... “Trump afirmou no Congresso: ‘Acabei com toda a censura governamental e trouxe de volta a liberdade de expressão.’ Entretanto, temos assistido a uma ofensiva incansável para limitar a liberdade intelectual, que vai desde o policiamento das palavras, passando pelas limitações aos termos utilizados pela comunicação social, até aos cortes no financiamento da academia. Tudo invocando um pretenso wokismo que nunca teve nem as características nem muito menos o poder que lhe é atribuído.” (Pedro Adão e Silva, PÚBLICO, 19-03-25).
Pode parecer estranha a associação entre o relativismo moral, que, com particular acuidade, hoje caracteriza a administração norte-americana, e o liberalismo (DEBITA NOSTRA CCLVI). Desde logo, perante as diferentes acessões adquiridas pelo termo liberal, já quando, na mesma américa, adota a conotação de progressismo, já quando se identifica com a superação do Antigo Regime e as novas regras de moralização política (democracia).
Acontece, porém, que alguma coisa há de explicar o descarrilamento das incipientes democracias liberais para a mais imoral e imemorada de todas as crises que o nosso contexto geopolítico alguma vez conheceu - “Questão Social”. Bem como o já memorável despudor do recém(neo)-liberalismo, por mais que se ouse desligar a ‘santidade’ dos seus propósitos das abusivas práticas dos respetivos ‘pecadores’. Nomeadamente na indiferença face à democracia: a de quem nunca a teve, para produzir mais barato, e, por consequência, a de quem no dia-a-dia a vê perecer por falta de qualquer “ética da responsabilidade” na antecipação de tal efeito.
Um (des)moral sistema a(u)(s)sente na tónica da responsabilidade individual, uma vez que, por omissão do social, é no ‘indivíduo’ que coloca tudo o que seja iniciativa e o seu juízo ou capacidade propulsora (poder). A que, supostamente e por abstração, todo o ser humano estaria em idênticas condições para a(su)ceder.
Por que não há de, então, ser este mesmo ‘super-homem’, assim legitimado, a ditar as leis de como se deve (pro)ceder (moral)?!
Só que tal ‘must’ (musk?) global não só (de)monstrou, à transparência, a dita ‘superioridade’ moral do ocidente, e da sua democracia, como abriu as portas a que ‘outros’ já com ela con)corressem, (ab)soltos de quaisquer pruridos democráticos.
Houve, pois, que proteger fronteiras e ajeitar costumes, vencido que foi o prazo de valid(ez)ade dos anteriores. Optando, assim, por uma mais ‘impressiva’ liberdade de expressão, além de outros dos seus a(trans)parentados direitos e garantias. E que melhores aliados, para tão promissora oligarquia, que os próprios “vencidos” da liberal globalização, domésticos deserdados da mais frustrante das democratizações. Aqueles para quem o “wokismo” pode ser bem mais (off)ensivo do que parece.
Deste modo, apesar do seu natural narcisismo, pouco atreito a ‘argentinas’ amizades, não porei Trump, perguntado sobre quantas há de querer, a privar-se de repetir, numa veloz lengalenga: - Ei, mil!
O que talvez me impeça de reentrar nos EUA...