“Como nunca foram capazes de ir além desta ‘última instância’, a maior parte dos marxistas dissidentes nos anos 1930 produziu apenas uma crítica esparsa e tática da posição ortodoxa. (…) Gramsci (porém) afirmou que o fascismo triunfara porque compreendia essas regras da ciência política melhor do que o marxismo. No momento crucial, quando todas as classes começam a separar-se, dos seus paridos tradicionais, tinha de surgir um partido que representasse a nação.” (Paul Mason, 2021, “Como Travar o Fascismo”, pp. 263 e 265).
Não creio que a superação da presente crise venha a passar pela persistência na “política da inevitabilidade”, que aqui nos trouxe, ou em “políticas da eternidade”, com os seus mitos de um passado glorioso, que nos façam sublimar a perda de um qualquer sentido gregário (DEBITA NOSTRA CCXXIII). Nem que se contente com o somatório, ou a valia, dos projetos pessoais em que um instrumental ‘culto da individualidade’ colocou o nosso futuro coletivo. Ou se fique pela sucedânea sociabilidade das redes sociais, ou pelos cálculos de uma “internacional nacionalista” que, a esta nova escala, visa cerzir aquelas sublimações.
Mesmo que do meu lado apenas encontre a constatação empírica de que, nos momentos de mais aguda crise, a humanidade sempre descobriu aquela réstia de esperança que a levou a mobilizar-se em torno de novas mundivisões. Fossem elas as crenças milenaristas medievais ou as utopias socialistas do séc. XIX que agora nos aparecem datadas. Não por configurarem um inalcançável ideal, indispensável ‘estrela’ que nos orienta pelos caminhos a seguir, mas porque, por prevaricação ou desgaste, deixaram de o ser. Sem que por isso se tenha calado o grito dos humilhados, neste relapso mundo onde, como nunca, hoje se conjuga uma exponencial subida da produtividade e a mais inaudita, convencida e impassível das concentrações do rendimento (Piketty, 2013 e 2019).
Tudo apenas porque a História se não aprisiona em esquemas, como os que, nos anos 1930, iam ganhando todas as características de uma crença, mesmo que sob o labéu de ‘cientificidade’ que o positivismo nos legou.
E o dito proletariado não existe mais, uma vez que se esfumou numa miríade de assalariados, onde agora, por um lado, se extrema o privilégio e, por outro, a ausência dos mais excluídos à face da Terra, em diversos canteiros.
Mergulhados, como os antecessores, num incontornável dilema: são, por definição, privados de poder; mas, se o adquirem, perdem a própria natureza do que os define. E, com ela, a dom que, por justiça, lhes caberia de (pro)mover a nova sociedade que um bem-intencionado idealismo lhes colocava nas mãos.
Mas, sem que as suas sociáveis características, ou aquela eventual capacidade se tornassem particularmente ‘atrativas’, desde logo ao nível do senso comum (“não sirvas a quem serviu” …).
O que também teve o seu epilogo experimental…