Este site utiliza cookies. Ao continuar a navegar no nosso website está a consentir a utilização de cookies. Saiba mais

Auto-estrada para o inferno

Florentino Beirão - 24/11/2022 - 10:34

Decorreu recentemente mais uma Cimeira do Clima no Egipto (COP27), que encerrou a 18 deste mês, infelizmente sem grandes avanços, onde, mais uma vez, a comunidade mundial tomou consciência de que as alterações climáticas, paulatinamente, estão a conduzir o nosso planeta azul para uma situação dramática. António Guterres, secretário -geral da ONU, foi peremptório no seu discurso ao alertar a comunidade mundial para o perigo que corremos, se não invertermos a nossa má relação com o planeta. A continuarmos assim, acentuou ele, “ estamos a correr numa auto-estrada a caminho do inferno, onde não haverá salvação para ninguém. A humanidade tem uma escolha a fazer. Cooperar ou morrer”. E remata: “ou conseguimos um pacto de solidariedade climática ou todos teremos um pacto para o suicídio colectivo”. Também numa referência religiosa, ALGore, ex-vice presidente dos Estados Unidos, no seu discurso também alertou dizendo que está nas nossas mãos inverter o caminho da destruição progressiva do nosso planeta. Acrescentou ele: “ Há um traço comum nas religiões do Livro que é Deus dar a escolher aos humanos entre seguir a via das bênçãos ou das maldições. Nós temos seguido  o das maldições. Estamos a tratar a terra como um esgoto aberto para onde lançamos gases com efeito de estufa. São estes gases que são responsáveis pela subida da temperatura média do planeta”.
Por sua vez, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Lryen, referindo-se aos que a antecederam, lançou também um apelo à cooperação entre as nações, para combater as alterações climáticas. Avisou: “ Não vamos pela auto-estrada que nos leva ao inferno, tiremos um bilhete limpo que nos leva ao céu”.
Recorde-se que as alterações climáticas são um fenómeno que se refere ao aumento da temperatura média da superfície do planeta, produzido pelos gases que se acumulam na atmosfera. Os vários gases como o dióxido de carbono são os factores que produzem o chamado “efeito de estufa”. Este fenómeno vem-se acentuando desde o processo da industrialização do séc. XVIII, nos últimos 150 anos. O aquecimento global, como evidenciam as observações científicas é devido ao aumento da temperatura média global do ar, dos oceanos, a ampliação do derretimento do gelo e neve e elevação do nível do mar. As consequências constatam-se nos ciclones, nos furacões, nas enxurradas devastadoras, nos calores asfixiantes, nos nefastos incêndios, nas contínuas secas que espalham a fome nos países mais pobres do planeta.
Perante estas evidências, as Cimeiras do Clima têm servido para alertar a comunidade mundial para estas trágicas realidades uma vez que todos os países estão sujeitos a serem atingidos por estes fenómenos, resultantes do aquecimento global do planeta.
Esta causa tem que ser defendida por todos os países que apostam num mundo melhor em que a destruição da nossa Terra Mãe não possa ocorrer devido à cobiça irracional dos humanos quando não respeitam as leis da natureza, mas desenfreadamente a exploram. Veja-se o caso da Amazónia, pulmão do mundo, que tem sofrido constantes ataques.
Porque todos somos dependentes do Planeta Terra, temos de respeita-lo, sob pena de não termos fontes de água potável, terras de cultivo e ar puro, para respirarmos e promovermos a biodiversidade.
Mas parece que esta causa ainda não conseguiu mobilizar toda a comunidade mundial uma vez que nesta Cimeira do Clima não se fizeram representar ao mais alto nível o Japão, a China, a Rússia, a Índia e a Austrália. Países muito poluidores que seria urgente que eles viessem também a tomar medidas rápidas e eficazes.
Nas palavras certeiras e fundamentadas dos cientistas ou conseguimos um pacto de solidariedade climática ou teremos um pacto para o suicídio colectivo.
Não podemos fugir a esta alternativa. O nosso bem e dos nossos descendentes, obriga-nos a arrepiar caminho, antes que seja tarde demais.
Não podemos deixar de lembrar as palavras avisadas do Papa Francisco quem, na sua auspiciosa Carta Encíclica Laudato Si sobre o cuidado da casa comum, de 24 de maio de 2015, nos adverte no capítulo IV, nº 139: “ Quando falamos de “meio ambiente” fazemos referência também a uma relação particular: a relação entre natureza e sociedade que a habita. Isto impede-nos de considerar a natureza como algo separado de nós ou como uma moldura da nossa vida. Estamos incluídos nela, somos parte dela”.

florentinobeiraohotmail.com

COMENTÁRIOS