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Cata ventos: José Dias Pires publica Giganteiras Miniaturas

Costa Alves - 20/12/2017 - 11:28

Depois de ter publicado “Travalengas” e “Travalengas a Dobrar”, abro-lhe aqui, leitor(a), este terceiro livro de José Dias Pires para crianças.
Pela minha parte, simples leitor não qualificado, mas admirador (incondicional) de todos os escritores que dirigem a sua (boa) criação para a infância, só posso esperançar (posso dizer assim?) ver este livro a ser lido e reimaginado em voz alta em ambiente de Natal. E, recomeçadas as aulas, nas salas onde histórias, como as que José Pires conta, possam servir de suporte para que a imaginação as trabalhe e recrie.
Ora leia: “Os olhos tentam saber/ se aquilo que o coração/ sente/ é assim mesmo/ ou/ diferente/ se a imaginação/ quiser”. Assim explica o autor a aventura de perguntar-se se o que começa neste livro serão “Giganteiras Miniaturas”. Quando se pergunta a um escritor que concebe livros para crianças qual a faixa etária para que os pensou, normalmente, desvia-se e muda de rumo. Os professores e os pais avaliarão, sendo que a prova real será o trabalho que as crianças fizerem com os trabalhos de imaginação que vierem com as histórias propostas.
José Pires é um excelente comunicador de histórias. Onde fica a imaginação?, pergunta-se. “No meu quarto, no jardim,/ num livro que me vão dar/ e também aqui assim,/ se me ponho a imaginar/ como quem o faz para mim.”
São 25 poemas-histórias. Todos orientados por uma nota explicativa de “Sabias que” acerca de, por exemplo, uma “Migalha de Pão”, de “Um Furacão no Nariz”, de “A Cascata das Emoções”, de “Saudades do Mar” - “Sabias que o sal marinho resulta da evaporação da água do mar? E que (…) se deve consumir apenas uma colher de chá por dia, que são cerca de 4 a 6 gramas?”. Imaginação e pedagogia.
Tem também a história do “Pássaro-cão”, uma “ave que ladria”, um “pássaro inventado/ que nem ladra nem pia” e “costuma brincar na minha mão, mas apenas quando a minha imaginação quer.” Tem um “Sapo Sapatolas” que, tendo “os dedos das patas da frente virados para dentro”, “parece que tem molas/ nos sapatos que coseu/ com linhas das maçarocas/ do milho que não comeu.”
Tem um “Cágado Encarapuçado”, “A Praia no Prato” e “Canto da Ave de Papel”. E encontramos criaturas giganteiras e em miniaturas criadas com a fantasia da imaginação que o autor já demonstrou no romance, no teatro e noutros textos que vem produzindo.
E que dizer de uma teia que é uma “Cortina de Luz”? “Tecida/ linha a linha,/ a teia/ que não tapa o sol,/ quase torna mais fresco/ um dia de calor.” A nota de pé de página informa que, em 2010, uma equipa de biólogos descobriu, em Madagáscar, uma teia com 25 metros de comprimento e 50 vezes mais resistente do que o aço.
E vem “A Alegria das Manhãs” em gotas de orvalho: “As manhãs primaveris,/ nos momentos sossegados,/ sorriem, acordam/ e gotejam uma alegria, pequenina, de cristal.”/ Provei-a: não sabe a sal.”
Não deixo sem referência as ilustrações de Catarina Correia Marques. Não posso reproduzir um exemplo, mas garanto fantasia e imaginação a condizerem com as histórias.
O autor foi (é) um professor albicastrense que atravessou gerações de todos os graus de ensino, do primário ao politécnico. É um escritor de todos géneros com excecionais capacidades de comunicação e custa ver que a cidade não conheça a sua obra, não a pense nem a discuta. No caso das suas criações para crianças, seriam alimento de expressão da imaginação em todas as casas e escolas.
Bom Natal. Com “giganteiras” e “miniaturas”!
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