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Cata-ventos: Fukuchima - 10 anos depois

Costa Alves - 22/04/2021 - 9:42

Se bem se lembram, em 11 de março, passaram 10 anos sobre o acidente na central nuclear de Fukuchima em que ocorreu a fusão de três reatores na sequência de um sismo, com epicentro no Oceano Pacífico, seguido de tsunami. Talvez valha a pena tentar saber como está a situação.
A avaliação feita por várias instituições e investigadores, resume-se numa palavra: impasse; impasse nas principais frentes de catástrofe. Quanto à situação dos três geradores, à água que os refrigera e ao destino da água e da terra nas áreas contaminadas.
Impasse também quanto ao futuro de milhares de desabrigados e de 2500 pessoas desaparecidas. Ao longo da década, as autoridades foram libertando algumas áreas para retorno dos antigos moradores mas, segundo dados oficiais revelados em dezembro de 2020, ainda há mais de 36 mil pessoas a viver como evacuadas. E as que deixaram as suas residências sem ordens expressas são ignoradas.
Além do mais, a região sofreu os efeitos de seis sismos ocorridos depois do de 2011 (com 9,0 de magnitude) e que os especialistas caraterizam como réplicas. Estes sismos, com magnitudes entre 6,6 e 7,3 na escala de Richter, terão continuado a deteriorar a instável e perigosa situação em que a central se encontra, abrindo novas fissuras que provocaram a descida do nível da água de refrigeração. O último ocorreu em 23 de fevereiro deste ano, com 7,3 de magnitude, e o governo confirmou um agravamento dos muitos danos pré-existentes.
Além dos terramotos, os tufões que têm atingido o Japão instabilizaram ainda mais a situação dos reatores e dos sistemas de tratamento de resíduos e dispersaram mais partículas radioativas. Em outubro de 2019, o tufão Hagibis atingiu um número desconhecido de sacos de resíduos radioativos que se encontravam empilhados junto de um rio.
O impasse revela-se, ainda, na escassez de estudos de saúde. Afirmações recentes à revista médica “Deutsches Ärzteblatt” do presidente da Associação Internacional de Médicos para a Prevenção da Guerra Nuclear garantem que, “até agora, só foi examinada sistematicamente, em Fukuchima, uma patologia em humanos: o cancro da tiroide”. Outras enfermidades, como leucemia e malformações associadas a extensas exposições a radiações, não foram investigadas. Os cinco estudos realizados centraram-se, apenas, em anomalias obstétricas nas zonas mais afetadas: três sobre taxas de mortalidade neonatal, um sobre o peso inferior ao normal em recém-nascidos e um sobre a diminuição da natalidade nove meses depois de março de 2011.
Em janeiro de 2018, a revista Thyroid informava que se tinham detetado, em cinco anos, numa população de 380 mil menores, 187 casos de cancro da tiroide, valor muito acima do esperado que era de 12.
Em 29 de abril de 2018 o jornal Japan Times noticiava: “habitantes de Fukuchima opõem-se ao plano estatal de construir estradas com material contaminado”. Outra notícia, esta de 31 de janeiro de 2020, garantia que “não foram programadas atividades de descontaminação na maior parte das zonas florestais, que cobrem cerca de 75% da área de 9 000 km2 mais contaminada”.
Se tivesse espaço, poderia apresentar outras situações de impasse quanto aos efeitos da catástrofe ocorrida em Fukuchima. Apesar do abalo sofrido em Chernobil, em 1986, o colapso da central japonesa provocou profundas alterações, em vários países, nos sistemas de geração de energia elétrica com base na fissão nuclear. Não em Espanha onde 7 reatores continuam a funcionar, um em Trillo e dois em Almaraz (usando água do Tejo) e dez centrais encontram-se inativas e com todos os riscos inerentes por resolver .
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