuidado de conciliar a festa com o bem-estar dos residentes.
ECO A Ecozoic- Associação de Jovens para o Ambiente e Direitos Humanos está de regresso ao festival para avaliar o impacte ambiental e propor soluções.
Em 2017 colaboraram com o Sintonias, fazendo um primeiro diagnóstico ambiental do festival “desde a energia, a água, o ruido, o consumo de materiais e emissões de gases de efeito de estufa”, diz Cláudio Duarte, que é dirigente desta associação fundada por estudantes da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, na Caparica.
Cinco elementos da associação vão estar no festival para fazer um novo diagnóstico e propor medidas para que em 2020 o Sintonias seja ainda mais verde.
A reciclagem e o aproveitamento de paletes para o mobiliário e outras estruturas são ideias postas em prática em edições anteriores.
Este ano ainda não vão ter copos reutilizáveis mas esse será o caminho a seguir em futuras edições.
“Quando uma organização é tão pequena como é este caso torna-se um bocado mais difícil de aplicar”, diz Cláudio Duarte, que é também membro dos Sintonizados.
Há dois anos a Ecozoic chegou à conclusão que foram emitidos 10 quilogramas de gases de efeito de estufa para a atmosfera, principalmente pela energia consumida, estudando a hipótese de no futuro compensar estas emissões com a plantação de árvores.
A Ecozoic trabalha para que os estudantes desta área possam ter a oportunidade de aplicar os seus conhecimentos e tem colaborado com outros festivais, como o Sol da Caparica, entre outros eventos na margem sul do Tejo.
A diferença é que no Sintonias esse trabalho não se restringe aos resíduos, abrangendo várias áreas.