Este site utiliza cookies. Ao continuar a navegar no nosso website está a consentir a utilização de cookies. Saiba mais

Cotovelo

JC - 19/03/2020 - 9:50


Jeremias, presidente da Brigada do Reumático, mantém uma postura de responsabilidade face ao coronaburgo, o vírus que veio lá de trás do sol posto e que ameaça o mundo. - “Agora fazemos tudo à distância e pela internet. Quando temos que sair à rua o cumprimento é feito pelo cotovelo”, justificavam na reunião virtual que mantém diariamente com os seus camaradas e companheiros de Brigada, Godofredo (secretário geral) e Evaristo (presidente do Conselho Fiscal).
- “E isso obedece a algum tipo de regras? Devemos cumprimentar com o cotovelo direito ou com o esquerdo?”, perguntou Godofredo, que no fim-de-semana, na fila para entrar num supermercado, garante ter visto uma espécie de dança. - “As pessoas queriam seguir a mesma regra dos apertos de mão, mas isso obrigava-as a rodar. Parecia o vira! Eu cá cumprimentei os amigos com o cotovelo que tinha mais à mão!”, assegurou.
- “Que se conheça ainda não há nenhuma etiqueta pré-estabelecida para o cumprimento com o cotovelo. A literatura diz-nos que a questão do cotovelo está associada a situações de inveja. Daí a chamada dor de cotovelo, ou ‘cotovelíce’ aguda. Mas, no que respeita ao cumprimento, ainda nada foi escrito”, esclareceu Evaristo, para quem a regra a seguir afim de evitar o chamado bailinho do cotovelo deve ser a da saudação sem cotovelo e sem contacto, acenando apenas com a mão.
- “O importante”, diz Jeremias, “é que tomemos consciência que o vírus é perigoso e tem uma capacidade de contágio muito elevada. Por isso, mais importante que o cumprimento do cotovelo, é a atitude de responsabilidade que todos devemos adotar. Infelizmente nem sempre isso se verifica. Então na altura das compras, a maioria das pessoas continua a ver com as mãos. Apalpam tudo e mais alguma coisa. Remexem e voltam a remexer. Se não fosse grave dava para rir”, disse Godofredo.
- “É por isso que o senhor Bonifácio da mercearia ao fundo da rua, colocou um letreiro bem grande. Se quiser apalpar, faça-o com os cotovelos. Por ironia do destino foi acusado de ser mal educado. Isto de facto há gente para tudo…”, concluiu Evaristo, enquanto tentava cumprir o recolher obrigatório…

COMENTÁRIOS