“Para mim a verdade ainda é a coisa mais importante na relação entre as pessoas. Por muito que doa, que me digam a verdade. (…) Nunca, em nenhum momento me intrometi em qualquer decisão técnica ou tática de qualquer treinador ou selecionador em quase 25 anos de carreira. (…) Não sou um jogador qualquer, sou capitão de equipa e isso constitui uma agravante. Já pedi desculpa, mas sei que as atitudes têm de ter consequências. Quem está no futebol como estou sabe que, independentemente do estatuto de cada um, as regras são iguais para todos.” (Comunicado validado por C. Ronaldo, 07-10-26).
Em maré de contrições, não posso deixar de pedir desculpa pelo parêntesis que agora abro aos sucessivos comentários que, após interessada leitura, aqui venho fazendo sobre o urgente texto da encíclica “Magnifica Humanitas”. Mas, como, por certo, compreenderão, tornou-se quase imperativo que, neste caso, eu também me pronuncie sobre a mais candente questão que, nos últimos dias, nos vem (pre)ocupando a nível nacional. E não só …
Ainda que, sem ironia, eu lamente que o tema me faça mais lembrar o adeus de algumas das antigas estrelas Hollywood, ao sair de cena, e que se não revista da dignidade que a memória de Ronaldo nos merece, ao invés daquela que a sua legítima fortuna nos parece fazer merecer.
Faço-o, porém, na convicção de que disponho de uma perfeita solução para tão inquietante problema (conflito) e de que, com ela, mas sem quaisquer veleidades trumpianas, o poderia resolver em menos de 24 horas. Mesmo que, para já, não almeje o muito desejado e, ainda assim, sempre esquivo prémio Nobel da Paz.
Ora acontece que tal (re)solução pode até pecar por ser demasiado simples. Mas também por sugerir, durante um certo tempo (o necessário para que todos os “mal-entendidos” possam vir a ser espontaneamente ultrapassados), que acaba mesmo por, de algum modo, preservar o “status quo” de que a nossa seleção tem (sobre)vivido. E ela é a de que Cristiano Ronaldo seja, de imediato, mas, obviamente, após a consulta que lhe é devida, formalmente indigitado como selecionador nacional. Sob a necessária e suficiente condição de que, indefinidamente, ou pelo tempo em que o próprio se considere fisicamente capaz, convoque e mantenha Jorge Jesus como seu preferencial ponta de lança.
Penso que, assim, Ronaldo, por um lado, poderia então continuar, a contento de todos, a sua impecável e indiscutivelmente brilhante carreira. Sendo, simultânea e oportunamente, compensado por ao longo de quase 25 anos, haver desprendidamente renunciado a alguma vez se “intrometer em qualquer decisão técnica ou tática de qualquer treinador ou selecionador”.
E, por outro, Jorge Jesus, com a sua reconhecida impulsividade de carácter, poderia agora esbracejar e espernear à vontade, sem que, por isso, deixássemos de jogar apenas com dez …