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Censos: Distrito perdeu 18 mil habitantes em 10 anos

José Furtado - 28/07/2021 - 18:13

Penamacor é o concelho mais penalizado e Vila de Rei o que menos perdeu desde 2011. Concelho de Castelo Branco perdeu mais de 3800 residentes.

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Castelo Branco. Arquivo Reconquista

O distrito de Castelo Branco perdeu nos últimos dez anos mais de nove por cento da sua população, o que equivale a menos 18 352 habitantes. Para se perceber a dimensão desta descida era como se tivessem desaparecido todos os habitantes dos concelhos de Penamacor, Oleiros, Vila Velha de Ródão e Vila de Rei juntos.

Estas são as primeiras conclusões da análise dos resultados preliminares do Censos 2021, revelados pelo Instituto Nacional de Estatística depois da recolha que teve início em abril. Das 120 freguesias do distrito apenas uma, a de Carvalhal na Sertã, não perdeu habitantes em relação a 2011.

O concelho de Penamacor é o mais penalizado pelo despovoamento. Perdeu 16,2 por cento da sua população, tendo agora 4764 habitantes. O concelho menos penalizado fica na outra ponta do distrito. Trata-se de Vila de Rei, que tem hoje menos 5,1 por cento de habitantes que em 2011, uma descida de 5,1 por cento.

Voltando às maiores perdas, depois de Penamacor surgem Oleiros com menos 14,4 por cento, Idanha-a-Nova com menos 14,2 por cento e Proença-a-Nova com menos 14 por cento.

A Covilhã perdeu 10,3 por cento dos seus habitantes, sendo o concelho com cidade que foi mais penalizado pelo despovoamento. O Fundão desceu 9,2 por cento e Castelo Branco 6,8 por cento. O concelho capital de distrito perdeu mais de 3800 habitantes mas a sangria aconteceu sobretudo à conta das freguesias. A população da cidade de Castelo Branco e das anexas de Taberna Seca e Lentiscais desceu 2,2 por cento, tendo agora 34 456 habitantes, menos 786 que há uma década. A freguesia que abrange a cidade da Covilhã perdeu 4,3 por cento da população e a do Fundão 5,8 por cento, sendo que esta última tem hoje mais quatro localidades que em 2011, devido à reforma das freguesias.

Se o concelho de Castelo Branco foi dos menos penalizados no mapa do distrito, quando se compara com os concelhos do continente que são capital de distrito verifica-se que está entre os três com maior descida da população. Esta contagem é liderada pelo concelho de Portalegre, que perdeu 10,3 por cento dos seus habitantes, surgindo Castelo Branco empatado com Beja, que também desceu 6,8 por cento.

ALDEIAS Entre censos todos perderam mas alguns perderam menos que outros. Os concelhos que melhor aguentaram o ritmo do despovoamento foram Vila de Rei e Vila Velha de Ródão. Na freguesia de Vila de Rei vivem hoje apenas menos 17 pessoas que há 10 anos e na freguesia de Vila Velha de Ródão a diferença é ainda menor: apenas 10 pessoas. No seu todo o concelho de Vila de Rei perdeu 5,1 por cento dos habitantes e Vila Velha de Ródão 6,6 por cento.

As aldeias voltam a ser as mais penalizadas. Há dez em todo o distrito que na última década perderam mais de um quarto da sua população e em alguns casos até mais do que isso. São João do Peso, em Vila de Rei, perdeu mais de um terço dos seus habitantes, com uma descida de 35,3 por cento. Salvador, no concelho de Penamacor, andou perto, com 32,8 por cento. Com perdas acima de 30 por cento encontra-se ainda Aldeia de Santa Margarida, em Idanha-a-Nova.

Estes resultados preliminares analisam ainda os edifícios, alojamentos e agregados familiares. No caso dos edifícios há a curiosidade de o concelho que mais habitantes perdeu, Penamacor, ter o maior crescimento no número de edifícios, subindo 4,7 por cento. Segue-se Idanha-a-Nova com 4,3 por cento e Proença-a-Nova com 3,8 por cento. Na Covilhã e na Sertã há hoje o mesmo número de edifícios que há uma década e em Castelo Branco a subida foi de 3,3 por cento. 

 

Os dados preliminares podem ser consultados clicando aqui

COMENTÁRIOS

JMarques
à muito tempo atrás
Este é o resultado do trabalho que os governos fizeram nas últimas décadas, pelo desenvolvimento do interior e contra factos não há argumentos.
Manuel Araujo
à muito tempo atrás
Temos de lutar com as armas que temos, também neste caso, promovendo a fixação das pessoas neste Distrito, e em muitos outros do Interior, de onde se deslocam a maior parte dos portugueses para encher um litoral cada vez mais hiper-habitado de pessoas, façamos o que os governos, todos eles, evitam assobiando para o lado.
JARL
à muito tempo atrás
Ainda na semana passada viamos o "GRANDE" Armindo jacinto a gabar-se do aumento de 98 habitantes, com a cobertura de alguma imprensa local apoiante ou feudalizada do mesmo, quando na realidade foi só o terceiro pior concelho do distrito a perder população 14,2%, tenham vergonha e prestem melhor serviço público