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Castelo Branco: Vereadores debatem despovoamento e freguesias

José Júlio Cruz - 26/09/2019 - 10:30

A economia e o despovoamento estiveram no centro do debate na reunião pública do executivo camarário albicastrense.

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A criação de emprego esteve em cima da mesa na reunião do executivo

A notícia da criação de 200 novos postos de trabalho em Castelo Branco por parte da SIBS Processos foi comentada e debatida no decorrer da reunião pública do executivo camarário albicastrense na passada sexta-feira, dia 20. Cláudia Soares (PS) registou “com agrado o investimento da empresa e os 200 postos de trabalho agora criados, a concretizar nos próximos 12 meses”.

Para a vereadora socialista, “o impacto social e económico que esta medida trará ao concelho é bastante relevante” e isto, como refere, “vai ao encontro da estratégia de atração de investimentos que tem vindo a ser desenvolvida por esta autarquia”. A mesma responsável lembrou de seguida que essa estratégia assenta num importante conjunto de medidas que vão desde a requalificação do espaço urbano e aumento da qualidade de vida no concelho às infraestruturas de apoio e criação de ecossistemas próprios para o investidor, como são os casos dos clusters.

Também a oposição se regozijou com este investimento empresarial. Carlos Almeida (PSD) referiu até que “quando há boas notícias, elas também são boas notícias para a oposição, só é pena que quando fazemos alguns contributos eles sejam desvirtuados”. Sobre esta questão, lembrou também que “é o vereador Hugo Lopes que lidera a SIBS Processos em Castelo Branco e que deve por isso também ser feita justiça ao seu meritório trabalho e da sua equipa, porque neste como noutros casos cada um à sua medida luta sempre pelo melhor para Castelo Branco”.

O próprio Hugo Lopes (PSD) acabaria por se referir também ao tema, dando conta de que “o investimento é muito importante, mas as pessoas também o são e em termos empresariais estou aqui em Castelo Branco desde 2009 e a maior dificuldade que encontramos relaciona-se cada vez mais com a escassez de mão de obra”.

Jorge Pio (PS) reconheceu que neste caso da SIBS “há aqui muito atores envolvidos”, acrescentando que “nós também não podemos alhear a Câmara Municipal deste investimento porque, em devido tempo, se construíram as instalações onde agora essas centenas de pessoas vão trabalhar e isso só vem provar que esta autarquia continua a trabalhar e a arriscar em investir, pelo que obviamente cada um foi importante no seu lugar”.

José Alves (PS) que na ausência do presidente Luís Correia dirigiu esta reunião pública disse ainda sobre o mesmo tema que “ o senhor Hugo Lopes é um bom exemplo do que aqui falamos quando dizemos que fazemos tudo para facilitar a instalação de empresas no concelho, porque veio precisamente para cá trabalhar porque havia cá boas condições para que isso sucedesse”.

Ainda relativamente à criação de postos de trabalho, mas num outro patamar, o PSD votou contra a abertura de concursos para criação de um conjunto de lugares nos quadros da autarquia albicastrense. E fez uma declaração de voto. De acordo com os vereadores social democratas, este voto contra prende-se apenas com a criação de quatro lugares no chamado gabinete de apoio ao presidente na área da comunicação por entender este partido que “nunca votámos contra um mapa de pessoal, agora é absurdo contratarem-se quatro pessoas para o gabinete de apoio à presidência pelo que era importante que se soubessem quantas pessoas já lá trabalham neste momento e, se para além disso, há ou não também empresas contratadas para esse efeito e quantas são”.

 

FREGUESIAS Hugo Lopes (PSD) deixou nesta reunião um conjunto de sugestões na tentativa de combate ao despovoamento. Este vereador constatou “uma cada vez maior desertificação ao nível das freguesias rurais em detrimento da sede de concelho”, apresentou números que o comprovam e, nesse sentido, preconiza, entre outras sugestões, “a criação de loteamentos em todas elas; a redução do IMI em 30%; a devolução de 2% de IRS aos residentes; apoios aos pais de crianças até aos 13 anos; e a criação de um cadastro de casas devolutas para possível recuperação e venda”.

Do mesmo partido, Carlos Almeida questionou-se sobre o anunciado investimento por parte da autarquia numa destilaria em Santo André das Tojeiras que “gerou expetativas em 2017 e passado mais do dobro do tempo para a sua construção continua sem se saber quando irá laborar”.

Jorge Pio (PS) referiu-se ao despovoamento das zonas rurais como “uma evidência em todo o território europeu e não apenas em Castelo Branco”. Contudo, este vereador da maioria que lidera o executivo sustenta que “esta câmara não olha para as freguesias só quando há romarias e festas, efetua um trabalho contínuo investindo forte em várias frentes” (e lembrou os investimentos mais recentes em algumas delas).

Para Jorge Pio, “o caso da destilaria é mesmo um bom exemplo disso na área económica”. “É uma instalação que exige algumas especificidades técnicas, mas posso aqui garantir que acabámos de adjudicar os seus equipamentos e isso foi um passo importante no sentido do início da sua laboração”, explicou.

Numa reunião que ficou ainda marcada pela discussão em redor de outros temas como a chegada de alunos ao Politécnico de Castelo Branco, o início do ano letivo ao nível do ensino básico e secundário, ou o parecer positivo da Direção de Cultura do Centro que vai permitir o arranque das obras no Chafariz de S. Marcos, foi unânime o voto de pesar à respetiva família pelo falecimento do jovem Rui Pedro Jorge, de 45 anos, funcionário da Câmara de Castelo Branco, que todos lamentaram, deixando palavras de elogio à sua dedicação, competência, discrição e humildade que colocava ao serviço da causa autárquica. “É uma perda enorme para todos nós”, frisou o presidente em exercício.

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