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Cata-Ventos: Retirar água da Albufeira de Santa Águeda?

Costa Alves - 01/07/2021 - 10:05

Disse o Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco (CMCB) que a Ministra da Agricultura aprovou o projeto de regadio “Gardunha Sul” que visa retirar água da albufeira de Sta Águeda/Marateca para regar mil hectares em cada um dos concelhos de Castelo Branco e Fundão. E disse, também, que tinha conseguido a elaboração de um Estudo de Impacto Ambiental. Estudo de Impacto Ambiental que, muitas vezes, os donos de obra mandam realizar para garantirem que será como querem.

Querem, então, os Municípios de Castelo Branco e do Fundão, financiamento para atividades que vão utilizar água da albufeira de Sta Águeda, aliás, maior quantidade do que a distribuída para consumo público nos concelhos de Castelo Branco, Fundão, Idanha-a-Nova e Vila Velha de Ródão.

É um assunto com barbas muito crescidas. Em 2002, já o Ministério do Ambiente garantia que o regadio na região só podia ser conjugado com o abastecimento público multimunicipal, através da construção de uma barragem na ribeira do Tripeiro, a dois quilómetros de Barbaído. Na altura, já se levava em alta consideração o aquecimento global, as suas consequências em alterações climáticas e, nesta zona, com diminuição da quantidade interanual de precipitação.

Os jornais também davam conta de que o então presidente da CMCB, Joaquim Morão, abraçava entusiasticamente esta opção estratégica, face às limitações da resposta da Marateca para outros fins, além do abastecimento público: Chegou mesmo a afirmar: "Penso que ficará resolvido o problema de água nos próximos 100 anos”. O projeto estava elaborado e anunciava-se a conclusão da obra para 2006. Como é costume, as palavras ficaram a arder no ar mas, após as eleições autárquicas de 2009, Joaquim Morão garantia que seria finalmente construída até 2013.

Mas, nada feito. E a situação da albufeira foi-se degradando com, pelo menos, uma Estação de Tratamento de Águas Residuais a enviar efluentes sem remoção de fósforo e com atividades pecuárias e culturas intensivas a carrear substâncias que aumentam a eutrofização da água armazenada e exercem pressão crescente nas operações e na economia da Estação de Tratamento de Água para que possa ser consumida.

A autorização dada pela Agência Portuguesa do Ambiente para a plantação de um cerejal com 17 hectares, agora em fase de preparação do terreno para mais 12 (grande parte localizado na zona de proteção da albufeira) foi mais um sinal premonitório das opções do Estado que, agora, acaba de autorizar o plano de regadio proposto pelos dois Municípios.

Estas opções transformam o regadio em função principal quando no Plano de Ordenamento da Albufeira é secundário, tecnicamente avaliado como lesivo e politicamente viável apenas com a construção da barragem do Barbaído, em reforço da Marateca.

Tudo isto é sabido e está estudado. Leiam, por exemplo, os artigos e estudos produzidos por especialistas ou bons conhecedores, como José António Calmeiro, José Cardoso Moura ou João Carvalhinho, alguns publicados neste jornal.

Este ano há eleições para as autarquias. Procedo como há 4 anos. Levanto problemáticas e problemas a ver se quem se propõe ser eleito os analise e se comprometa com a apresentação de soluções. Ninguém ligou, mas ainda espero que o venham a fazer agora. Em geral, ocupam as campanhas eleitorais a pegarem-se por dá cá aquela palha, com frases feitas que entram por um ouvido e saem pelo outro, iludindo o retângulo com promessas para canto e despojos de batalhas fratricidas.

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