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Cata-Ventos: Ganhamos por quantos? Quem marca?

Costa Alves - 23/07/2026 - 9:02

Está-se tão bem aqui na Zona do Fã (perdão Fan Zone), a malta toda contente, otimismo, devoção; mais: certezas. Por quantos? Pergunta a jovem repórter que acaba de chegar da precariedade para voltar a essa estação da sua vida quando formos eliminados, quer-se dizer, quando o mata-mata brasileiro atirar a matar. Isso é que nunca acontecerá a Por-tu-gal! Por-tu-gal! Ganhamos, qual é a dúvida? Quem duvida que se atire ao chão. Faça de morto, condizendo com o mata-mata a quem se atravessar no nosso glorioso caminho. Por quantos? Três zero. Quem marca? Ro-nal-do! Ro-nal-do! Ro-nal-do! Quem duvida não pode ser bom português. Há quem se baste com um curto dois-a-um e há quem vá mais longe e se fixe numa abada. A adivinhação já não é adivinhação. É uma sentença proclamada em modo possesso, cara em transe de apoplexia.
Faz-me lembrar a rábula de aqui há anos sobre Valentim Loureiro, o major - o maior no seu próprio parecer. “Quantos são, quantos são?” Eram muitos, mas não eram os deste campeonato.
No meu fraco entendimento, confesso que me fez espécie verificar a persistência do Primeiro-Ministro em viajar p’ra lá, viajar p’ra cá, com conversas de treinador de bancada de entretém. Bem sei que isto está sempre em campanha e que o futebol é um ás de trunfo, mas... Talvez quisesse certificar-se de que o modelo de jogo não iria mudar, pois era garantido que, com tantos solistas, havia ouro garantido na passarela do antecipadamente concelebrado final. Afinal, era um não-modelo que nem com “amuleto” (Hugo Soares dixit e o Primeiro-Ministro aplicou) colado aos pulsos dos jogadores deu resultado. Devia ter levado consigo o ministro da Educação. Sempre lhe dava a oportunidade de aprender como elas se fazem no país da robotização a que estamos condenados. Pelo menos, aprendia como digitalizar à velocidade de um golo “limpinho” na baliza. Mas não, isto anda tudo a (a)variar. Tenho mesmo de perguntar: Quo vadis, educação?
Espero que Trump não se dê ao trabalho de fazer um golpe de estado (salvo seja) que lhe dê para continuar a dar ordens à FIFA em 2030, ano do próximo Mundial. É que expulsar um dos seus rambos, por entrar à sarrafada, não pode repetir-se. Punir assim, de cartão vermelho, avançou o presidente dos EUA, só é permitido quando, de um sopro devastador, se limpam mais de quarenta dirigentes, incluindo o máximo, o imediato e todos os outros imediatos de um país inimigo, ou quando Israel terraplana montes de pessoas para armar Rivieras em Gaza. Não se pode ser prémio da paz do presidente da FIFA e, depois, nada.
É que nesse ano de 2030 coorganizamos o Mundial. Coorganizamos é forma de dizer, coorganizamos em pequenino. Com Espanha a apoiar Marrocos na anexação do Saara Ocidental, podíamos lembrar-nos do que aconteceu em Timor, mas está quieto, outros valores mais baixos se levantam. Convenhamos, coorganizar um Mundial com tais parceiros, mesmo como parceiro menor, é uma honra: direi mais, é um privilégio, pois então. Ganhamos, alguém duvida? Não sei é por quantos. Nem quem marca os golos. 
Vá lá, leitor, deixe passar, já estamos acostumados a discos deste género, com bons intérpretes e tão fraca orquestra. Atão os que mandam não conhecem este bê-a-bá? E que o melhor é abrir bem os olhos para o que se passou para ver se o que virá tem outras pernas para andar?
Ai Por tu gal! Por tu gal! A poesia de Alexandre O’Neill conhece-te as manhas e ironicamente suspira: “Ó Portugal se fosses só três sílabas/ de plástico, que era mais barato!”
Não mudemos de vida, não!…

 

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