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Crónica: Debita Nostra XCVI

Luís Costa - 20/09/2018 - 9:28

Nova investigação sugere que os realinhamentos políticos não têm só lugar nas direções partidárias, mas por todo o país. Um estudo intensivo do sociólogo Klaus Dörre, sobre um novo ‘movimento direitista dos trabalhadores’, (…), desvenda a rápida subida do apoio à ‘solidariedade exclusiva’ da AfD entre funcionários e membros dos sindicatos alemães.” (Tradução livre de “Germany’s left and right vie to turn politics upside down”, The Guardian, 22-07-2018.
Falando de alternativas, há, desde os finais do século passado, abundante pesquisa sobre uma mais eficiente organização da atividade económica, voltada para acréscimos de produtividade que não bebem da subestimação do trabalho, mas da sua valorização. 
Tal é o caso das visões prospetivas sobre a chamada “sociedade do conhecimento” que vislumbravam não tanto a anunciada revolução tecnológica, como uma mudança do próprio desenho da estrutura económica, não compaginável com meras adaptações competitivas.
Foi neste contexto que, não sem algumas hesitações e ambiguidades, se formalizou a chamada “estratégia de Lisboa” (2000), propondo o “crescimento económico duradouro, acompanhado por uma melhoria quantitativa e qualitativa do emprego e uma maior coesão social”. 
Embora numa primeira avaliação (2002), se apontasse à “alteração das mentalidades” e a “decisões políticas diferentes”, em 2004, a Comissão Europeia, aproveitando o relatório do social-democrata holandês Wim Kok, viria a relativizar-lhe a componente social e ambiental, em favor dos objetivos económicos e de consolidação orçamental.
Uma (con)corrente estrela cintilava já no firmamento da economia, envolta numa auréola de segurança e numa capa de modernidade. A remoçada receita liberal que impregnava a Agenda 2010 (Schröder) alemã, deslumbrada pelo “milagre do emprego” norte-americano, embora tributária de um padrão económico-ideológico-político secular e algo amnésica quanto aos seus recorrentes resultados.
É que os respetivos dividendos, apoiados na inegável vantagem das trocas globais e afeiçoados a uma competição que não desdenha o “dumping” social e político, e a consequente pressão sobre os salários, de débil sustentação democrática, podiam ser de imediato palpáveis.
Sabemos hoje como tão insinuante ‘má companhia’ subverteu a “estratégia de Lisboa”, lhe dissolveu a coerência, lhe tolheu a ambição e a impediu de provar o que quer que fosse. E, quem nos deixou nos braços a ‘órfã e inimputável’ criança, dada a jogos financeiros, como o de 2007-08?! E como é que aquele ‘fantástico e comprometedor’ emprego suscitou a infrene multidão que se dispõe a sufragar o mais tresloucado e desbocado dos protecionismos?!
Vamos também sabendo da irradiante ‘candeia’ alemã que, em simultâneo, alumia um desbragado excedente externo (8,6%) e uma crescente onda populista. E que esta, por arrasto do ‘encortiçamento’ da classe média (DEBITA NOSTRA XCV), já vai corroendo as bases do ‘protecionismo social’ democrata-cristão, como veio fazendo em relação ao ´trabalhismo’ social-democrata.  Lá iremos, a mais recente investigação. 
Que é feito, assim, da promissora ‘receita’ que optou pela mais básica das competitividades?

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