Já lá vão quase 4 anos com preocupação pela albufeira de Sta Águeda/ Marateca. Preocupação que não se manifesta em quem tem a responsabilidade do poder (e do dever), pois continua quase tudo por fazer entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e as duas autarquias, especialmente a que abrange a área maior. Recordemos alguns dos muitos problemas.
Cerejal. Está a crescer. Em certos períodos, fumega pesticidas, herbicidas ou fungicidas na zona de proteção da albufeira onde a APA o autorizou. Dali à água, basta uma aragem ou uma chuva que os leve. Quem aprovou a sua implantação, continua a não garantir que vai interditar outras intervenções de caráter intensivo. Ter um cerejal ali é uma demonstração de poder político-económico. A criança da fábula do rei vai nu perguntava-me se não deviam plantá-lo fora da zona de proteção e, de mão dada, concorda comigo: não há outro caminho senão a sua remoção.
Vedações. Depois das impostas durante a implantação do cerejal, sobreveio uma epidemia. Muitos dos caminhos de acesso à água foram trancados. Também nesta matéria fecharam os olhos ao Plano de Ordenamento publicado em 2005. A APA está agora a recensear esses antigos caminhos (públicos) para, assim está combinado com a Plataforma de Defesa da Albufeira, os poder mandar reabrir. Será que …?
Placares com avisos e sinalizações e contentores de lixo. Finalmente, a APA assumiu que os vai adquirir e conjugar-se com as Câmaras Municipais de Castelo Branco (CMCB) e do Fundão (CMF) para que todo o perímetro esteja corretamente coberto. Será desta? Os municípios não têm estratégia nem planos conjugados com a APA para que saboreemos todo o bem que esta belíssima albufeira pode fazer, além de nos dar água a beber.
Canoagem, vela, pesca. Por todos os motivos, os municípios têm o dever de promover e criar condições para que estas atividades se possam desenvolver de acordo com o Plano de Ordenamento que inscreve, nele próprio, a necessidade (não cumprida) de ser revisto em 2015. Mas, canoagem e vela, nem vê-las. E os pescadores não possuem condições e alguns têm comportamentos erradíssimos.
ETAR da Soalheira. Não remove o Fósforo, principal agente da eutrofização que também tem outras origens. A CMF comprometeu-se a exercer o seu poder de influência junto da entidade que a gere, mas não o fez. E a fiscalização repousa nos braços do acaso que vier.
Achados arqueológicos. Continuamos a não saber onde se encontram. Dizem que parte está armazenada nos fundos sem fundo do Museu Tavares Proença, outra na Estação de Tratamento de Água e que algo terá ido para Coimbra. Procurámos, mas quem devia não ligou. Exigência: reunir, estudar e promover a sua mais adequada apresentação para conhecimento público. Muitos dos achados provêm da época de ocupação romana.
Campanhas de limpeza e de arborização. O esforço voluntário deverá continuar. Limpar silvados e más práticas do ano que passou serão tarefas para a 2ª operação de limpeza. E a rearborização deverá continuar, de modo faseado, até abranger a totalidade da zona reservada. Mas, a responsabilidade devia ser exercida ao contrário. Provir das entidades oficiais e não da iniciativa cívica voluntária.
Construção ilegal. Com paredes a um metro do solo e a menos de 30 metros do Nível de Pleno Armazenamento da albufeira, lá está a crescer ilegal, sem ostentar licença de construção nem plano de obra. Um dia destes, está pronta. Esperaremos pelos próximos capítulos. Muito cansados.