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Cata-ventos: Conferência da ONU sobre alterações climáticas

Costa Alves - 27/12/2018 - 10:28

Como é habitual, as negociações, realizadas na cidade polaca de Katovice, sobre a aplicação do Acordo de Paris celebrado em 2015, não resultaram decisões claras e sustentadas por todos os países. Mais uma vez, vieram ao de cima contradições insanáveis que aumentaram as incertezas sobre a sua efetiva entrada em vigor daqui a um ano. 

Seguimos, desde agosto, as notícias da greve às aulas de todas as sextas-feiras efetuada pela jovem Greta Thunberg, de 15 anos, e que foi replicada por estudantes em centenas de cidades deste nosso mundo, mas não colheu eco no nosso país. Reclamava pelo seu futuro num mundo atingido pelas alterações climáticas. Foi recebida pelo Secretário-Geral da ONU, António Guterres, que a convidou para assistir à sessão que juntou representantes de 196 países. A jovem ativista discursou durante uns minutos e, segundo a imprensa, acusou os líderes mundiais de não serem maduros o suficiente para tomarem as medidas necessárias para enfrentar os problemas ambientais. Com ela, estiveram 30 alunos de escolas de Katovice, a capital polaca do carvão, numa manifestação simbólica para reclamar ações contra o aquecimento global.

Esta 24ª conferência de todas as partes (COP24) ocorreu numa altura em que eram reveladas pela revista Nature as últimas avaliações de especialistas sobre a situação na Antártida. A principal preocupação residia na diminuição da superfície gelada no oceano Ártico, mas surge agora este aviso para aquele continente gelado do hemisfério sul: se as emissões de gases com efeito de estufa se mantiverem nos próximos 10 anos, haverá grandes alterações na Antártida, que podem tornar-se irreversíveis com o aumento do degelo e subida de 30 centímetros do nível do oceano global. A Antártida merecia, até agora, preocupações mitigadas quanto aos efeitos do aquecimento global, já que apenas se restringiam à sua zona ocidental. 

Antes da Conferência, EUA, Rússia, Arábia Saudita e Kuwait tinham-se oposto ao relatório de outubro do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC), contra a vontade da esmagadora maioria de países que o queriam adotar. O Brasil, já orientado pela futura presidência de Bolsonaro, passou a integrar aquele grupo defensor da ordem antiga dominada pelos interesses da exploração dos combustíveis fósseis. O relatório do IPCC, baseado na investigação de milhares de cientistas, revelava que a temperatura média global do planeta está a subir mais depressa do que o previsto e que são necessárias “medidas sem precedentes” para que o aumento da temperatura global não ultrapasse 1,5 graus Celsius. A Conferência abandonou esta meta repondo o limite da contenção do aumento em 2 graus.

Na sua intervenção o Secretário-Geral da ONU afirmou que “as questões políticas chave continuam por resolver” e lançou o que “pode parecer um apelo dramático porque é exatamente isso: um apelo dramático” para uma “janela de oportunidade [que] está a fechar-se”.

A próxima cimeira das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP25) será no Chile, entre 11 e 22 de Novembro de 2019, após a desistência do Brasil. Será a última antes do início das medidas decorrentes do acordo de Paris. Veremos se ficarão mais definidas as imensas dificuldades para que o acordo abranja todos os países. Segundo António Guterres, “perder esta oportunidade poria em causa a nossa última oportunidade para deter a mudança do clima. Não só seria imoral, como suicida”.

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