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Castelo Branco: Forais poderão ser vistos na cidade

José Júlio Cruz - 02/04/2026 - 16:30

Governo abre a porta à translação temporária de documentos históricos originais para que possam ser apreciados pela população.

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Cerimónia decorreu na cidade albicastrense

O secretário de Estado da Cultura referiu em Castelo Branco que a cidade albicastrense poderá vir a receber os originais da Carta de Foral de Pedro Alvito, o Foral Manuelino e outros documentos de relevo para esta região para que possam ser apreciados de perto no futuro Centro de Interpretação Mestre Templário Pedro Alvito, na igreja de Santa Maria do Castelo, que está a ser edificado pelo município.
Alberto Santos falava no decurso das celebrações do Dia Nacional dos Centros Históricos Portugueses que incluiu a cerimónia da entrega do prémio «Memória e Identidade». O governante esclareceu que o acolhimento desses documentos seria temporal, em data a definir oportunamente, por razões que se prendem com a sua preservação e incumbiu o albicastrense Luís Santos, atual diretor da Torre do Tombo e diretor-geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas “de tornar isso possível”.
Reconhecendo o trabalho que tem sido efetuado pelo município albicastrense não apenas na alcáçova do castelo, como na valorização da zona antiga da cidade, Alberto Santos disse que “essa valorização é decisiva para que a zona tenha vida e seja um local residencial e frequentado pelas pessoas”. É nesse contexto que a vinda dos documentos e de outros motivos de interesse ao futuro centro de interpretação será também um contributo para a atratividade do local.
Relativamente às celebrações do dia nacional que se assinalou a 27 de março, falou da importância dos centros históricos serem utilizados pelas pessoas.
Leopoldo Rodrigues tinha momentos antes lembrado a história templária e a estratégia que tem estado a ser implementada para acrescentar conteúdo e atratividade à zona antiga, realçando investimentos públicos como o do Museu Cargaleiro, a Casa do Arco do Bispo, o Centro Interpretativo do Bordado e projetos em curso como o que decorre na igreja de Santa Maria do Castelo, a Escola de Chefs, o Tribunal Central Administrativo do Centro e a necessária recuperação da igreja de Santo António, obra que, como referiu, deverá ascender a um milhão de euros.

PESSOAS Hugo Pereira (da Câmara de Lagos) preside atualmente à direção da Associação Portuguesa dos Municípios com Centros Históricos que existe desde 1953 e que alberga atualmente 101 municípios. “As cidades foram feitas para as pessoas viverem e devem por isso promover políticas que integradas para que os centros históricos não se tornem ilhas, mas sistemas dinâmicos e funcionais, onde a habitação tenha um papel fundamental que induza ao comércio e a equipamentos de proximidade”, frisou na mesma ocasião.
Ne mesma linha seguiu um dos homenageados com o prémio «Memória e Identidade». Leonel Fadigas, Arquiteto Paisagista e Urbanista, foi perentório em afirmar que “trazer gente aos centros históricos implica mudar algumas coisas, há alguns paradoxos que importa reverter, desde logo a legislação obsoleta e ineficaz, porque importa dar sentido ao património que só se conserva se for vivo, sob pena e passarmos da História para a Arqueologia”.
O outro distinguido do dia, o padre Joaquim Nunes Ganhão, diretor do Museu Diocesano de Santarém, optou por não discursar. Ambos foram agraciados por se terem destacado na defesa e promoção do património, inspirado no lema “transformar sem destruir, crescer sem devorar as raízes”. A distinção enaltece percursos de vida marcados pela dedicação à arquitetura, engenharia, história e artes, áreas fundamentais para a preservação e dinamização dos centros históricos - verdadeiros guardiões da memória coletiva, dos valores culturais e da identidade.
Em anos anteriores, receberam este prémio figuras como António Ramalho Eanes, Júlio Pomar, José Saramago, Helena Roseta ou Jorge Sampaio.

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